Algumas coisas quebradas não tem conserto.

Graceland é uma casa maravilhosa no meio da Califórnia, olhando de longe a maioria sonharia em morar lá, porém nem tudo é o que parece e em Graceland não é diferente. Os seis agentes que moram na casa, passam por diversas situações entre a vida e a morte, além de lidar com superiores nada amistosos, isso só os quebram pouco a pouco. Se no início da série o clima era leve e descontraído, a cada temporada ela ficou mais séria e tensa exatamente por todos os conflitos que os personagens passaram e ainda passam por conta do trabalho deles.

É difícil afirmar qual dos seis atualmente está mais quebrado e esgotado, Mike quase morreu e agora está lutando contra uma provável dependência em remédios. Johnny não conseguiu colocar fim no caso Solano e acabou deixando Lucia em perigo. Paige não consegue lidar com o passado e o caso de tráfico das adolescentes. Charlie colocou fim no seu romance com Paul e tem que decidir o seu futuro e o do seu filho. Paul está sendo “chantageado pelo seu superior por causa da morte de Badillo e com isso precisa lidar com um sociopata. E Jakes é o único que ainda não tem uma história só sua, sendo o contrapeso de quem precisa aguentar a barra de todos.

Comecemos por Mike que voltou dos mortos mas não entende que o tempo de recuperação é necessário e por conta da sua cabeça dura pode prejudicar sua saúde, mais ainda, pode lhe fazer um dependente químico. Paul está preocupado com ele e sabe dos perigos, já que o próprio é dependente e sabe como esse problema pode acabar com a vida de alguém. Mas Mike não quer nem saber e quer botar a mão na massa, deixando todos apreensivos para o que acontecerá com ele nos próximos episódios, já que um agente que não está 100% curado em campo pode ser um alvo fácil para os outros.

O roteiro na premiere deixou um clifhanger no qual Johnny saía com Sid, deixando uma dúvida se o agente tinha mudado de lado ou não. Graceland gosta de usar desses artifícios, não foi a primeira vez e nem será a última que acontecerá, o problema não é usar esse tipo de roteiro, o problema é usar erradamente e se outras vezes não funcionou, dessa vez funcionou muito bem. A tensão que todas as cenas de ação envolvendo os dois, o aparecimento de Solano e a morte do Sid fechou uma trama que precisava ser encerrada, mas os roteiristas precisam ficar atentos em como eles levam a história dos Solano daqui pra frente, tendo em vista que é outro plot antigo e já desgastado.

Na review anterior falei que Charlie tinha lidado muito bem com o término e o aborto, só que o aborto ainda não tinha sido resolvido e foi um tema importante nesse segundo episódio, já que uma criança na vida da agente mudará a vida dela totalmente, além do mais foi legal o roteiro abordar que a escolha foi única e exclusiva dela, já que o corpo é dela. Briggs até tentou brigar, mas em vão. A reviravolta dessa trama foi ela no fim desistir do aborto, mais uma história que renderá futuramente, tendo em vista que ela seguirá para Miami com a antiga informante. Enquanto isso Briggs se vê obrigado a continuar no caso com Ari e cada vez vai se afundando mais nas confusões que o Armênio os coloca.

Paige precisa urgentemente de um rumo na série, todos já entenderam que ela sofreu traumas psicológicos por causa do tráfico de garotas na temporada passada. Mike já se desculpou, ela já ganhou medalha heroica por ter agido bravamente na ação que fechou o cativeiro, o que acontecerá com ela daqui pra frente? Será que o roteiro terá coragem de tirá-la da série e mais uma moradora chegará em Graceland? Outro que precisa de trama própria é Jakes que quase sempre viveu nas sombras dos outros personagens.

Com um segundo episódio tentando fechar arcos que não tiveram tempo de serem fechados na premiere, dá um gás necessário para a série. Agora só falta o plot do México acabar para Graceland mostrar que o que ficou no passado não deve ser desenterrado. O problema é se os roteiristas terão coragem de acabar com a trama que mais se prolongou na série e se depois disso terá mais histórias boas para contar.

P.s.*: Como Johnny e Sid invadem a casa de Carlito e suas armas não tem silenciadores? Parece que são amadores! Tsc tsc tsc.

Artigo anteriorThe Brink 1×03: Baghdad, My Ass
Próximo artigoUnder The Dome 3×03: Redux