Equilibrando a balança.
No primeiro episódio da série acompanhamos os 6 tripulantes tentando entender quem eram e o que faziam ali. Após a descoberta, no final do episódio piloto, todos se comportaram da mesma forma em relação a revelação: acabaram em estado de negação.
Em todos (exceto o “Três” ou Marcus Boone) o estado de negação levou a mesma atitude: provar que não eram os criminosos descritos em suas respectivas fichas. E em torno disso o segundo episódio trabalhou, em uma tentativa de equilibrar as balanças.
E nessa tentativa de equilibrar os erros e os acertos, o sexteto decidiu seguir com o plano do episódio piloto e entregar as armas aos mineradores, na tentativa de resistirem a guerra contra a Corporação Ferrous. Claro que tal decisão não foi obtida sem a discordância do Três, que não se importa com nada e que até agora é o único que parece querer comprovar a teoria determinista dentro da criminologia, em que ser criminoso é algo intrínseco aos seus genes.
Aliás o Três é um dos únicos personagens com personalidade, junto com o Um (Jace Corso candidato a miss e a favor da paz mundial) e a Dois (Portia Lin, a nossa líder). O restante ainda não apresentou as nuances das suas personalidades, sendo resumidos a meros seguidores.
Porém, para acabar com a festa (literalmente) e atrapalhando os planos dos simpáticos mercenários, a Corporação Ferrous não suportou a demora do sexteto para lidar com os mineradores e resolveu concluir a missão por si mesma. Nesse ponto a série merece críticas, as cenas de combate são terríveis. Soldados em fileira para levar tiros, soldados que andam como se estivessem em um passeio na Disney e soldados sem qualquer técnica de combate me fazem pensar como essa Corporação conseguiu ser temida por alguém.
Dito isso, é válido também citar os acertos do episódio. Até agora nenhum personagem pode ser considerado irrelevante ou até mesmo um estorvo para a série. Consoante a isso, todos (do sexteto) tiveram ideias realmente inteligentes e em determinadas situações, chegavam a conclusões sábias, como a Dois e seu plano de chamar a concorrência ou o Seis ou Griffin Jones em seu plano de destruir a nave da corporação (neste caso até um pouco óbvia já que dificilmente o piloto automático da Marauder desviaria da artilharia da nave da Ferrous). Tudo que ocorreu no episódio dois, apesar de óbvio, olhando para a série como um produto a longo prazo, foi razoavelmente bem construído e bem interpretado (apesar da má qualidade dos efeitos especiais).
No fim, tudo se resolveu e todos voltaram para a única casa que conhecem, a nave Raza. Um episódio que trabalhou dentro do óbvio, diante do que vimos no piloto e que apesar de não entregar algo inesperado (o que inclui a “descoberta” de que alguém foi responsável pela perda de memória do grupo, já que tal descoberta era mais que óbvia) serviu para delinear a única casa e família as quais os atuais mercenários do bem fazem parte.
Para os próximos episódios eu espero um pouco mais de exploração do universo sci-fi ao qual a série pertence. Existe muito a se expandir, principalmente pela série se tratar de uma adaptação da graphic novel de mesmo nome. O que garante não só um norte aos roteiristas, para não se perderem nas histórias, como também uma base que pode ser expandida e explorada.
Dark Matter entregou um episódio satisfatório dentro, não só, das suas limitações, como também, das suas pretensões. Além disso, por ainda se tratar do segundo episódio, não é uma série que deva ser descartada da grade de qualquer fã de ficção científica.
A série pode não ser a melhor produção sci-fi do mundo, porém aquele que quiser continuar assistindo Dark Matter, tem que encarar a série do modo que ela é, uma série sem pretensão alguma a ser o maior marco televisivo sci-fi na atualidade.
Pitaco 1: Tenho que dizer que o primeiro episódio me deixou desconfiado quanto a tudo e a todos, em um primeiro momento desconfiei até das fichas dos personagens, porém com o desenrolar do segundo episódio, pelo menos até agora, o que vimos do passado de cada personagem, se provou verdadeiro.
Pitaco 2: A única que ainda não teve seu passado revelado foi a Vidente (Cinco), o que me leva a suspeitar que talvez ela tenha alguma ligação com o responsável pela perda de memória dos personagens.
Pitaco 3: Pelo que aparenta, o responsável pela perda de memória planejou não só apagar as memórias, mas também falsificar os registros dos membros da tripulação, incluindo um possível passado falso seu, para agir dentro do grupo (o que não exclui minhas suspeitas com a Vidente).
Pitaco 4: O Quatro cortando cabeças e torturando prisioneiros também quer comprovar a teoria determinista.















