Bem vindo ao County General!

2014 tornou-se um ano comemorativo para as séries americanas. Muito se fala de Friends e Lost, seriados que marcaram uma geração, porém esqueceram de E.R., a mãe de todas as séries médicas.

Com a premissa de acompanhar a rotina de médicos no pronto socorro, E.R. foi o precursor do gênero. Foram 15 temporadas, de 1994 a 2009, com as mais variadas histórias e tantos médicos que chega a dar um nó na nossa cabeça.

ER estreou como um mundo completamente novo para quem, naquela época, nunca tinha tido chance para se deleitar com dramas médicas que, apesar de tudo, mexe e muito com telespectadores, principalmente se você vivenciou algo parecido.

Por 15 temporadas, ER nos deleitou com episódios fantásticos. Ambush foi O MARCO da televisão americana. Por mais que eu não tenha assistido o episódio de estreia da quarta temporada ao vivo, conseguimos perceber que tudo ali era incomum. Sinceramente não sei se outra série médica se atreveu a fazer algo semelhante até hoje. E olha que isso foi em 1997.

E como esquecer o fatídico Be Still My Heart e All in the Family da sexta temporada? Nele vimos quem é o pioneiro em ataques dentro de um hospital. E foram vários que apavoraram os funcionários e pacientes do County Gerenal.

A ótima oitava temporada foi a despedida de dois personagens emblemáticos para a série. Dr. Greene era como um pai dentro daquele hospital e Dr. Benton o insensível. E foi na reta final que finalmente vi ER como um drama capaz de mexer com as minhas emoções. A despedida entre Peter e Dr. Carter, o mestre e o aprendiz, foi um emocionante, chorei junto com Noah Wyle quando agradeceu Dr. Benton por torná-lo o médico que tornou-se.

E o que dizer da sequência Orion in the Sky, The Letter e On the Beach? Só vale a pena acompanhar os três em sincronia. O adeus de Mark ao County General, os funcionários recebendo a notícia da morte de Greene e Carter assumindo o seu papel dentro do hospital – a cena em que John se apodera do estetoscópio de Dr. Greene e depois revivendo a cena do piloto com Gallant me fez chorar rios de lágrimas – fora a cena mais simples e linda que já pude assistir da morte de algum personagem. Não tem como aguentar os últimos episódios dessa temporada.

E o que dizer de desastres bizarros? Varíola, – mas na verdade tinha a ver com uma parada sobre macacos, até agora não entendi – braço decepado do médico que amei odiar, Dr. Romano. E a morte do mesmo que não tem como descrever a maluquice.

O trabalho voluntário na África que para muitos foi um erro. Gostei da primeira vez que foram ao Congo, já na segunda visita dei uma chance sem medo de ser feliz e, finalmente, olhei para aquele plot com uma visão mais crítica. A ideia da série era mostrar o trabalho dos Médicos Sem Fronteiras e também alertar aos mais desavisados o que acontece naquela região que sempre foi renegada. Obviamente que não vimos nem de perto a verdade sobre as dificuldades da população africana, mas nos deparamos com a guerra que assola aqueles países e a condição precária em que os médicos trabalham tentando salvar milhares de pacientes.

Outro ponto citado do início ao fim de ER era a questão da saúde pública dos Estados Unidos. Na verdade, o sistema público. Interessante como criticamos o investimento nessa área do país e sempre achamos que os EUA são melhores em tudo. É claro que não posso comparar os dois, mas ao acompanhar a série vimos o quanto o atendimento demorava e o quanto a burocracia atrapalhava no cuidado dos pacientes. Fora isso, quantas vezes vimos nossos médicos reclamarem do tal abrigo para crianças, idosos e incapazes? Outra crítica de ER.

A morte do bebê de Carter, a guarda do filho da Kerry, a gravidez de Chen e Susan, o trama Sam e Alex, Luka pegando todo o hospital, a mãe louca de Abby e a gravidez da mesma, casamento relâmpago de Neela e Gallant, amputação das pernas de Ray, alcoolismo de Abby, morte de Pratt, esses e muitos foram acontecimentos que marcaram época nos dramas médicos e, principalmente, fizeram E.R. tornar-se uma das séries mais legendárias de todos os tempos.

Foram alguns meses dedicados a fazer essa maratona. E que maravilha, recomendo a todos que amam dramas médicos para se deliciar no mundo de County General e de todos os médicos que passaram por lá. Assisti o episódio final And in the End… com nostalgia e tristeza. Toda a dinâmica era um revival do piloto 24 Hours. Dois episódios lindos para celebrar o início e fim da série.

Resolvi listar alguns médicos do County que considero importante na trajetória da série:

Mark Greene (Anthony Edwards) – Tem mesmo o que dizer sobre um dos personagens mais icônicos desse seriado? Não tinha como não se apegar ao nosso Dr. Greene. Sempre atencioso e gentil, dificilmente perdia a paciência com companheiros ou pacientes. Odiava Jen com todas as minha forças e depois gostei ainda menos da fase Mark garanhão e completamente atrapalhado que ele levou. Finalmente encontram Elizabeth na vida deste homem para tudo ser lindo. E sinceramente pra quê matar Dr. Greene? Mas confesso que foram cenas recheadas de emoção até o último instante. Único ator da série a levar um Globo de Ouro.

Doug Ross (George Clooney) – O coloquei nessa lista mais pelo que George tornou-se após a sua participação na série do que como pediatra mesmo. Tinha uma antipatia com Dr. Ross. Sei que ele defendia seus pacientes com unhas e dentes, mas eu não conseguia gostar de Doug. Passei a ter um certo apreço por ele quando finalmente ficou com Carol, mas mesmo assim fez merda com ela e a fez perder sua clínica. Senti falta de Dr. Ross no enterro de Mark – sei que George naquela época já havia se tornado o que era hoje – e também de ter um episódio dele em County e não em Seattle. Tá, eu sei que Clooney, em 2009, já era um vencedor do Oscar e estava cagando pra série, mas ele tem muito a agradecer a E.R. por ter o mostrado ao mundo.

John Carter (Noah Wyle) – Por que Dr. Carter não poderia faltar aqui correto? Quando era interno eu me deliciava com suas trapalhadas e me emocionava com sua generosidade. Apesar de ser “podre de rico”, John queria ser desvinculado daquela imagem e ser gente como a gente e tinha sucesso. Só nos dávamos conta da sua riqueza quando ele pede para trabalhar sem receber, paga os estudos de Abby, compra medicamentos para África e quase acaba a fortuna da família na fundação Joshua Carter. Tentaram arranjar tantos pares amorosos para ele que perdi a conta, mas nunca gostei de Kem. E não me desce que ele terminou a série sem um baby Carter para chamar de seu e solteiro, depois de tanto sofrimento que John passou, principalmente por seus pais que o deixaram de escanteio após a morte do seu irmão. Grandma Carter era maravilhosa e foi horrível presenciar a morte da mesma e Abby cagando para tudo que acontecia a ele. Ah, e outra coisa, como um garoto rico não sabe falar francês? Cadê curso para esse menino quando ele ia a Europa? Não faz sentido.

Carol Hathaway (Julianna Margulies) – Julianna tem muito o que agradecer ao Steven Spielberg por permanecer na série por seis temporadas. Confesso que odiava a atuação dela na primeira e segunda temporada. Parecia que somente o corpo dela estava ali. Depois que passaram a dar mais destaque a ela, e com Carol e Doug juntos, finalmente ela pode brilhar diante dos meus olhos, se não ia acreditar que essa mulher é tudo aquilo em The Good Wife. Única atriz a ganhar Emmy de melhor atriz coadjuvante pela série.

Elizabeth Corday (Alex Kingston) – Quando Lizzie aparecia na tela tudo a sua volta brilhava. Essa mulher tinha o poder de transformar o episódio na minha opinião. Claro que o sotaque britânico ajudava e muito – PITÁ – e todo o seu charme para as situações. Consegui entende-la quando quis Rachel fora de casa – afinal, Ella teve uma overdose ainda bebê – e me emocionei com ela quando descobriu Mark morto na cama. Dr. Greene e Dra. Corday formavam um casal tão lindo e carismático, poderiam ter ficado na série eternamente e ter seu próprio spin-off.

Robert Romano (Paul McCrane) – O médico que todos amam odiar. Por mais que Dr. Romano fosse um cirurgião intragável eu o achava muito divertido. O seu racismo e homofobia – apesar de ser crime – era engraçado. Fora o preconceito que sentia por tudo e todos, era possível ver, em raras exceções, a sua compaixão. E quem não riu com a sua morte? Carma é uma coisa terrível.

Abby Lockhart (Maura Tierney) – Eu sou que nem Maggie quando é para falar de Abby, ás vezes amo outras odeio. Sabe aquele tipo de mulher que tem tudo para fazer as coisas certas, mas escolhe o caminho errado ou o mais difícil? Era desse jeito que acompanhava a trajetória dela. Amei quando ela ficou com Dr. Carter, mas odiava o jeito que ela o tratava. Quando voltou a ficar com Luka pude ver uma Abby diferente, feliz. Mas odiei quando ela caiu no alcoolismo de novo. Foi importante mostrar essa batalha pessoal, pois na oitava temporada isso foi apenas citado e nunca vimos a doença em ação. E ameeei de paixão quando ela trouxe Maggie para o meu coração. Sally Field é simplesmente sensacional, a melhor atriz convidada em 15 temporadas.

Greg Pratt (Mekhi Phifer) – Greg foi a evolução em pessoa. Um médico que não sabia merda nenhuma e se achava o astro – quase um Malucci da vida que não deu certo – para tornar-se um dos líderes quando Dr. Carter saiu da série. Se a morte de Dr. Greene foi emocionante, a de Dr. Pratt me pegou de surpresa com a atuação de Mekhi. Antes de ser intubado, já com sucção na boca ensanguentada e com as lágrimas caindo… gente, me arrepio só de lembrar da cena. Acho que Greg poderia ter um final feliz, casado com Bettina e chefe da Emergência, seria a evolução maravilhosa de um personagem que vimos diante dos nossos olhos.

Neela Rasgotra (Parminder Nagra) – Tudo bem que muitas vezes Neela tinha cara de paisagem, mas aqui foi questão de gosto mesmo com a personagem. Dra. Rasgotra e Dr. Dubenko era uma dupla fenomenal dentro da sala de cirurgia. Quando tínhamos o prazer de assistir a amizade entre Neela e Abby e da sua adorável paixão com Dr. Gallant. Sim, minha gente, nada de Simon, Tony ou Ray, a verdadeira cara metade de Neela foi morto no Iraque e, desde lá, ela não fez escolhas muito sábias sobre relacionamentos amorosos.

Archie Morris (Scott Grimes) – O cara que menos tinha vocação para medicina tornou-se um mentos. Que loucura, não é? Nunca imaginei Dr. Morris como um médico de emergência, quanto mais um personagem regular. Mas era preciso de Archie em momentos cômicos para podermos nos desvirtuar de tanto sofrimento. A amizade de Greg e Archibauld era tão linda e cheia de maluquices. Detetive Diaz era a mulher para Dr. Morris, ele precisava de alguém sério do seu lado para trazê-lo ao mundo real e fiquei satisfeita por eles terem terminados juntos.

E para você, qual foi a melhor temporada? O melhor médico?

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