Special é, correndo o risco de parecer redundante ou um pateta, de fato, especial. A questão da vez não é um mapa codificado ou uma escotilha a ser aberta, é aprender. Aprender a ser pai e aprender a ser filho.
Michael odeia ser pai, mas adora o seu filho. Quando ainda estava com a sua companheira, o que o fazia tão feliz era ser pai por querer, não por dever. Com o tempo, Michael entendeu que não faria parte do seu filho e que nunca viveria a experiência de vê-lo crescer. É completamente natural e compreensível que ele não queira ver o seu filho deixar a sua infância num lugar como a ilha. Michael quer parar no tempo e ainda não percebeu que, seja no mar ou na terra, não pode recuperar os nove anos que perdeu.
O velho Locke fundou a sua própria escola de formação e já possui 2 aprendizes, sem contar o cão. Um líder muito mais competente do que Jack (que graças ao alinhamento planetário não foi o protagonista desta vez), não pela força ou conhecimento, mas pela sabedoria. Além disto, o velho é tão durão que saiu de um acidente de avião melhor do que nunca, com uma cicatriz ameaçadora e andando. Não é para qualquer um. Não é surpresa para ninguém que Walt o admire mais do que a Michael.
Se o percurso que a série trilhará for o que tenho em mente, Walt será a primeira criança independente/forte negra que vejo na televisão popular – The Wire não conta, pois, todo o elenco era negro –. O que será que Brian estava escondendo? Aposto meu dinheiro em Walt sendo um pequeno sociopata. Não só aposto, como também torço. Talvez diminua o meu remorso por querer vê-lo como vítima de violência infantil. Não me julguem, o pirralho esgota-me a paciência.
Charlie, depois da sua metamorfose, tornou-se um lutador. Recusa-se a desistir de Claire, enfrenta Sawyer e talvez tenha encontrado a chave para um grande enigma. Porém, a melhor cena de todo o episódio (e não só a sua) é a em que ele luta consigo mesmo para não ler o diário de Claire. Hilário.
Por que os monstros, ursos polares e as outras criaturas da ilha surgem apenas quando o roteiro sente a necessidade de acrescentar tensão sobrenatural e/ou ameaça física à uma crise pessoal. ‘Um pai e um filho se desentendem? A melhor forma de se acabar com a discussão é… quer saber o que mais? Atirem um urso polar no garoto!’. ABC. Para mim, Lost (até o momento), assim como Game of Thrones, seria muito mais interessante sem os seus elementos fantásticos.
Um dos melhores episódios até agora, a título de construção de personagem. As sequências de ação não me agradam muito, mas são necessárias e não chegam a incomodar. Comovente, dinâmico e eficiente no que se propõe a fazer.
Enquanto isso, no indecifrável epílogo da mente…
(?): Claire estava com o bebê na barriga quando retornou?
(.): Passamos do piloto mais caro da história televisiva para um urso polar feito de isopor. As mudanças em Lost chegam rápido. Mas o visual não deixou de ser ótimo! A transição de Michael caminhando para ir conhecer um filho para salvá-lo ao som da mesma sinfonia de fundo foi maravilhosa.
(!): Muito pouco Sawyer! Muito pouco Sawyer e Kate! Me sinto uma fangirl! Inaceitável! Michael e Sun ficam muito bem juntos. Não como companheiros românticos, mas como amigos. Espero que a relação fique por este terreno.















