Aquele episódio que tinha tudo para ser bom, mas não foi.

Rogue air apareceu para desfazer muito do trabalho do Corredor Escarlate e seus amigos, libertando vários meta-humanos e abrindo espaço para que o Flash sinta na pele, toda a culpa por ter confiado em um vilão do calibre do Snart. Muito mais do que isso, o episódio que carregou os aspectos mais fortes das histórias em quadrinhos, terminou por mostrar que ser uma cópia carbono não é interessante e passa longe de todo o potencial que continua sendo desprezado, semanalmente. Os roteiristas da série precisam encontrar um ponto de equilíbrio rapidamente, ou então nem mesmo as dezenas de easter eggs, referências ao Lanterna Verde e personagens saídos dos quadrinhos, conseguirão salvar da inconsistência, um texto sem espaço para crescer.

Era mesmo necessário que o Arqueiro e o Nuclear aparecessem para ajudar o Barry a capturar o Reverso? Sim, era. Foi interessante? É. Poderia ter sido melhor? Com certeza. Limitar a batalha para os dois minutos finais do episódio foi o oposto de tudo o que eu imaginei para o confronto entre os quatro personagens. O que me faz questionar e muito a capacidade dos roteiristas em desenvolver um bom arco fechado, sem que haja a necessidade de incluir nas últimas cenas os aspectos do plot central. Uma luta totalmente confusa, sem o apelo que deveria ter, afinal, já esgotou o recurso da participação especial de tal forma, que a adrenalina em ver os primos Amell só vem por saber que os dois atores são primos, não pela cena em si, que foi fraca. Pelo menos agora sabemos que o arqueiro tem uma forma mais eficaz de imobilizar um velocista, cadê Guerra Civil da DC Comics?

O que estamos vendo é a mesma tática de marketing utilizada na divulgação de The Flash. Lembram quando a série era exibida com um episódio inédito logo após Arrow? O que a DC/CW decidiu é agressivamente inserir personagens e a trama que justificará a saída de vários outros, como o próprio Capitão Frio. Entretanto, estão fazendo com que The Flash (a maior audiência do canal) pague o pato criativamente. O emaranhado de participações especiais está minando o crescimento da série, nos privando de acompanhar o desenvolvimento de Caitlin, que ficou restrita a fazer bicos e caras para o Cisco por quarenta minutos, logo depois de ser resgatada pela Iris, como se isso não fosse castigo suficiente.

Uma decisão precisa ser feita, uma que a crescente audiência da série encobrirá por muito tempo. Existem coisas que dão certo sozinhas e outras que precisam de um acompanhamento. Rogue air centralizado nos meta-humanos é o tipo de episódio que precisa ser isolado, assim como o Grodd Lives. Colocá-lo uma semana antes do final da temporada e só entregar o confronto com o vilão nos últimos minutos, é algo que tira a validade de todo o episódio. Ao colocar a cena mais marcante no final, você acaba desprezando tudo o que aconteceu antes. Então tá, os bandidos fugiram, mas eu quero mesmo é ver como vai ser a luta entre o Barry e o Wells. É assim que funciona, transformando tudo em meh. Você vai querer comentar sobre qual dos dois segmentos, o do caminhão, ou o da luta? Se a sua opção for a segunda, então você entende que o direcionamento está errado.

Neste momento deveríamos estar testemunhando o crescimento final do Barry Allen, mas a série decidiu que agora o destaque seria um problema que eu pensei já termos resolvido antes. O questionamento do Barry em trabalhar com o bandido, por um motivo justo, não deveria ter sido levantado, afinal, ele precisou aceitar conselhos do próprio Wells, que foi muito mais competente. E quem o aconselhou a fazê-lo por quanto tempo fosse necessário? O próprio Joe, que se recusou a compreender o panorama geral, como ele já havia feito antes. Então, a preocupação em confiar em um cara que você já está confiando sua identidade secreta há alguns meses, se tornou chover no molhado, aglomerando mais uma cena de diálogo entre Barry e Joe que, de novo, foi ofuscada pelo embate final.

E o que dizer da Iris? Que antes me estressava completamente, agora só me estressa um pouco. Descobrir a identidade do Barry foi importante para a personagem, que agora começa a apresentar traços de melhora em sua personalidade. Descobrir que se casou com Barry no futuro se provou um pouco amargo, até mesmo para os padrões do casal problema que a CW tanto gosta de perpetuar. Confessar que ama Eddie, que pouco se importa com o que vai acontecer e que ela controla o próprio destino é bem conflituoso e só deixa a personagem em um status pouco favorável. Todo mundo se lembra que ela, enquanto apaixonada pelo Eddie, confessou seu amor por Barry sem pensar duas vezes, já que era um sentimento que ela nutria/percebeu ter quando o detetive forense entrou em coma. Então, tudo soa muito como uma menina que não quer abrir mão, algo que os roteiristas fazem inconscientemente (creio eu) e que coopera para que existam tantos apartidários da personagem.

Rogue Air acerta em alguns aspectos, mas falha muito em todo o resto. É um episódio que invoca os quadrinhos clássicos do corredor, de um jeito que apenas uma edição especial recheada de participações poderia fazer. Entretanto, ao tratar a trama gigante em um episódio de tamanho comum, muito ficou abarrotado e no final, atrapalhou a condução daquele que deveria ser o primeiro trovão antes da tempestade. No final, foi só uma chuva rápida.

Easter eggs e outras informações

– A cronologia da série (crossover) já está ficando confusa, pelo menos para mim. Na semana anterior assistimos ao casamento do Oliver com a filha do demônio. Neste, vimos o Arqueiro surgindo como se nada tivesse acontecido e no próximo veremos o Barry ajudando o pessoal de Starling em Nanda Parbat. Então eu perdi alguma coisa, ou está tudo zoado mesmo? Se estiver, me preocupa imaginar uma nova série ambientada no mesmo universo.

– Eddie traumatizado com todo o azul no interior do reator do Star Labs pode ser um indicativo de Cobalt Blue, o vilão Thawne que atende pelo nome de Malcolm.

– Lian Yu e Nanda Parbat são locais que foram desenvolvidos em Arrow, na segunda e terceira temporadas, respectivamente,

– Muitas piadas a respeito de gelo, coisa do Sr. Frio, digo, Capitão Frio.

– Mais uma menção ao Lanterna Verde, Hal Jordan. Ele é o piloto desaparecido da Ferris Air.

– Fantasia que sai do anel é algo comum nas HQs, então, fica aí o aceno para a nona arte

– Estamos cada vez mais próximos da Liga da Justiça, com Canário Negra, a Branca, Nuclear, Arqueiro Verde, Mulher Gavião e Átomo.

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