Isso não é o fim. Isso não é nem o começo do fim. Mas talvez este seja o fim do começo”

– W. Churchill

O sólido drama da FX volta para sua temporada decisiva repleto de referências aos ciclos anteriores e disposto a mostrar que haverá um ponto final para importantes personagens de Harlan. Conseguimos notar os primeiros rabiscos do quadro principal da temporada que se resume ao embate entre Raylan e Boyd. A ânsia por uma obra-prima toma conta do telespectador que sentiu a evolução dos protagonistas, assim como seus meios e fins, durante 65 episódios. Os conflitos éticos, a emoção que inebria e a segurança da intocabilidade torna Givens e Crowder semelhantes e, ao mesmo tempo incomparáveis.

As mudanças que aconteceram na vida dos moradores dessa cidade fantasma ditarão as regras do jogo neste encerramento. Aqui tivemos uma despedida de um personagem bem peculiar, mas sabemos que baixas mais agridoces virão. Minha visão otimista diz que todos sofrerão injúrias, no entanto, ao menos um par de pessoas importantes para Raylan passarão pela necropsia.

Esta temporada começou mais solta, bem diferente da quinta temporada que estava limitada à força influente de Boyd, que acabou enfraquecendo o papel de Raylan dentro da série. Outro fator positivo para este ciclo final é a saída de Ava da prisão e o seu novo papel de informante dos federais. Aliás, como é bom vê-la fora da prisão. Não aguentava mais ver uma personagem tão intensa como Ava, sendo anulada por uma temporada. Ava está ansiosa e insegura como nunca vimos antes e o diálogo na ponte entre Ava e Raylan foi perfeito em seu equilíbrio dramático. A interpretação de Timothy e Joelle me deixaram de boca aberta. Uma conversa esclarecedora sobre essa parceria inesperada e cheia de lembranças do início da série.

Dewey “Goddamn” Crowe é o nome dessa première. O cara é o inconveniente que acaba agradando ao telespectador em suas conclusões absurdas e atitudes inesperadas. Com o decorrer de 5 temporadas, nos acostumamos com a sua burrice ingenuidade e até desejávamos um futuro diferente para o personagem, mas os produtores queriam uma morte importante nessa estreia, por isso a justificativa simplória de sua saída da prisão.

O personagem conseguiu ser um desagradável carismático, sem papas na língua, que construiu um tom mais leve ao episódio. Impagável ver Raylan batendo a sua cara no volante novamente. O motivo da morte foi bem justificado, afinal a confiança não mais existia. Ao ouvir o som da palavra “México” a decisão já estava tomada e era o momento de Boyd usar de sua persuasão e acabar com a visita inesperada. Fim solene e triste para um personagem que estava presente desde o início.

Boyd está em forma e mesmo após o sumiço de Cyrus, decide agir. A fantástica cena do roubo a banco também nos traz boas recordações e a sua dinâmica foi bem montada. Os papéis naquela gaveta não agradaram a gangue, mas Katherine tem algum plano em relação aos documentos importantes do cofre. Imagino que o roubo pode ter uma ligação com o comprador misterioso sutilmente apresentado a Raylan e Tim. Tenho que citar a brilhante frase de Thomas Jefferson: “Os bancos são mais perigosos para a nossa liberdade do que as forças armadas”.

A vontade de se libertar de Kentucky traz de volta o Raylan que atirou em Tommy Bucks e a cena inicial no México foi a melhor maneira de começar o show. Não tenho ideia de como terminará a jornada adaptada da obra de Elmore Leonard, afinal a série se desenha de acordo com o desenvolvimento dos personagens e a conexão dos atores. Pelo visto, as nossas expectativas aumentaram depois de um recomeço completo, tenso e com diálogos construídos magistralmente. Esse foi o fim do começo de uma grande série e nos próximos 3 meses veremos o que o futuro reserva aos intocáveis caipiras de Harlan.

Halt! U.S. Marshalls!”

– Raylan Givens

Unjustified

– Rachel está segura na mesa de Art, mandou bem como interina;

– Boyd quer sair de Kentucky. Campanha #VemproBrasilBoyd;

– Quarles podia fazer uma visita a Raylan;

– Espero ver Loreta para sua última aparição;

– Wynn Duffy continua a ser o fixo mais dispensável da série, tanto que nem vimos a sua sobrancelha estranha na première.

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