São episódios como The Trap que mostram todo o potencial de The Flash.
E é exatamente por existirem episódios como The Trap, que eu não consigo compreender a função de um Who is Harrison Wells, por exemplo. The Flash demonstra uma capacidade gigantesca para desenvolver bem a sua história, mas apenas quando se desprende do lado procedural. Até mesmo o aspecto romântico e os dramas pessoais dos coadjuvantes passam a ser mais interessantes quando o foco não é apenas mais um vilão avulso, que com certeza morrerá, ou será preso até a metade do episódio. Quando mergulha na mitologia, nos embebe em menções sobre o futuro, a rivalidade entre Barry e Eobard, a série se torna interessante. Uma boa história consegue suavizar qualquer deslize.
E foi engraçado ver como a história foi, de fato, boa e o episódio competente, quando analisamos que tudo isso se deu pelo fato dos nossos protagonistas serem menos inteligentes que o vilão. Seria incrível se Barry e os amigos conseguissem prender o Reverso? Sim, mas não seria condizente com tudo o que já aprendemos a respeito do falso doutor Wells. E toda a dinâmica apresentada me lembrou, e muito da série no começo da temporada, com seu ritmo mais rápido e momentos satisfatórios. Mas o ritmo aqui só veio porque já estamos bem próximos do final da temporada, que virá com o episódio 23.
Sou um fã declarado de ficção cientifica e momentos que dedicam explicações para a viagem no tempo sempre me fascinam. Não foi diferente com The Trap. Aprendemos que a crise que fez o Flash desaparecer foi seu embate com o Reverso, que Barry não é apenas um especialista CSI no futuro, que Iris é sua esposa e que Gideon é sua criação. E como o jornal permanece com o nome ‘Iris West-Allen’, o futuro permanece com o som de sinos de casamento e chuva de arroz para os dois. Entretanto, foram as constatações do Cisco que mais uma vez me divertiram imensamente. As conexões com ‘De Volta para o Futuro’, sua preocupação, a descoberta e os momentos finais renovaram minha fé para com a série.
Toda a cena com o sonho foi apenas para colocar todos os personagens na mesma página. Joe, Barry, Cisco e Caitlin agora têm todas as provas que precisavam para acreditar, sem margem de duvidas, que Harrison Wells não é Harrison Wells e que Eobard Thawne é o flash Reverso. E a revelação de que todos estavam sendo espionados, desde o começo? O momento serviu para dar mais profundidade e frieza para Eobard, que conseguiu manter a calma e foi bem mais eficaz que Barry na hora de esconder seus sentimentos e intenções. Isso sem mencionar o sentido que as cenas com Wells aparentando desconfiança ganharam.
E o caminho tortuoso do Eddie começa a se desenrolar. Com a descoberta da Iris, a proposta de casamento que não saiu do papel, a revelação de que o Reverso é um descendente dos Thawne, tudo é uma apresentação feita pela série para justificar que é apenas uma questão de tempo até que a raiva pelo Corredor Escarlate se transforme na herança da família Thawne. Ainda mais quando o Eddie pensa que tudo era sobre ele, o mesmo comportamento incomodado que ele demonstrou quando o Flash prendeu vários bandidos e desmoralizou um pouco do seu trabalho como detetive. Ciúmes, mágoa, egoísmo, a fórmula perfeita para criar um antagonista.
Tudo indica que o relacionamento entre Iris e Barry só não desenvolveu por causa das interferências do Reverso na linha do tempo. Ao acelerar o processo de explosão do reator, Eobard gerou algumas diferenças entre o Flash do futuro e o do passado. Sendo assim, o relacionamento que teria nascido entre os dois, deu espaço para que Iris conhecesse o detetive bonitão e acabasse criando um relacionamento entre os dois.
Agora pensem bem, Eobard é ou não o melhor vilão que já apareceu em The Flash? Nos quadrinhos o Reverso e o Flash seguem uma história um pouco diferente, onde o Reverso é o completo oposto, a energia contrária a do Flash. Todas as vezes que Barry usa os poderes da força do tempo, Eobard fica mais forte. Ainda não tivemos nenhuma menção a ‘Speed force’, porém fica bem evidente que é o desejo do Reverso ao desenvolver novas habilidades para o Flash. Um Corredor Escarlate mais rápido é a única forma de Eobard voltar para seu tempo, o método a ser utilizado permanece um mistério, mas eu gostaria muito que utilizassem a mesma resposta das HQ’s e criassem a força da velocidade, algo que abriria as portas para o surgimento da família Flash e vários outros velocistas.
Vou dedicar alguns parágrafos para falar um pouco de um ponto que me incomodou e muito em alguns comentários da review anterior. O fator Iris West. Infelizmente tive que ler e quase arranquei meus olhos no processo, algumas pessoas afirmando que o ódio e desprezo para com a Iris se davam pelo fato da atriz ser negra. Sim, você não leu errado e não, eu não estava alucinando os eventos de outra linha temporal. É irritante e bem desrespeitoso precisar explicar que a raça da atriz, a cor da sua pele, não tem relação nenhuma com o desgosto que os telespectadores desenvolveram para com a personagem. Atuação, direcionamento de personagem, química, estes são os fatores que demonstram se uma personagem será amada, ou detestada. Eu já havia pontuado antes, que o grande problema de The Flash foi criar um amor predestinado como tema central, assim como ela fez novamente neste episódio ao mostrar o temível Iris West-Allen. Foi criada a necessidade de aproximar Iris do personagem principal, o herói Barry Allen. Porém, não tentaram em momento algum, transformá-la em alguém que nós iremos torcer a favor.
Pouco, ou quase nenhum aprofundamento foi direcionado para Iris. Sempre a vemos como uma transição entre os bons momentos da série e os nem tão interessantes. Em uma cena Flash está interagindo com vilões, com a equipe do laboratório, tentando salvar a cidade, no outro somos forçados a ver Iris reclamando, criando situações desconfortáveis. Como vamos gostar de uma personagem que é responsável por quebrar o ritmo do episódio de uma forma negativa? É complicado quando os próprios roteiristas não conseguem criar uma boa história para a Iris, tornando-a infantil, inconsistente e chata. E é então que explicamos o real motivo para a existência de apoiadores de Clark e Chloe, Oliver e Felicity e por último, Barry e Caitlin. Se você prestar bastante atenção, vai notar que todo mundo prefere o herói com a “amiga inteligente”, porque é ela quem recebe mais tempo em tela do que a mocinha.
É a amiga inteligente quem tem as sacadas, as piadas ácidas, os momentos engraçados. Ao passo que a romântica predestinação do herói está presa aos dramas adolescentes (mesmo quando adulta), as falas morosas, as reclamações e atitudes imbecis. Em momento algum eu li alguém reclamando da Iris por ela ser, nos quadrinhos, branca. Não é raça. É pelo mesmo motivo que detestamos Lana, Laurel, Elena e várias outras personagens das séries da CW. Por exemplo, foi com o aprofundamento da Laurel, com uma história própria e atitude mais ativa, que ela está conseguindo limpar sua imagem. Enquanto operava nos bastidores, como coadjuvante dos coadjuvantes, o coro era um só: Não gostamos dela, matem a Laurel. E olha que em Arrow a coisa foi mais pesada ainda, porque existia desde o começo da série a chance da personagem se tornar a Canário Negro, mas afundaram tanto a história da moça, que no fim ninguém se importava mais. Então não, não gostar da Iris não tem relação nenhuma com raça, cogitar isso já é um absurdo e espero, sinceramente, que essa história tenha encontrado um fim nos mais de trinta comentários sobre.
O artifício utilizado na série para que Iris descobrisse quem é o Flash, é outro daqueles momentos que demonstram a falta de cuidado na hora de criar a relação entre os dois. Eletricidade estática não é prova de nada, não importa quantas vezes ela sentiu isso, pode ser um alerta, o inicio de uma suspeita, mas não é prova definitiva. Coloco novamente nas mãos dos redatores, que deverão entregar uma justificativa plausível para que Iris descubra a identidade nem tão secreta do Barry. E é bem simples, na verdade. É só colocar qualquer um dos não sei quantos bandidos que já passaram pela série e que sabem da identidade do Barry, para que seja revelado, ou para que a suspeita se torne cada vez mais forte. Talvez incorporar Iris a equipe seja o fator decisivo para que a personagem se torne mais interessante. Lembrem-se, Iris é a Lois Lane do Flash, não faz sentido negligenciarem a personagem de tal forma.
Concluindo, The Flash apresentou um ótimo episódio, que demonstrou todos os aspectos positivos da série, sem deixar tudo cair na banalidade. Próximo episódio será centralizado no Grodd, o que pode se provar um verdadeiro tiro no pé, especialmente se decidirem riscar o gorila da série, algo inaceitável. Entretanto, como Reverso e Grodd tem uma espécie de conexão, será mais um daqueles momentos em que a inteligência do vilão sobrepõe a dos mocinhos. E nada melhor do que dois icônicos antagonistas do Flash para iniciarmos os trabalhos de final de temporada.
Easter eggs e outras informações
– Quando comenta a ineficácia da policia no passado e no futuro, Eobard está fazendo uma menção a seu irmão, um policial que começa a questionar as experiências ilegais desenvolvidas por Eobard. Uma versão futura do Reverso volta no tempo e elimina o irmão, assim Eobard é criado como filho único e tem todo o espaço necessário para se tornar o cientista e vilão Flash Reverso.

– Já foi anunciada a criação da série spin-off de Flash e Arrow, com o Átomo e Hawkgirl, eu só não imaginei que a CW fosse colocar tanta fé assim na produção e utilizar o nome dos heróis para uma menção no jornal do futuro, como vocês podem ver na imagem. Resta saber se elas sobreviverão por tanto tempo, Smallville ficou dez anos.
– Também é possível ver que no futuro, Oliver Queen será chamado de Arqueiro Verde e não apenas ‘O Arqueiro’.
– Na primeira versão do jornal, o autor da noticia era Evan Gibson.
– Flash foi mencionado pela Gideon como membro fundador, para quem não sabe, ele faz parte da equipe responsável por fundar a Liga da Jusitiça.
– Cofre do tempo é uma menção a uma das cartas de Magic: The Gathering.
– No hospital, enquanto Joe está ao lado do Barry, é possível ver o ataque a Starling City, pelas mãos do Deathstroke.
– O óculos utilizado por Cisco na cena do sonho lúcido é bem similar ao que ele usa nos quadrinhos, quando adota a alcunha de Vibro.
– Já Barry utiliza óculos que se parecem muito com a versão utilizada pelo Capitão Frio.















