A (in)esperada queda.

Após uma estreia com um ritmo muito bom, eis que temos uma leve queda no início de Protocol. Digo leve pois foi apenas no começo do episódio mesmo, que foi um pouco mais arrastado do que o esperado. Nada que tenha prejudicado, já que foi importante para introduzir os plots do episódio, que até já haviam sido inseridos no piloto, mas agora os vimos um pouco mais aprofundados.

O episódio mais voltado a Betty, que já estava certa como a segunda dama do espaço. Ficou bacana a demonstração das diferenças nas reações entre ela e Louise, visto que, apesar de as duas ficarem nervosas com a situação, Lady Louise conseguiu evitar que seus sentimentos transparecessem, como boa cold bitch que é. Só espero que não fique só nisso de “como as esposas reagem aos maridos indo ao espaço”.

Os problemas no lançamento de Gus caíram muito bem à trama. Eu realmente achei que ele não havia sobrevivido ao retorno à Terra. Aliás, cabe aqui um grande elogio a criação de suspense da série. A gente realmente sente junto com os personagens e esta empatia é muito importante para a manutenção do show. Até agora, a série vem sendo impecável ao criar climas tensos e, apesar de ainda ser cedo, já dá sim para criar boas expectativas a respeito do show.

Mas apesar de Betty ser a segunda das esposas a ganhar um aprofundamento, Marge, Annie e Jo tomaram os holofotes da amiga no episódio. E o que mais me incomodou nisso foi que elas protagonizaram não só pelo roteiro (o que até foi uma boa sacada), mas pela atuação mesmo. JoAnna Garcia estava muito sem graça neste episódio, e não conseguiu manter o mesmo nível de Dominique McElliott do piloto. E a trama também não ajudou, já que Marge e Annie estavam bem mais interessantes.

Toda a sequência de Marge tentando esconder seu passado caiu muito bem e, surpreendentemente, Jo foi muito importante no plot também. Apesar de mais uma participação curta, desta vez ela não ficou apagada perante as colegas do clubinho. Mesmo ainda esperando um aprofundamento maior, Jo já subiu um pouco no conceito. Assim como Annie.

Eu estava relutante quanto ao uso da gagueira como tema central de Annie, mas ela foi executada de maneira a não transformar Annie numa coistadinha que tem um distúrbio e precisa de consolo por isso. Gostei muito do empoderamento que deram à personagem e da união de todas ao seu lado. Assim como com os astronautas, que em suas aparições mesmo esparsas, mostraram um lado mais humano que estava necessitando no show.

Ainda tivemos uma amostra mais clara de Louise e sua relação com Max que, definitivamente, está evoluindo para algo mais do que a relação de repórter e entrevistada. Ainda não sei se isso será bom para o show, visto que Louise já não é a personagem mais carismática, aí vão dar um affair para ela? Espero que não se torne odiada pelo público. Rene e seu protagonismo natural conseguiram, mais uma vez, roubar o show. A trama já necessita de um episódio voltado a ela. Sua imitação da Lady Louise foi hilária e já quero mais deste alívio cômico. Até mesmo Trudy e seus sonhos de crescimento como piloto e seus conflitos com Gordo conseguiram ser mais relevantes que Betty no episódio.

Mas nada disso chega a ser um problema, só mostra que a série consegue dar voz a todos os personagens sem deixar ninguém de lado. Acaba que o show dá um valor um pouco maior para Louise, devido ter sido a única a ter um episódio voltado quase que inteiramente para si (até agora). A queda no ritmo também era esperada, até porque não dá pra manter aquele ritmo acelerado do piloto. O que assusta é mesmo a queda de audiência.

A ABC precisa fazer algo para não deixar a audiência cair tanto nos próximos episódios, ou o destino de The Astronaut Wives Club estará fadado ao fracasso. Além disso, o roteiro está pecando em sua previsibilidade e, até certo ponto, por sua preguiça. Graças a uma boa direção e excelentes atuações, tivemos dois episódios acima da média e que mantém o desejo de continuar acompanhando daqui pra frente. E apesar dos clichês serem úteis e, muitas vezes, necessários, não dá pra apoiar-se apenas neles.

Fica aqui uma menção honrosa à produção, que vem montando um verdadeiro espetáculo a cada cena e fazendo com que o espectador se transporte para dentro da realidade da série. Aliás, o show como um todo já pode ser muito bem avaliado, ainda mais comparando-se com o que temos pela TV aberta hoje em dia. Fica aqui a esperança que as quedas de Protocol não se repitam no próximo episódio e que o público dê uma chance a esta série que tem um potencial tremendo, mas que, desde já, vem sendo subestimada.

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