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Estava há algum tempo com vontade de re-assistir Firefly, então a idéia do Mateus Borges e o convite do Michel Arouca vieram ao encontro exato do que eu queria. Vou seguir a ordem de exibição pretendida pelo mestre Joss Whedon e presente nos DVDs oficiais da série que, infelizmente, não foram lançados no Brasil.
Spoilers abaixo!
O ano é 2517 e o episódio piloto se inicia em um flashback de 2511 com o fim da guerra entre a Aliança e os Independentes (ou “casacos marrons”), a guerra civil em que Mal (Nathan Fillion) e Zoe (Gina Torres) lutaram do lado perdedor. Mal parece ter nascido para isso. Feroz e estrategista nato, fica claro o prazer que tinha ao lutar e a angústia que sente ao ser obrigado a se render. Zoe é sua mais fiel seguidora e o trata com o maior dos respeitos, mesmo após a guerra.
Num estilo meio faroeste espacial, prosseguimos com Mal e Zoe acompanhados por Jayne (Adam Baldwin) durante o roubo de mercadorias num tipo de estação espacial abandonada. Outro personagem que aparece nesse momento é o marido de Zoe, Walsh (Alan Tudyk) – piloto da Serenity (nave espacial da classe Firefly). É engraçado como o Adam Baldwin sempre faz o “bom de briga rabugento”, mas aqui ele está impecável. Ele deixa bem claro que busca sempre os próprios interesses e que, por um bom preço entregaria a cabeça de seu amigo Mal de bandeja.
Sempre fugindo da Aliança, a tripulação de Serenity usa de todo e qualquer artifício para conseguirem escapar. Dessa vez usaram um falso pedido de socorro para a Aliança, que optou por um resgate à perseguição de nossa querida nave. Ali temos um relance na mecânica da nave, Kaylee (Jewel Staite). Mais tarde vemos que é uma menina doce, meiga e um tanto inocente, mas uma coisa é certa: Serenity é sua filha.
Mais uma tripulante nos é apresentada, dessa vez de forma picante. Morena Baccarin interpreta Inara, uma acompanhante (se é que me entende) de luxo (ou não) que, por incrível que pareça, é a única a ter um emprego regularizado pela Aliança, na nave. A tensão sexual entre Inara e Mal fica clara durante o episódio, apesar da troca de farpas. Morena está estonteante, aliás.
Chegamos a Persephone e nos deparamos com um mundo completamente influenciado pela cultura oriental. Língua, roupa, comida… tudo minimamente pensado para deixar claro que as regras são ditadas pelo império EUA-China. A negociação com Badger não da nada certo e, além de ser humilhado, Mal tem que se virar para conseguir vender a mercadoria roubada. As tiradas, piadas internas e comentários sobre personagens que ainda nem conhecemos são atrativos a parte.
Afim de conseguir alguns trocados, Serenity é aberta para transporte de passageiros. São eles: Derrial Book (Ron Glass), um pastor bom no combate corpo a corpo (como veríamos mais pra frente), Dr. Simon Tam (Sean Maher ), brilhante cirurgião que, desde o primeiro contato, não se deu muito bem com Mal e Lawrence Dobson (Carlos Jacott), agente federal disfarçado.
A caminho de Whitefall é bem interessante ver a interação entre os personagens, em especial as do pastor com a prostituta e da mecânica com o médico. Enquanto os dois primeiros pisam em ovos, ovos são jogados na cara dos dois segundos quando Jayne anuncia a todos a queda que Kaylee parece ter por Simon. Foi bom ver também que, por mais bruto e por mais que não concordasse com Mal, Jayne acata suas ordens no fim do dia.
Um contato com a Aliança, um soco errado, muita discussão, um tiro e um soco certo. Em um minuto o trajeto de Serenity foi comprometido por Lawrence, Kaylee leva um tiro no estômago e o pastor neutraliza o atirador com um soco na garganta. Fora o Mal percebendo que o federal não queria capturá-lo, foi hilário. Me diz se tem como não amar essa série?
Após Kaylee ser estabilizada por Simon, chegamos à cena que, como diria meu amigo Anderson Vidoni, já nasce clássica: A ótima aparição de River (Summer Glau), irmã de Simon, que estava trancada e dopada numa espécie de câmara de preservação em forma de mala gigante. O medo nos olhos da personagem são comoventes e aterrorizantes, num show de interpretação de Glau. Conhecemos um pouco da história dos dois irmãos e, pela primeira vez, consigo me afeiçoar pelo arrogante doutor.
A tensão volta a crescer quando uma nave de Reavers passa por Serenity. Zoe consegue nos dar a melhor visão sobre esse grupo de humanos canibais ao amedrontar o doutor com a mais pura verdade. Por sorte, eles passam direto, mas o alívio imediato dura apenas algumas horas.
O hoax da morte da Keylee é algo que não me canso de ver. Juro que, ao ver o episódio pela primeira vez, realmente acreditei no Mal e sua voz embargada. A música triste e o Simon correndo em câmera lenta também ajudaram, devo dizer. Claro que tudo terminou com muita risada e um tchauzinho da Kaylee.
O encontro e negociação com a Patience não poderia exemplificar melhor o que a série veio trazer. Uma gangue de cowboys que comandam um planeta! É disso que eu to falando. Depois de uma negociação que, mais uma vez, não daria muito certo para o Mal, Jayne começa o tiroteio que mostra como os nossos renegados heróis conseguem sobreviver nesse universo tenebroso.
Lawrence consegue se libertar e raptar a River. A breve luta entre ele e Simon é boa, mas nada poderia ser melhor do que o Mal chegando e resolvendo toda a situação com um tiro certeiro. Claro que ainda teríamos que lidar com os Reavers novamente, mas foi gratificante ver a forma ousada e bem produzida que foi o “Ivan”, dando uma “ré” e explodindo tudo o que ficou para trás.
Por fim, fica claro que Serenity teve o acréscimo permanente de três novos tripulantes. Se eles vão ajudar ou atrapalhar os planos de Mal, teremos que continuar vendo essa que é uma das melhores séries de todos os tempos! Vejo vocês semana que vem, certo?
- Nesse ponto gostaria de enfatizar o capricho de produção, cenário e efeitos visuais: Se 8 anos depois temos a nave da série V que causa vergonha alheia até nos meus pais, fico orgulhoso em ver a qualidade com que Serenity foi feita. Não só isso, toda a seqüência inicial da guerra foi feita de forma brilhante, além de todo o resto que já foi falado no review.
- A abertura da série é sensacional e conta com a música “The Ballad of Serenity“, escrita pelo próprio Joss Whedon e cantada por Sonny Rhodes. Aliás, toda a trilha sonora da série é maravilhosa e foi lançada num CD de nome Varèse Sarabande – estilo Western com um influências chinesas, fundamental para entender o background de Firefly.













