O passo mais ousado de Agents of S.H.I.E.L.D.

Depois de 29 episódios, finalmente descobrimos tudo o que precisávamos saber a respeito da morte e misteriosa ressurreição do agente Coulson. Alcançamos também o ponto em que a série deu seu passo mais ousado, abrindo todas as portas para uma nova fase da Marvel. Se nada mais der certo, e ao final desta temporada a ABC decidir cancelar MAoS, você poderá dizer que viu o nascimento de uma raça/mitologia dos cinemas, na série. Pois está sendo exatamente este o papel de toda essa segunda temporada, pavimentar o caminho para os Inumanos, que só será lançado em filme no ano de 2018. Porém, sem agir como muleta, ou tapete.

Estrutura, essa tem sido a palavra secreta (nem tão secreta assim), que a série vem se firmando. Todos os episódios dessa segunda temporada acompanharam uma estrutura narrativa muito bem conduzida. Em determinados momentos ela falhou em unir todos os personagens e dar relevância a eles com pesos iguais, mas isso seria praticamente impossível em apenas quarenta minutos.

O próprio texto deste episódio prezou por trabalhar de uma maneira mais didática o plot central, que era o projeto T.A.H.I.T.I. Verdade seja dita, a conexão mais importante que tivemos com o projeto e o alienígena foram na primeira temporada, era necessário que fizéssemos essa incursão na mente do Coulson novamente. E a série faz bem, pois apesar de utilizar um episódio inteiro para nos explicar tudo o que já sabíamos, ela conectou todos os espaços vazios que ainda figuravam com marcas grandes de interrogação.

Nós já sabíamos que o Coulson tinha sido cabeça do projeto. Já tínhamos uma ideia de que existiam outras pessoas que receberam o teste e até mesmo do desespero do agente em não continuar com as experiências. Mas agora experimentamos uma verdadeira viagem no tempo. Melhor ainda, a série não precisou criar nenhuma saída nova para justificar a volta, tudo estava ali, pronto, a cadeira reservada em um quarto e esperando para ser utilizada. Por ter sido resgatada pela equipe do Coulson, é fácil entender que ele a manteve por perto. Não existiram muletas, apenas comodidades e esse foi um recado bem óbvio para quem achou que tudo seria explicado através de magia, ou alguma saída instantânea.

A série está fazendo todo o trabalho pesado para uma premissa que é complicadíssima de vender em apenas um filme. Não estamos falando dos Guardiões da Galáxia, que estão no espaço, são alienígenas e podem receber como explicação para suas diferenças e habilidades, uma resposta bem simples: Não são humanos. Os Inumanos, apesar de não serem completamente humanos, precisam de mais planejamento. MAoS é o planejamento. É a integração e a prova viva de que o universo da Marvel é conectado nos mínimos detalhes e muitas vezes, escancaradamente. Por isso, tudo o que vemos a respeito da cidade misteriosa, do alienígena, é fruto daquela palavra que eu citei lá em cima, a tal da estrutura.

E então você me pergunta o que diabo de cidade seria essa? Bom, eu já andei pontuando AQUI, AQUI, AQUI e AQUI (além de várias reviews da temporada passada) sobre minhas teorias a respeito dos Inumanos, a névoa terrígena e que o tal mapa nos levaria para Attilan, a cidade secreta dos Inumanos, os “novos mutantes” da Marvel e do MCU. Nos quadrinhos, Attilan é um refúgio para essa raça. Quando a humanidade começou a avançar tecnologicamente, eles decidiram ocultar a sua localização do restante do mundo, mudando-a para o Himalaia. Na série poderemos acabar recebendo uma justificativa diferente, ou não. Será incrível se pudermos ver (quem sabe?) a equipe do Coulson encontrando a cidade e em seu interior criaturas fantásticas, com poderes especiais e aparência incrível.

A partir de então já podemos fazer uma conexão com Skye, que foi encontrada em uma aldeia na Ásia. Ou seja, desde o começo nós já teorizávamos a respeito de tudo o que a série está passando agora. Não que tudo tenha sido previsível, mas a construção é tão fiel ao material de origem, que dificilmente conseguiriam nos enganar por muito tempo. Lógico, em determinado momento eu julguei que os símbolos eram parte da fórmula que despertaria os poderes destes humanos “especiais”, também disse que o obelisco pode acabar sendo o responsável por libertar a névoa terrígena. Se em alguns pontos eu errei (outros ainda não sabemos), uma coisa fica bem clara: Os Inumanos estão entre nós desde o começo.

Mas não apenas traçar o caminho para os Inumanos, MAoS está criando o seu próprio de uma forma exemplar. Demoramos, passamos por várias turbulências, mas agora, ninguém pode reclamar.

A maneira com que sutilmente trabalharam Fitz e Mack, as desconfianças, a parceria entre os dois, o videogame e a dica de que a cura para o Fitz pode residir em um backup cerebral, é um sinal de que ainda estamos desenvolvendo personagens “secundários”, mesmo quando o foco são os principais. Jemma esteve meio apagada, mas ela já havia recebido destaque suficiente nos episódios passados. Assim como as interações entre Bobbi e Hunter, que continuam melhorando semanalmente.

Gostei muito de terem finalmente dedicado um tempinho a mais para o Trip, que não esquecido. Suas interações com a May foram bem suaves, mas de forma alguma beiraram a exclusão que o agente recebeu nos episódios passados. É isso que eu quero. Entendo perfeitamente que não dá para colocar todo mundo em um plot só, não dá tempo e não conseguiríamos acompanhar oito personagens sendo trabalhados com a mesma relevância. É impossível. Então, que a série permaneça fazendo gradualmente o trabalho de expansão, sem nos deixar esquecer jamais que existem outras peças chave para o bom andamento de todo esse trabalho.

E sem me esquecer de comentar a respeito do Ward, nosso sociopata que amamos odiar, ou que odiamos amar (não sei se vocês estão na mesma que eu), mostrou o porquê conseguiu ficar tanto tempo escondido. Ward é um bom agente, um ótimo espião e apesar de ter todos os seus defeitos e feito nossa equipe sofrer tanto, merece reconhecimento. Ele é bom. Mesmo assim, é como eu já disse antes: Ward bonzinho não convence. Ward doido vende bem. Que a série continue a utilizar o Ward como maluco, maníaco e stalker oficial da Skye. Se existe uma forma de trabalharem bem um relacionamento entre os dois, é exatamente essa. Mesmo que eu ainda tenha algumas dúvidas a respeito do “presente”, achei bem trabalhada a cena. Com ressalvas, afinal colocar Bakshi dentro da S.H.I.E.L.D. pode acabar tendo resultados desfavoráveis.

Concluindo a review, quero dizer que mais uma vez fiquei surpreendido. Qualidade e quantidade nas informações é tudo o que uma série tem de melhor para oferecer. Conosco não está sendo diferente. Semanalmente Agents tem mostrado que tem potencial e que de todas as possíveis saídas, cancelamento não é uma opção. Não somos apenas nós que temos a perder, o próprio MCU perderá muito com a saída da série.

Easter Eggs e outras informações

– Olhem que interessante, existem rumores de que o personagem Speedball será introduzido na série e interpretado pelo ator Fran Kranz (Dollhouse). O ator usou sua conta no Twitter para anunciar a seguinte frase: “Mockingbird. Robbie Baldwin. Shield. Soon”. Robbie Baldwin é o nome do Speedball, personagem central na explosão da Guerra Civil, filme já anunciado para Capitão América 3. Saiba o real motivo desta menção no próximo item.

– Conectado diretamente com o easter egg anterior, a caixa de fósforos que o Ward guarda em sua mala leva o nome: Striker Matches. Existem vários Strikers importantes na Marvel, sendo o Coronel Striker o mais relevante. Porém, como ele é ligado diretamente aos X-Men, arrisco dizer que neste caso podemos estar lidando com o anúncio de outro personagem saído dos quadrinhos: Brandon Sharpe. Brandon tem, nos quadrinhos, uma pequena disputa com Speedball. O mesmo que Fran Kranz citou em seu misterioso tweet.

– Para fechar a trinca de easter eggs em sequência, eu já havia dito que a série estava reunindo muitos personagens da Guerra Civil, se realmente tudo se confirmar, poderemos ter na terceira temporada um prelúdio para o filme do Capitão América 3. É pra deixar a reza da renovação mais forte ainda.

– O amigo da Skye, Micro (Microchip) tem conexão direta com as histórias do Justiceiro (que a Marvel tem os direitos). Podemos apostar que logo teremos Frank Castle no MCU? Demolidor está chegando, não existiria momento melhor para o Justiceiro das as caras.

Diálogo para guardar no coração 1.

Skye: Na história das más ideias, essa está anos luz a frente de todas.

Coulson: Não. Tentar trazer agentes mortos de volta a vida utilizando sangue alienígena meio que explode todas as outras (ideias ruins) .

Momento para guardar no coração

A cara de recalque da Simmons para a amizade entre o Mack e o Fitz, impagável.

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