Uma boa primeira metade de mid-season finale, mas não muito necessária.
Quando uma série repete sua fórmula e vive na base da provocação, dividir o episódio que deveria ser o gancho da metade da temporada, não se torna uma boa ideia. Ao contrário, se torna um verdadeiro tiro no pé. Por enquanto a segunda temporada de Sleepy Hollow se tornou expert em criar situações, mas nunca entregar conclusões verdadeiras. Aos poucos a trama da temporada tem se tornado um emaranhado de “quases”, todo mundo ganha, todo mundo perde, tudo, apesar de completamente desestabilizado, termina em um nivelamento bem difícil de engolir.
Sleepy Hollow acaba então repetindo a mesma fórmula que adotou no final de sua primeira temporada, fazendo um arco de conclusão baseado em muitos diálogos e apenas um pouco de ação. Parte da culpa é da ganância da FOX, que priorizou uma temporada mais longa, com 18 episódios. E eu não consigo ver mais história para ser desenvolvida na segunda temporada, tudo já parece prestes a ser concluído. No final, veremos uma temporada 2.1, com uma nova trama, novos arcos e a continuação de um gancho que só virá no próximo episódio.
Estamos sendo alimentados com antecipação. Nada realmente acontece, são apenas teasers utilizados para nos provocar. Em algum ponto SH precisará mudar sua abordagem, ou perderá a relevância que tem. Entendam, o que mais me atraiu na série foi a forma despretensiosa que ela conduzia o mundo em que estava. Tudo estava galgado em diversão e só. Durante toda a primeira temporada, quase nada chegou a brilhar como ponto negativo. Existiram defeitos, como toda série, é comum, mas o entretenimento era marcante e acabou se tornando o personagem mais relevante de todos. No momento que estamos o que perdura é o muito e o nada. Muito acontece, nada realmente tem algum impacto.
Agora o que nos sobra é Abbie e Ichabod, que carregam juntos o tom da série, as interações mais divertidas e todos os aspectos realmente interessantes. Mas não porque os outros personagens não convencem, o problema é quase não terem tempo para que gerar uma aproximação maior. Quando estou gostando do Hawley, ele some. Quando Jenny e Irving passam uma das melhores interações que eles já tiveram, Irving decide fugir e Jenny fica novamente sozinha. Existe um complô muito forte para que apenas Tom Mison e Nicole Beharie se destaquem. Não é algo negativo, mas se Sleepy Hollow pretende ficar no ar por mais tempo, ela vai precisar sim ampliar o alcance de seu holofote.

Mas tem como reclamar de uma série que te apresenta uma Górgona de verdade e não apenas uma releitura humanizada de uma criatura saída das páginas da mitologia grega? Não, não tem. Sou completamente obcecado com os efeitos de Sleepy Hollow e a forma com que a série decide trabalhar seu bestiário. Uma pena que depois de Abbie e Ichabod, o bestiário o pilar mais firme e constante.
Claro, ainda existem detalhes que me incomodam desde o começo. Sua insistência em repetir cenas que já vimos nos flashbacks é o pior defeito. Para mim soa como falta do que inserir e inabilidade em criar assuntos relevantes para exibir nas lacunas que “sobram” e consequentemente acabam recebendo doses cavalares de didatismo fraco. Outro aspecto que me faz torcer o nariz constantemente é a maneira com que os personagens são inseridos e desprezados durante a trama.
Se alguns personagens têm em um episódio relevância suprema, no próximo são completamente ignorados, ou aparecem apenas para cumprir a cota salarial do ator/atriz. O sentimento de urgência que a série tenta passar acaba sendo prejudicado, e muito, pela maneira com que a entrada e saída dos personagens é trabalhada. Falta um pouco mais de foco e de todos os vilões que já apareceram, este é o mais difícil de liquidar.
Quando eu me dirijo a série como um emaranhado de “quases”, eu digo especialmente pela maneira que Abraham vem sendo trabalhado. Eu estava pronto para me despedir do personagem. Em algum momento Moloch precisará perder um de seus cavaleiros, prezo mais por Henry do que pelo estandarte da morte, logo, seria muito mais satisfatório e traria bem mais dinâmica se o adeus viesse no mid-season finale. Porém, como ele foi dividido em dois, fica até complicado julgar com totalidade uma obra incompleta. O que perdura é como todo o discurso empregado nos conduziu para um adeus. Nós sabemos bem que Ichabod e Abbie não correm nem tipo de risco eminente, dificilmente os protagonistas irão entrar na forca antes da última temporada.
É como eu venho repetindo desde quando Katrina se tornou “relevante” para o roteiro. Precisamos urgentemente de um limpa no quadro da série. Existem várias divisões de foco e um nome de peso no lado de Moloch que nos compele a sentir interesse igual por ambos os lados da guerra. É complicado acompanhar Abbie, Ichabod, Jenny, Hawley, Irving, Katrina, Henry e Abraham. A forma com que SH escolheu lidar com o excesso foi minando a participação de um ou outro por episódio, mas isso também fez com que ela se tornasse muito fragmentada e perdida.
Sendo assim, apesar de ter sido um episódio bom, ele acaba não nos iluminando muito e vale mesmo só pelo surgimento de Moloch, totalmente demoníaco e presente no mundo real. As interações entre nossos protagonistas permanecem a joia da série e as eu quero mais. Todavia preciso de um pouco de desenvolvimento maior, ou então que algumas cabeças comecem a rolar, afinal, a premissa sempre foi exatamente esta, não foi? Eu já nem sinto mais medo do cavaleiro sem cabeça, e coitado do Irving original, deve estar um pouco descontente com o direcionamento que sua cria tomou.














