De repente, tudo!
Foi incrivelmente extasiante como depois de sete episódios bem parados “Game of Thrones” conseguiu uma arrancada que serviu como clímax para quase todos os enredos iniciados nesta quinta temporada. E, olhando como um todo, não considero este o pior ano do seriado, acho que o programa abraçou de maneira definitiva o seu status de evento, a produção ganhou um investimento absurdo e houve mobilização de nível não visto em muito tempo por parte dos expectadores. Lógico que todos esses elogios não se aplicam ao núcleo de Dorne, e aproveito essa menção para dar início ao nosso rolé geográfico.
Dorne
Nossa! E quando achávamos que tínhamos visto o último de Dorne, eis que eles nos presenteiam com uma cena que coroou tudo o que esse plot significou para o seriado: um enorme equívoco. Tudo o que me vem à mente foi o papinho entre Bronn e a Lindinha, com direitos a mordidinhas, criando o tom de pastelão pra tudo que se seguiu. Foi um mínimo agrado a cena tocante de Myrcella aceitando abertamente o fato de que Jaime é seu pai, tornando tudo mais suportável. Mas logo tudo descambou para o envenenamento canastrão que levou a vida de mais um dos filhos de Cersei. Percebem como isso torna todo aquele episódio das “Trapalhadas nas mil e uma noite de Dorne” em algo completamente sem propósito. Sério, Ellaria? Não dava pra ter usado o veneno desde o começo? Chega, nem mais um parágrafo para as terras do extremo sul, uma cagada para sempre lembrada.

Braavos
Tenho uma palavra para os acontecimentos de Braavos: INSANO! Numa cena que transpirava Tarantino, Arya matou de uma maneira brutal Sir Meryn, o até então primeiro nome na sua lista de desafetos. A câmera não fugiu em nenhum momento do horror de cada facada desferida e a morte do cavaleiro foi uma das mais sofridas, permeada pelo discurso assustador e intenso da garota sobre como estava feliz pelo deus de muitas faces ter deixado essa morte pra ela. Que orgulho, nossa Arya já é uma garota crescida e já toma as rédeas da vingança.
Mas toda ação gera sua reação, ou podemos chamar de carma nesse caso, mas o que importa é que Arya deveria ter deixado seu antigo eu para trás e se a sua visão a estava impossibilitando de abraçar esse caminho, então da sua visão ela deve ser privada. Achei incrível as cenas que demonstraram como os homens sem rosto incorporam o tal ninguém. Jaqen não existe e por isso ele não pode morrer, cada homem sem rosto tem uma personalidade igual a dele, uma folha em branco, e só as feições que o vinculavam a ideia de indivíduo único. Todos são Jaqen, todos são ninguém. Então fica a expectativa para que o próximo ano acerte no passo desse enredo que pareceu demasiado arrastado antes de Sir Meryn chegar na cidade.

Meereen
Depois dos incríveis acontecimentos na arena de Daznak, o que se seguiu nos extremos de Essos foi um tanto quanto anticlimático. O passo aqui estava mais condizente com os últimos episódios de temporadas anteriores, apenas movendo peças para o que será explorado nos vindouros episódios. Meereen sendo governada por Tyrion e Varys na ausência de Dany é algo pelo qual fiquei muito empolgado. O anão deve tirar de letra a missão em que a garota fracassou e ficará bem claro o quanto ele é o membro que faltava para a conquista da última Targaryen acontecer.
E foi interessante perceber como a história de Dany parece ter sido resetada. Lá se encontrava novamente a rainha sozinha e cercada pelos dothraki nos fazendo lembrar de como tudo começou. Será que ela realmente perdeu tudo o que tinha construído ao longo das cinco temporadas? Sei que temos toda uma expectativa de ver a Mãe dos Dragões descendo em grande estilo sobre Porto Real, mas parece que ela só se distancia cada vez mais desse objetivo. Daenerys irá mesmo algum dia para Westeros? Ou “Game of Thrones” está tramando sua mais cruel brincadeira e fará com que Dany morra do mesmo jeito que começou sua jornada sem nunca ver a terra dos Sete Reinos? A reta final do enredo da khaleesi vai se iniciar agora e a expectativa é grande!

Winterfell
Realmente foi o fim do último dos Baratheons. Stannis foi morto pela espada de Brienne e a casa do veado se vê extinta de Westeros. E analisando o arco do personagem, é difícil negar que Stannis tenha sido um dos grandes destaques deste ano. Desde sua chagada na Muralha, suas interações com Jon Snow e toda armadura de salvador que ele vestiu nos empolgou muito, isso até o sacrifício de sua filha na semana passada, quando não só seus seguidores o abandonaram, mas também nós, como telespectadores, deixamos de torcer pela sua campanha rumo ao trono de ferro. Foi um fim agridoce para ele, que apostou em Melisandre e viu todos os seus planos se desfazerem em poucos momentos. Stannis morreu no momento em que destruiu a sua melhor parte naquela fogueira e o seu trágico personagem chegou ao fim na ponta de uma espada que também bradava pela justiça que ele sempre pregou e venerou. Uma morte justa para aquele que tentou ser o maior dos justos.
E com a vitória dos Boltons quem se viu em maus lençóis foi Sansa. Não havia mais exército que pudesse resgatá-la e só ela mesma podia salvá-la daquela situação. A morte de Myranda e o despertar de Theon enfim puseram um fim a todo o sofrimento passado pela mais velha dos Stark e o salto de fé que os dois deram em busca de salvação das garras do Frodo do Mal foi incrivelmente simbólico. Será que os dois encontrarão a salvação ao fim daquele pulo? E o pior é que Ramsay sobreviveu para mais uma temporada.

Porto Real
Podem falar o que quiser, mas a melhor cena deste final de temporada foi todo o ocorrido com Cersei. Começando com sua confissão ao Pardal, onde Lena Headey fez um trabalho fenomenal e as lágrimas de Cersei mescladas com aquela sobrancelha arqueada que compõe toda a sua arrogância formaram uma combinação um tanto quanto irônica e trágica. Seguiu-se então a caminhada, pois a única maneira de voltar para a Fortaleza Vermelha era atravessando a cidade pelada e sendo vítima do julgamento de toda a população que a despreza. A caminhada da vergonha foi algo incrivelmente perturbador. A leoa foi completamente humilhada e toda a sua pompa foi destruída. Cersei estava no seu inferno. E que bravura a da câmera que mais uma vez escolheu não nos poupar da nudez vexatória da rainha e, diferentemente do que ocorre no seriado, essa foi uma nudez nada gratuita. Ela tinha uma função, nos perturbava, incomodava, engradecia a tragédia da outrora tão poderosa Lannister. Palmas de pé para essa que já é a minha cena favorita do ano.
Olhando com atenção, era perceptível que a atriz usou uma dublê de corpo, mas nem isso tirou o peso do apresentado, e Lena conseguiu a sua chance de ouro para a temporada de prêmios. Todo o arco de degradação de Cersei foi bem favorável para a atriz e ela deve colher frutos por essa impactante cena principalmente. E, ao fim de tudo, eis que surge o FrankenMontanha como novo membro da guarda real e já podemos ter a certeza de que ele será a arma num eventual julgamento por combate da rainha mãe. Apesar de parecer que a sorte virou mais uma vez para a leoa, acho que Cersei nunca se recuperará deste golpe. Sabemos ainda da morte de sua única filha, o que pode piorar o seu estado emocional e isso deve cavar um buraco do qual ela não conseguirá escapar. Daqui pra frente, ela é um novo personagem e me sinto super atraído por essa ideia.

Muralha
O grande choque da noite ficou com a morte do bastardo dos Stark. Jon Snow encontrou o seu fim nas mãos dos próprios companheiros que duvidavam de suas decisões e decidiram sacrificá-lo pelo bem maior da Patrulha. Foi um triste fim para mais um dos justos da história e sua morte já fica icônica junto com as de Ned e Robb, coincidência ou não, todos Stark. Mas e agora? Como as coisas vão daí?
Confesso que acho que a chegada de Melisandre na Muralha não foi à toa e tudo deve caminhar para o retorno de Jão das Neves pelo poder do deus vermelho. Lá na terceira temporada, vimos o sacerdote vermelho Thoros de Myr ressuscitando o seu mestre Beric depois dele ser fatiado pelo Cão de Caça. R’hllor se manifesta dessa maneira por meio de seus sacerdotes e Jon Snow voltará logo ao mundo dos vivos, mas não inteiramente e isso será a parte trágica da história. Após sua sétima ressureição, Beric confessou que, cada vez que ele voltava dos mortos, algo que fazia parte dele se perdia. Então penso que o Jon Snow como conhecíamos realmente morreu no final desta quinta temporada e um novo renascerá pelas mãos de Melisandre ao início dos novos episódios. Como o enredo da série chegou exatamente onde os livros pararam, tudo que nos resta são as especulações e a dúvida sobre se Jon realmente morreu de maneira tão trágica. Será que ele irá voltar a vida e iniciará uma nova existência livre do juramento de Patrulheiro, que se extingue com a morte, focando nas verdadeiras ameaças que assolam Westeros? O inverno chegou, isso já vimos, e Jon deve ser a chama que guiará o reino dos homens. Ou não. Só resta teorizar.

E assim termina a temporada mais balada de “Game of Thrones”. Nunca uma série movimentou tanto as redes sociais e ela acaba de se tornar a maior representante dessa que é uma época de auge nunca antes visto no entretenimento seriado. A série ainda tem fôlego e deve dar muito o que falar nas suas prováveis duas últimas temporadas. É inegável o fenômeno que ela se tornou e a força que possui consegue me fazer escrever essa crítica de uma maneira quase que instantânea madrugada adentro. O inverno de episódios se inicia e acho que esse culminará com uma expectativa gigantesca para a sexta temporada, que deve sair na mesa época do sexto livro de Geroge R.R. Martin. É um futuro que deve cimentar o sucesso de essa que é um série marcante de nossa geração.
Em Tempo de Partidas: Sam, Gilly e o bebê se mandaram da Muralha e partiram para Vilavelha, a cidade do conhecimento, onde os meistres são treinados, pondo Sam no caminho de sucessor de Aemon.
Em Tempo de Dupla Improvável: Agora o par da vez será Daario e Jorah. Qual a expectativa pra ver as aventuras dos dois no resgate de Dany.
Em Tempo de Trapalhadas: Dany tentando mandar em Drogon? Que papelão.
Em Tempo de Frase do Episódio: “Vergonha” – A Freira Gigante e Assustadora.













