Quanto mais nerd, melhor.
Jamais imaginei ver uma teoria complexa de física quântica como a do Gato de Schrödinger sendo tema de um episódio de uma série de comédia (não, eu não vejo Big Bang Theory e não faço ideia se também já citada lá) de forma tão orgânica e competente. Para quem não conhece e ficou perdido por conta disso, a experiência realizada pelo físico Erwin Schrödinger mostrou que partículas radioativas podem existir ou não ao mesmo tempo dentro de uma caixa hermeticamente fechada. Juntamente com estas partículas, o cientista colocou um gato, um frasco de veneno e um contador Geiger, que serve para detectar radiação. Caso este encontre, um mecanismo quebra o frasco e o gato morre, caso contrário, nada acontece. Como as partículas existem e não existem ao mesmo tempo, o gato está morto e vivo simultaneamente. O único problema é que esta experiência, para dar certo, não pode ter o mínimo de interferência (como uma fonte de luz) e, portanto, se alguém abrisse a caixa veria somente um gato vivo ou morto. Não entendeu? Sem problemas. Duvido que até os melhores físicos entendam de verdade…

Inteligível ou não, esta teoria foi extremamente bem aplicada em Binding Arbitration nos dois principais plots, seja de forma direta, no qual Gilfoyle aterroriza Jared com a ideia que ele matou o condor dentro do ovo, simplesmente por questionar se ele ainda estaria vivo e acabou gerando a morte de fato do funcionário do museu (seria este o viral que a Pied Piper estaria buscando?), seja mais discretamente com a descoberta que Richard realmente utilizou os computadores da Hooli para testar seu algoritmo.
O julgamento arbitrário foi um dos momentos mágicos da série para ser visto e revisto e botou um pá de cal na “pataquada” do episódio passado. O não-advogado Ron LaFlamme, que perdeu a licença para advogar por inúmeras irregularidades, como posse de cocaína, anfetamina e nitrito de amilo (que serve para dilatar o ânus), como a maioria dos personagens coadjuvantes deu um show, tanto na análise das evidências, passando pelas contra-argumentações e finalizando com o inusitado ataque a Erlich.

Não fosse a boca grande do destemperado dono da incubadora, a Hooli teria perdido a causa ali mesmo, no entanto, ao entregar que o computador de Richard ficou no conserto por três dias, rapidamente os advogados de Gavin reuniram as provas que precisavam para encurralar o criador do algoritmo a admitir que realmente usou os computadores da corporação para testar seu programa.
O cliffhanger para esta season finale será justamente o veredicto desta arbitragem que deve ser o fator final para uma fusão entre as empresas para viabilizarem o produto (insisto nesta ideia), uma vez que a Hooli jamais conseguirá desenvolver um sistema de “compressão pelo meio” e a Pied Piper perdeu completamente a credibilidade e o investimento, depois da questão pornô. Lendo os comentários do episódio nas redes sociais é fácil entender porque estamos vivendo uma das maiores crises éticas, quando a opinião uníssona é que Richard deveria ter mentido. Lamentável…
E o que dizer do Big Head “melhor pessoa ever”? Ainda que ele tenha se apropriado do protótipo do Nucleus e entregado para Richard, sua ingenuidade genuína é digna de aplausos. Se num primeiro momento, imaginou-se que ele seria somente um bode expiatório abobalhado, neste episódio ele deixa claro que entende exatamente o que está acontecendo e por mais tentador que seja mudar suas diretrizes básicas, ele permanece intocado. Palmas para o Cabeção.
Até a semana que vem para o Season Finale.





















