Barry, Felicity, Capitão Frio e o melhor episódio da série até agora.

Depois de tanto reclamar, parece que finalmente The Flash decidiu nos entregar o que tanto queríamos: Um vilão útil para a trama. Amargamos 3 episódios tendo que nos contentar com vilões aquém do esperado, um mago do tempo que não controlou quase nada, um duplicante e um homem gás lacrimogêneo. Confesso que até precisei pesquisar novamente para ter certeza de que um deles realmente pertencia a serie, um sinal de que a relevância dos mesmos nunca foi o objetivo. Agora, porém, tudo está em um novo tom. Capitão Frio trouxe não apenas o que a série precisava, mas demonstrou o que nós devemos esperar daqui para frente.

É importante ver que a fonte direta desta nova abordagem do Flash se baseia sem vergonha nenhuma de ser feliz, nos novos 52. Se nos quadrinhos o destaque maior dos primeiros números do The Flash foi para o Capitão Frio, não é de se espantar que na série tenha sido igual. Experimentamos outros poderes, mas foi o ser humano comum que nos fisgou. Por isso, se você quiser se inteirar com o universo da nona arte, mas ainda tem um pouco de receio devido a grande quantidade de volumes já existentes e as divergências entre o material impresso e o da televisão, vá de novos 52. É de lá que parte a inspiração maior para a era DCUTV (universo da DC na televisão). A única diferença aqui é que assim como na versão original, pré novos 52, Snart não tem poderes.

Outro ponto muito beneficiado pelo quarto episódio foi o começo do desenvolvimento do Cisco Ramon. Até então o cientista tinha operado apenas como alivio cômico, mas depois da construção de uma arma preparada para deter Barry, em caso de uma possível rebeldia do corredor escarlate, Cisco se aproxima bem de um desfecho já profetizado para ele dentro da série. Como o surgimento de poderes estão ligados ao reator de Central City, talvez o despertar de Cisco seja através de alguma arma construída por ele para ajudar Barry. Nos quadrinhos Francisco Ramon começa como integrante de uma gangue, para depois se juntar a Liga da Justiça, utilizando o nome Vibro e com poder de gerar vibrações poderosas, capazes até mesmo de matar.

Capitão Frio, Onda Térmica, Mago do Tempo, O Mágico e Mestre dos Espelhos integram a gangue chamada “Rogues”. Na série as coisas irão mudar um pouco, já que o Mago do Tempo (aparentemente) morreu. Aos poucos o motivo principal para a série ter enrolado um pouco na entrega de seus bad guys se revela. O foco deverá ser em criar um time de bandidos que rivalizem diretamente com o Barry. Em uma das entrevistas, Geoff Jonhs e sua equipe revelaram que o episódio anterior a mid-season finale será um crossover entre Flash e Arrow. Com a confirmação de que o Rei Relógio (Robert Knepper) irá fazer uma ponta em The Flash, talvez o grupo de rogues seja o real motivo para que os heróis de Starling City e Central City se encontrem em uma das maiores promessas deste ano para a CW.

Falando um pouco da personalidade do Capitão Frio, gostei bastante da forma abordada pela série. Snart não é o tipo de vilão que quer atenção para si. Seu objetivo é continuar roubando e permanecer em Central City sem que ninguém o incomode. Antes até que estava fácil, agora que temos o raio vermelho, nem tanto. É exatamente aí que entrará a construção da equipe de Rogues e a busca dos criminosos em ter de volta aquilo que o justiceiro velocista tomou.

Segundo o próprio Johns:

“[Capitão Frio] não quer dominar o mundo. Ele não quer necessariamente matar o Flash, porque no final do dia, o Flash é celebrado por todo mundo e matá-lo atrairia muita atenção… Ele só quer conseguir uns trabalhos e continuar a fazer o que ele já está fazendo, ele precisa se tornar algo a mais do que ele é.”

Agora, eu não poderia deixar de comentar sobre a primeira visita de Felicity Smoak a Central City. Não sei vocês, mas eu entendi bem o que os redatores quiseram passar com as interações entre Barry e Felicity. Existiu toda uma construção entre dois personagens que realmente, são perfeitos um para o outro, mas que não irão, jamais, ter algo além de uma amizade. O beijo até tenta desconversar esse diálogo que correu por trás do texto desde o começo, mas ele surge apenas para não matar totalmente nossas esperanças. No fim, a verdade é uma só: Barry quer Iris, Felicity quer Oliver e nenhum dos dois quer um ao outro.

Mandar no coração é algo impossível de ser feito, então, eu considero este quarto episódio como uma carta de amor sendo escrita e logo em seguida, rasgada e jogada na lareira. Nós queremos um destino para os personagens que gostamos, a série quer outro. De certa forma, esse tapa de realidade nas nossas caras fecha nossas expectativas e impõe o planejamento. Nós queremos que Barry tenha um relacionamento com Caitlin, ou Felicity, o plano é que ele tenha com Iris. Fim de papo (?).

Eu não sou entusiasta dos romances e ships problemáticos em séries de heróis e baseadas em HQs, acho que o mundo deles é tão mais atraente quando colocamos de lado esses problemas. Imaginem, sem Iris criando essa tensão, nós poderíamos estar acompanhando o desenvolvimento melhor dos vilões, o desdobrar de outras histórias. Mas o mercado quer casais, quer dramas e dilemas construídos e lapidados com romance, logo, estamos sim reféns dessas amarras. E já que fomos amarrados nos trilhos dessa locomotiva movida a suspiros, precisamos ter o melhor que ela possa oferecer. Mas não custa nada sonhar com o dia em que um herói terá um relacionamento estável e que não comece nas duas temporadas anteriores ao encerramento da série.

E olhando através dessa ótica, eu fico triste por ter sido essa a forma de terem “precisado” da Felicity na série. Quem a conhece em Arrow sabe que dentro de um panorama maior ela seria muito mais útil. Em “Going Rogue” Felicity não chegou a ser uma donzela em perigo, mas se você acompanhar minuciosamente todas as suas falas, seu vestidinho ousado, a interação e o encontro duplo, sua função se resume sim a elucidar a presença do fantasma amoroso de Iris e Barry, que apesar de não existir e já ter nascido quase morto, se tornará nossa cruz particular durante um bom tempo.

“Eu quero ver isso… e com ISSO eu estou me referindo a sua velocidade… caso você tenha pensado que eu estava me referindo a outra coisa, o que eu não estava” – Felicity Smoak

E essa cruz, pelo menos, nós poderemos compartilhar com o detetive West. Ele sim foi a personificação da maioria dos telespectadores de Flash, (ou pelo menos da maioria que assiste e comenta aqui nas minhas reviews hehehe). Nós também não estamos a fim de ouvir Eddie comentando sobre seu amor por Iris, seus encontros, o que a moça gosta, ou deixa de gostar. Tudo bem, o paizão acabou mudando sua forma de pensar e sua justificativa foi muito mais nobre que a minha para não gostar de Iris e Eddie, mas no final, eu me vi diversas vezes estampado na expressão facial do detetive.

Tudo o que aconteceu nesse quarto episódio foi um avanço considerável para uma série de identidade já bem forte. Nosso tão sonhado vilão relevante apareceu, alguns pontos foram colocados nos relacionamentos que tanto almejamos e apesar de certo gosto amargo, um determinado beijo foi sim algo extremamente bom para todos nós. Por falar, se quiserem deixar Felicity longe do ar sombrio e dos perigos de Starling City por mais alguma semanas, eu não reclamarei nem um pouco. Central City tem espaço para ela, de sobra.

Easter Eggs e outras informações

– O diamante que aparece no museu e que o Capitão Frio rouba é da cidade de Kahndaq, nos quadrinhos esse local é a casa do Adão Negro.

– O caminhão que transportava o diamante é da empresa de segurança Blackhawk. John Diggle, de Arrow, já trabalhou para a empresa.

– Endereço “4th and Kolins” é uma singela homenagem ao artista Scott Kolins, que trabalhou em The Flash nos números que mais tiveram destaque para os Rogues.

– O homem que comandou a noite de Trivia, Oswald Loomis é saído dos quadrinhos. Lá ele era apresentador de um programa infantil, que após drásticas quedas na audiência teve o show cancelado. Em um momento de fúria e terror psicológico ele adota a alcunha de The Prankster e passa a criar mortes bem elaboradas e cômicas para os cidadãos de Metropolis.

– E=MC Hammer, não, não é engraçado.

– Keystone Motel onde o Capitão Frio e (ao que tudo indica) Onda Térmica se encontram, faz referência a cidade Keystone, lar do Flash Jay Garrick e futuramente Wally West, o terceiro flash.

– Próximo episódio só no dia 11, até lá.

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