Um episódio digno de final de temporada, ou quase isso.
The Flash ainda tem muitos episódios para queimar, até sua season finale. Ainda temos um crossover com Arrow no próximo episódio, já na semana seguinte e a proposta de começar a esquentar as coisas funcionou muito bem. Quando comecei a assistir Flash, sempre acreditei no potencial da série, e entre cenas clichês, relacionamentos fadados a cair no ostracismo e muitas cenas de indagação amorosa, a justificativa para qualquer telespectador veio em ‘Power Outage’. Uma bela execução, pontuando tensão e sabendo dividir os dois núcleos sem que um perdesse relevância frente ao outro.
O que foi muito importante para que o ritmo fosse mantido e nosso interesse também, foi utilizar o Rei Relógio para oferecer a ameaça aos West e Eddie. Quando separamos a parte dominante da secundária, é preciso que a motivação seja bem maior para o lado mais fraco, já que ele é, no geral, o menos interessante. O acerto dos redatores foi escolher um vilão de peso (especialmente para quem acompanha Arrow) e jogá-lo no distrito policial enquanto Barry e equipe enfrentavam outro meta-humano.
Toda a estrutura do episódio casou bem e demonstrou uma capacidade gigantesca da série em manter o nosso interesse vivo durante quarenta minutos. Não seria justo colocar um meta-humano contra o detetive West, não seria justificável. Então, inserir um bandido comum não conseguiria passar a sensação de urgência que já é tão característica da série. Logo, a condução mais aplicada em cima da excelente atuação de Robert Knepper satisfez bem e não quebrou a trama no sentido geral. Claro, ainda restam dúvidas em cima de quem realmente a série irá matar (e com isso perde-se um pouco a importância os tiros tomados), tirando os vilões, a perda mais significativa para o Barry (depois de sua mãe), foi mesmo a xícara e deverá continuar por mais tempo.
Outro ponto que eu gostei bastante na série foi ver como ela tem potencial para ser rápida sem perder o brilho. Já no sétimo episódio estamos vivenciando um blecaute nos poderes do herói. Só espero que esse plot não seja repetido em todas as temporadas, já que em Smallville ele foi em pelo menos um episódio de todos os 10 anos da série. Em Flash eu anseio por um pouco mais de inteligência da parte dos redatores. Lá nas aventuras de Clark, porém, o roubo de poder só aconteceu no décimo segundo episódio, aqui já foi no sétimo, e se isso não fosse demonstrativo maior de que a série não pretende segurar o fôlego, eu não sei o que é.
Indo mais dentro da mente do Barry, tudo o que vimos serviu também para elucidar o crescimento do nosso herói. A jornada que ele trilha é característica a todo bom moço, não poderia ser diferente, na verdade. As constatações do Wells para com o Flash só destacam o que o episódio tentou passar. Mais do que perder seu poder e precisar enfrentar o vilão com as mãos vazias, testemunhamos o nascimento do lado heroico de um dos ícones da DC comics.
Tudo bem, a montagem inicial do episódio foi bem desnecessária e praticamente se banhou em didatismo para deixar bem evidente que “a infantilidade” do Barry em lidar com seus poderes teria um preço. O pagamento veio rápido e eu imagino que certa humildade deverá nascer no coração do jovem Allen. Resumindo, tudo foi bem “cartilha do super-herói”. Não existiram conflitos tão atenuantes, o que importou mesmo foi a condução do episódio e a aura de suspense mantida.

Quando o tom de The Flash flerta com o mais sério e menos colorido, as coisas ficam mais interessantes. Mas não estou disposto a trocar o ar mais amigável de Central City por uma nova Starling, existe espaço para que The Flash seja sim mais cômica, não tenho reclamações quanto a isso. Cisco permanece como nosso alívio e por enquanto, ainda não me cansou. Sei que já critiquei um pouco a condução do personagem e que ele merece um pouco mais de destaque, mas compreendo que o momento agora seja de Barry, acima de tudo.
Portanto, se não existisse a pressão de um episódio crossover com Arrow, eu poderia facilmente aceitar este episódio como o mid-season finale. É esse o potencial que The Flash carrega e é exatamente dessa maneira que os próximos capítulos precisam ser conduzidos com mais frequência. Vocês viram que até mesmo o drama dos relacionamentos, que tantas pessoas vêm reclamando e pontuando como único defeito da série, conseguiu encontrar uma forma menos pavorosa de acontecer? Quando existe uma estrutura melhor, até Iris e Barry ficam aceitáveis dividindo cenas juntos. Mesmo que a tensão tenha começado a ser construída para o lado de Caitlin, onde rolou o primeiro “quase beijo” entre os dois.
Vocês sabem muito bem que existirão tensões entre os personagens, que apesar do Barry estar fadado a terminar com Iris, nossos corações irão aportar para várias outras mocinhas. E os redatores brincam conosco, sabem exatamente qual é o nosso ponto fraco e instigam momentos como o de ‘Power Outage’ para nos deixar loucos. É o efeito Felicity all over again. Não tem como fugir dele, mas enquanto as coisas estiverem mais sutis e os vilões carregados de potencial, eu não reclamo, ao contrário, relevo.
É bem marcante que o aspecto principal da série, seus relacionamentos, estejam ganhando dimensões maiores e certa complexidade. Wells continua como a figura misteriosa da temporada. Nós pensamos que ele veio do futuro, ele mostra que talvez não seja apenas isso, já que possui um link direto com o que ainda não aconteceu. Uma coisa, porém, está bem óbvia, sua figura existe para gerar conflitos. Eu consegui entender suas motivações ao libertar o Viga da prisão, jogando-o em um confronto com o Blecaute, e faria o mesmo. Logo, como condená-lo a ser totalmente vilão? Ou totalmente bom? Se eu pudesse categorizar Wells, eu o colocaria como a junção de dois sentimentos, egoísmo e altruísmo. É bem complicado conceber ambos dentro de uma pessoa só, mas até agora o nosso doutor exemplificou bem essa confusão.
Concluindo, The Flash permanece como a melhor estreia baseada em quadrinhos do ano. Esqueça Gotham e sua falta de identidade. Deixe Constantine e sua gangorra de qualidade de lado e se refresque em The Flash, a única série de super-herói que realmente soube transformar seus episódios em uma verdadeira história em quadrinhos live action. Todos os elementos das HQs estão lá e se vocês quiserem fazer um agradecimento, o mandem para um certo Geoff Johns, o homem responsável por trazer o Flash de volta a vida.
Easter Eggs e outras informações.
– Ralph Dibny (Homem Elástico), Al Rothstein (Esmaga-Átomo), Grant Emerson (Detonador), Bea DeCosta (A heroína brasileira da DC conhecida como Fogo), Will Everett (Amazing Man), Ronnie (Firestorm). Esses foram os nomes citados por Wells antes de “morrer” nas mãos do Blecaute. Todos são heróis da DC comics, o que me leva a entender que talvez alguns realmente tenham sobrevivido a explosão e venham a aparecer na série. Torço por uma tal Fogo, por motivos de: Brasileira que vive em chamas.
– O Rei Relógio, para quem não sabe, é saído dos quadrinhos e de Arrow. O primeiro vilão a fazer o crossover entre as séries.
– Dessa vez conseguimos ver mais de perto o que o jornal dizia a respeito da crise. Bom, nada muito conectado as ‘Crises nas Infinitas Terras’. Houve um bombardeio, um taxista ficou ferido, mais seis pessoas, o Flash deu uma entrevista e só. Melhor do que a notícia a respeito da junção da Wayne Ent. (Batman) e Queen Cons. (Oliver Queen/Arqueiro Verde), que é um artigo cientifico sobre algum vírus.















