Clichês, música e o amor no campo de batalha.
Todo seriado policial possui fórmulas para seus episódios e a principal delas são as reviravoltas que acontecem ao longo de seus quarenta minutos para deixar os espectadores mais atentos as pistas para descobrir o assassino e Stalker não é diferente. No entanto, até o momento a mesma fórmula foi utilizada e o primeiro suspeito investigado pela TAU nunca é o verdadeiro culpado. Os detetives sempre vão primeiro nos suspeitos mais óbvios, como neste caso era o ex-marido de Andrea Brown. Porém, exatamente por já estar atenta a esses padrões, imaginei que ele logo seria descartado, o que acabou acontecendo. Mas, diferente dos episódios anteriores, seu envolvimento não foi descartado tão rápido e o episódio trabalhou com duas principais teorias e uma paralela.
Ouvimos o tempo todo duas diferentes frases faladas pelos principais participantes da trama principal: “ele é temperamental” e “ela é maluca”. Ou seja, o roteiro trabalhou o com essas duas premissas e cabia a nós espectadores imaginarmos o que realmente poderia ter acontecido. E é aqui que justamente se encontra o problema desse padrão seguido por Stalker. Mesmo sabendo que o marido poderia muito bem ser o culpado, por ele ter sido o primeiro suspeito apresentado rapidamente imaginei que Andrea poderia não ser tão vitima assim. Porém, essa não é uma crítica a história que nos foi mostrada neste episódio pois acredito que a solução apresentada foi a melhor das possibilidades.
O que estragou foi o padrão, os moldes que vêm sendo seguidos o tempo todo pelo roteiro do seriado. Tratar a primeira vítima como a verdadeira stalker da situação foi interessante, assim como ver todo o caminho trilhado pela personagem e seu plano para ser tratada como vítima. O roteiro tratou muito bem a sociopatia de Andrea e o momento no qual ela finalmente surta e explica todo o seu plano para a namorada de seu ex-marido foi uma cena ótima de assistir. Andrea contratou um de seus artistas não só para pixar sua casa como também para bater nela com uma réplica do relógio de Kenneth apenas para incriminá-lo. E ainda assim não foi esse o auge de sua insanidade, esse prêmio ficou com o assassinato do próprio cachorro com o objetivo de trazer mais credibilidade para sua história.
Mesmo que seu marido tenha sido tratado como o possível criminoso pelo seu temperamento explosivo, acredito que não existisse melhor solução para o caso. O roteiro até se esforçou para mudar um pouco sua fórmula neste episódio justamente pelo motivo que citei no início da review: o ex-marido foi o tempo todo trabalhado como o possível culpado e não descartado em poucos minutos. Tivemos até uma cena em que ele a persegue e perde a paciência com a personagem, basicamente partindo para cima dela. Uma cena que foi criada para deixar a dúvida se instalar mais na cabeça dos espectadores. E além disso, ainda tínhamos o terceiro elemento dessa trama: a namorada, Melissa.
Mesmo imaginando que ela estava ali como coadjuvante e não serviria para muita coisa, o fato de a atriz ter participado de “Arrow” me deu uma ideia interessante de Sara X Nikita. E, em determinados momentos, vemos que os detetives da TAU tentaram trabalhar por esse ângulo, suspeitando da personagem, como acontece quando Beth a questiona sobre o “ataque” à seu ex-namorado. Mas, o momento que realmente imaginei que Melissa estava por trás de alguma trama maior foi quando ela encontra a camiseta suja de sangue no carro de Kenneth. Aquilo me parecia conveniente demais e achei que poderia ser interessante se ela tivesse trabalhando com Andrea ou até mesmo sozinha para incriminá-lo.
A esse ponto já estava bem claro que Kenneth estava sendo incriminado pelo que não havia feito. O vídeo dele fazendo sexo com Andrea e o artista da galeria foram os últimos elementos que faltavam para selar a trama e provar a frieza calculista de Andrea. Portanto, apesar de ter gostado bastante da maneira como a personagem foi construída e achar que essa foi a melhor solução, a dicotomia apresentada nas duas principais frases ditas no episódio, em conjunto com a fórmula explorada até agora, deixaram a trama um pouco óbvia.
O nome do episódio “O amor é um campo de batalha”, que também dá nome à música que toca em seus últimos minutos, não apenas servia como descrição para o caso da semana como também para a vida de Jack e Amanda. A primeira cena foi mais do esperado, o detetive da TAU sendo o stalker de seu próprio filho, que desta vez resolveu conversar com “Wesley”, até o momento, conhecido por ele como o cara que salvou seus doces de Halloween. E aqui vimos o primeiro subterfúgio do roteiro para a resolução da história de Jack. Durante essa conversa Ethan dá a entender que não gosta muito de Trent, o namorado de sua mãe, abrindo caminho para uma boa relação de Jack com seu filho.
Outros subterfúgios foram as descobertas de que Jack teve um caso com a testemunha principal do julgamento de alguém chamado Robert e a morte de seu pai. Seja lá o que pode ter acontecido, que ainda não sabemos, fica óbvio que o roteiro segue para uma explicação heroica para as atitudes de Jack, que de outro lado está admitindo seus erros para Beth e Amanda. Ou seja, como falei na review anterior certamente estamos vendo o início de uma explicação muito elaborada para que Jack saia de toda essa situação ileso. Outra indicativa disso foi sua conversa final com Amanda, quando ele conta que seu pai morreu, um pai que aparentemente foi horrível para Jack e não o criou direito, sendo responsável pelos problemas futuros do personagem. Já estamos vendo aqui a externalização da culpa que antes era tão certa de ser do detetive.
Era necessário que víssemos uma explicação como essa para que o personagem continuasse sendo válido para o seriado, mas nada disso me convenceu ainda e espero que essa história do julgamento de Robert seja muito boa e que o personagem consiga conquistar seu espaço na trama de forma legítima porque até o momento não vejo nada funcionando muito bem, nem mesmo em sua tentativa forçada de ser um “cara legal” e dar um CD do Pearl Jam para Ben.
O elemento final da história de Jack, e que o leva à última conversa que vimos com Amanda, foi sua interação com Beth. A simples frase dita por ela: “conserte” primeiramente me mostrou uma certa frieza da personagem, no entanto, acredito que seja muito mais do que isso. Mesmo sem ter deixado claro anteriormente, Beth com certeza já sabia, ou pelo menos imaginava, o que estava acontecendo entre Jack e Amanda. A frase simples e direta utilizada por ela foi sua forma de dizer à Jack que está do lado dele, mas que ele precisa consertar o problema. O que ela ainda faz questão de deixar claro quando fala que odiaria perdê-lo.
Além do caso da semana e da vida de Jack, ainda vimos dois outros elementos bem interessantes neste episódio: a discussão sobre clichês e as músicas como trilha sonora da vida. A discussão sobre clichês, com Janice dizendo para Jack que em Los Angeles as pessoas adoram clichês me pareceu uma justificativa do roteiro para algumas histórias que estamos vendo, ou também uma justificativa para algum acontecimento futuro. A discussão sobre músicas foi uma maneira divertida, assim como os medos compartilhados pelos detetives no episódio anterior, para que conhecêssemos eles melhor. Achei legal que Beth responde a pergunta com Pat Benatar, e logo pensei na música “Hit With Your Best Shot – Acerte-me com seu melhor tiro”, que é realmente a postura da personagem até o momento.















