Quinn se importa. 

Não é novidade pra ninguém que hoje em dia as séries estão dividindo suas temporadas em atos bem específicos. Um grande exemplo disso é Once Upon a Time, que do terceiro ano pra cá começou a marcar tão notoriamente suas temporadas múltiplas, que agora elas funcionam como duas numa só. Uma storyline até o hiato e outra quase totalmente independente no retorno. Mas, Once Upon a Time tem 22 episódios por temporada… Homeland, mesmo com apenas 13, conseguiu o feito de apresentar três atos. Indo pro derradeiro fim ela nos deixa com a sensação de que a temporada do começo não é a mesma que acaba agora. 

O primeiro ato nós poderíamos chamar de Aayan. Não é segredo pra ninguém que foi nesse começo que Homeland enfrentou muitos problemas para superar enganos e erros recorrentes. Agora nós sabemos que tudo aquilo tinha um propósito justo e que o segundo ato (que poderíamos chamar de Saul) reergueria a dramaturgia e daria um sentido mais completo a ela. O problema é que quando um dos atos é ruim, fica a sensação de que o que veio depois foi reajuste e não planejamento. Depois do episódio passado, inesperadamente, um terceiro ato (chamado Quinn) começou e Homeland elevou ao cubo a sua quarta jornada. 

Precisamos falar a respeito de algumas motivações… Há uma justiça muito frágil na postura de Quinn. Claro que compreendemos que ele passou por processos traumáticos constantes, mas paira sobre ele uma aura de hipocrisia. Pelo menos Carrie admite que precisa daquilo pra viver, daquela vida de passagens limítrofes… Quinn não, ele fica se fazendo de vítima. Fazer o personagem tomar essa decisão de desertar para vingar mortes, acaba mesmo é soando como uma tentativa de ter história pra contar. Não é humanamente possível ele fazer isso sozinho e uma vez surpreendido por Carrie, agiu como um idiota atirando e ameaçando colegas que ele diz defender. Homeland novamente errando em pequenas doses, fazendo Quinn ter sucessos rápidos na caça por Haqqani, quando isso deveria ser IMPOSSÍVEL depois de tudo que o terrorista fez. Mas, como essa é a temporada das ambiguidades, eles acertam na forma como constroem a moral do personagem. Ele atira nos colegas que defende e usa bombas para matar culpados, ferindo inocentes. Por essa perspectiva, num olhar panorâmico, Quinn virou um personagem emocionalmente estruturado, ainda que eventualmente irritante. 

O melhor do episódio, contudo, acabou sendo a forma como Carrie lidou com as ramificações do massacre. Com tantas mortes acontecendo, a série anda precisando de novos personagens fixos e Max tem um grande potencial. Mal humorado e leal, ele poderia ser uma espécie de Chloe, o que numa série produzida por pessoas que criaram Jack Bauer, não seria nada estranho. Talvez a aproximação entre ele e Carrie seja só uma estratégia para tornar impactante uma morte futura, mas também pode ser uma efetivação da relevância do personagem. Os dois protagonizaram os momentos mais bacanas da semana e achei realmente comovente o abraço constrangido na hora de consolar Carrie pela morte do pai. Foi um momento que me suspendeu do meu papel de reviewer e me tornou muito próximo das dores que aqueles personagens vivem constantemente. Havia uma tristeza nebulosa naquela sala, naqueles olhares… Viver cercado de morte o tempo todo não é nada fácil. 

Já tinha comentado com vocês que já sou fã do Lockhart, então vê-lo fora da jogada seria uma decepção pra mim. Pensei na hora que Dar Adal poderia assumir. Porém, o momento final do episódio, com Carrie quase atirando em Haqqani, abriu a possibilidade de Dar Adal estar naquele carro como um traidor. A dúvida sobre ele estar numa missão governamental não está descartada, mas, independentemente da explicação, ela vai precisar ser muito bem estruturada. Provavelmente tudo isso vai ter a ver com a postura do governo paquistanês, já que as motivações deles para essa constante sabotagem diplomática aos EUA podem parecer óbvias, mesmo que sempre protegidas por um clima de suspense. 

O aspecto mais positivo de tudo isso é que teremos um Season Finale efervescente e com todas as melhores expectativas. Com seus três pequenos atos, a série vai encerrar sua quarta temporada deixando em todos nós a sensação de que valeu a pena e de que um pouco mais seria bem-vindo. E esse não é, enfim, o grande objetivo de qualquer temporada? Eu vi, eu me importo, eu quero mais.

Artigo anteriorMarco Polo 1×06: White Moon
Próximo artigoAudiência USA – TV a Cabo: 12/12 a 18/12/2014