Conhecendo um pouco mais sobre Ray!
Para começar a review preciso dizer que gostei da ideia de trabalhar um caso de stalker com um jornalista. O trabalho do jornalista que apresenta um jornal diário na televisão é, além de relatar notícias importantes, fazer parte da vida de cada pessoa que assiste o programa. O estilo do programa jornalístico em que o profissional fala diretamente para a câmera, ou para o espectador, faz com que o programa seja necessariamente mais pessoal do que um seriado em que os personagens relatam uma vida paralela a vida real. Portanto, a premissa do episódio foi muito válida e gostei da maneira como a trama foi desenvolvida.
The News foi um episódio que conseguiu ser mais bem sucedido em suas reviravoltas ao fazer com que toda a investigação mudasse o foco do jornalista John para o então suspeito Keith. Além disso, ainda vimos os detetives trabalharem com outras possibilidades, como sua colega de trabalho com quem se envolveu e também um stalker antigo que havia sido condenado e há pouco tempo tinha sido posto em liberdade.
No entanto, apesar de ter gostado da premissa e da maneira como o roteiro foi caminhando até a revelação final, o episódio inteiro me soou meio morno, não achei que a maneira como a história foi retratada conseguiu com muito sucesso manter a minha atenção mesmo com tantos pontos positivos. Mais uma vez os melhores momentos foram as cenas iniciais, que conseguiram ser instigantes, interessantes e já mostravam uma novidade da narrativa também, que buscou um novo caminho para trabalhar sua história.
John também foi um personagem bem trabalhado e em pouco tempo foi possível entender o quanto o caso de Sam, seu antigo Stalker, havia prejudicado sua vida pessoal e o quanto ele estava preocupado com os novos acontecimentos. Mas, logo no primeiro momento que vemos sua namorada Lauren aparecer alguma coisa já parecia muito errada. Em apenas um mês de relacionamento ela já estava preparada para arriscar sua vida ao ficar na casa junto com ele? Exatamente por isso que comecei a suspeitar da personagem. Porém, a reviravolta foi realmente o fato de sua obsessão não ser por John e sim por Keith.
Além do caso da semana, vimos em The News o primeiro diálogo entre Perry e Ray. O ator escolhido também não me convenceu muito, mas a atmosfera criada em torno do personagem foi muito bem desenvolvida. Desde o início, Perry não era muito convincente como o principal stalker da temporada, e apesar de ter provado o nível do estrago que ele poderia causar na vida de Beth e das pessoas próximas à ela, a raiz do problema de Beth e a razão dela ser tão afetada por Perry é Ray. E a cena dos dois conversando no manicômio demonstra muito bem essa diferença. Ray parece mais instável, mais sinistro e também mais perigoso.
Mais uma vez o seriado vem trabalhando a vida de Beth com muita cautela. Apesar de
Ray ter contado um pouco mais sobre o incêndio que matou a família da detetive, suas poucas palavras trazem muito mais perguntas do que respostas. Ray fala que incendiou a casa para salvar a família de Beth e fazê-la voltar para ele. A formulação da frase, dando a entender que ele e Beth estavam envolvidos, pode ser apenas a maneira de uma mente perturbada interpretar uma situação, mas definitivamente nos deixa pensando o que tudo realmente significa.
A conversa entre Beth e Ray ao telefone no final do episódio também foi extremamente pontual e cumpriu muito bem o objetivo de nos mostrar o quanto Beth ainda teme seu passado. Porém, a conversa não serviu apenas para isso, mas também para provar à Beth que ela não está sozinha, que mesmo sem sua família ela conseguiu construir uma nova família na TAU, com pessoas que estão dispostas a fazer o que for preciso para ajudá-la a passar por esse momento complicado. A cena final do episódio foi ótima para entendermos melhor o quanto a personagem se sente sozinha e quanto essa pequena demonstração de carinho significou tanto para ela.
E, apenas um parênteses final que nada tem a ver com Stalker, essa cena e o que ela significou me lembrou muito de Nikita e do caminho percorrido pela personagem ao longo das quatro temporadas em que o seriado ficou no ar.
P.S – Gostei muito da decisão do roteiro de não demorar muito para incluir Ben m tudo o que estava acontecendo. Como o personagem era o único que não sabia o que estava acontecendo e acabou ficando por fora de uma série de conversas entre Beth, Janice e Jack, fiquei com receio disso criar tensão na equipe.
1×14: My Hero

The Originals encontra Stalker.
Após a presença ilustre de Naomi Clarke de 90210 agora tivemos um episódio com Haley, a lobisomen/vampira de The Originals. O que será que Klaus e Elijah, os vampiros originais do seriado, acharam de descobrir que a personagem estava planejando se casar e viver como salva-vidas em Los Angeles, e não em New Orleans com a sua “família”? Aposto que os dois iam se juntar à Zoe e perseguir Nicole! (Ou tomar medidas mais radicais…)
Mas, brincadeiras à parte, My Hero nos trouxe mais sobre a dinâmica dos personagens agora que todos sabem sobre o passado de Beth e, principalmente, o desenvolvimento da trama de Jack, Amanda e Ethan. Aqui, o roteiro ainda trouxe à tona mais um elemento que estava um pouco apagado: Trent. Com Jack de volta à vida de Ethan o confronto entre os dois era esperado e necessário.
Tanto Jack quanto Trent são personagens de personalidade forte e colocar esse conflito em paralelo com os dois trabalhando juntos foi uma ótima jogada do roteiro e gostei muito de como trabalharam essa dinâmica entre os dois. Desde que Amanda viu Jack pela primeira vez foi possível perceber que a história entre os dois estava longe de terminar e cada vez ficava mais claro que apesar de tudo o que ela passou nas mãos do personagem ela estava disposta a dar uma chance para ele, e não apenas em relação a Ethan. My Hero veio para comprovar esse sentimento de história inacabada entre os dois, deixando bem claro, no rompimento do relacionamento com Trent, que Amanda ainda sente alguma coisa por Jack.
E, por outro lado, vemos Jack seguindo um caminho mais na direção da amizade e de uma construção de relação com o seu filho. Não sei muito bem como o roteiro vai trabalhar essa questão, mas no final senti a intenção do roteiro de criar um certo clima entre Jack e Beth através da expressão no rosto da detetive. Acredito que o maior objetivo não é trabalhar a vida amorosa entre eles, mas parece que existe uma busca por deixar um caminho aberto para caso desejem explorar essa possibilidade mais pra frente.
Fora isso, agora fica claro que vamos ter uma certa pausa na história de Perry e Ray. O que é outro acerto, já que a antecipação sobre o que vai acontecer no confronto entre eles e Beth continua sendo o ponto principal de Stalker e seu maior recurso para deixar os espectadores interessados. Por outro lado, quanto mais demoramos para receber novas informações, mais o seriado terá que se esforçar para criar uma boa história para fazer valer nossa curiosidade.
Mas, vamos ao caso da semana! Stalker mais uma vez está de parabéns pelas cenas iniciais. Ver a clara mudança de narrativa entre o casal apaixonado e o casal que estava sendo perseguido foi muito interessante e bem feita. Além disso, esse episódio soube trabalhar melhor as nuances da investigação policial, que acabou se questionando sobre assuntos que já pareciam encerrados anteriormente, como a suspeita do ex-namorado de Nicole.
My Hero surpreendeu também por ter matado Dave, noivo de Nicole. Eu não esperava que um dos dois fosse morrer e gostei que o seriado ousou fazer isso, principalmente em função da maneira como aconteceu. Se eu não esperava pela morte de Dave, esperava muito menos que ela aconteceria com o personagem pegando fogo na areia da praia. Mais pontos para Stalker por ter arriscado uma cena como essa!
O homicídio foi o link para que Trent e Jack trabalhassem juntos, e a investigação policial também foi bem desenvolvida, nos apresentando diferentes suspeitos e motivos, mas todos plausíveis e não claramente descartáveis como costumamos ver. A cada passo da investigação uma nova possibilidade surgia, como aconteceu com a picape vermelha pertencente à mãe de um menino que morreu enquanto Nicole era responsável pela torre salva –vidas. E é exatamente na investigação policial que Stalker costuma perder para outros seriados.
O roteiro da série não costuma trabalhar com elos investigativos tão bem como costumo ver em seriados como CSI, Law and Order SVU e Criminal Minds, por exemplo. Sei que a proposta é diferente, mas acredito que seja necessário desenvolver melhor esse lado investigativo para não ficarmos com tramas óbvias e caminhos investigativos repetitivos. E My Hero avança um pouco nessa direção ao mostrar Jack questionando o ex-namorado de Nicole sobre o porquê de seu ferimento estar no seu rosto se ele foi atacado por trás, ou também quando ele concorda que achar o isqueiro havia sido fácil demais de encontrar. Ao mesmo tempo que foi bom ver Amanda dizendo que haviam poucas evidências para uma convicção e eles tinham que encontrar mais. Além de uma investigação mais interessante de assistir, o trabalho em equipe também é necessário.
A finalização do caso, com Zoe sendo a stalker, foi interessante, gostei de como os detetives chegaram à essa conclusão, que já vinha se tornando um pouco óbvia a partir do momento que Zoe aparece cuidando de Nicole em sua casa. Stalker vem trabalhando seus episódios para momentos finais marcantes também. Normalmente em meia hora de episódio os detetives resolvem o caso e os últimos dez minutos são para mostrar cenas de tensão e o trabalho dos detetives de conseguir salvar a vítima antes de o stalker ser bem sucedido. Um formato interessante de ser explorado, mas que o roteiro não pode deixar virar uma fórmula como já fez anteriormente com outros traços de sua história.






















