10 meses depois de o mundo acabar”

Antes de Colombo chegar a América, os Astecas haviam criado um dos maiores impérios já conhecidos no continente americano. Na região do atual México, essa tribo indígena construiu e manteve seu poder se utilizando de extrema violência contra povos vizinhos. Prisioneiros de guerra eram sacrificados em seus altares como forma de acalmar e agradecer seus deuses. Até que um dia, um pequeno grupo de 500 espanhóis, num período relativamente curto, derrotou e conquistou o Império Asteca, cuja capital era mais populosa que qualquer cidade europeia na mesma época. Os espanhóis tinham em mãos armas de fogo e canhões, além de cavalos de guerra, até então desconhecidos na América, o suficiente para surpreender os indígenas e suas flechas. Mas talvez a arma espanhola mais poderosa tenha sido a varíola. Enquanto os Astecas faziam todo o possível para sobreviver a guerra, eles eram exterminados acidentalmente pela doença. Assim como esses eles, todos fazem o necessário para sobreviver em OZ. Mas isso pouco importa, uma vez que a vida sempre se intromete no caminho.

A sociedade moderna não é tão diferente das tribos ocidentais. Ainda nos agrupamos em semelhantes enquanto os diferentes nos causam preocupação. Esse cenário se evidencia em OZ. Após quase um ano de articulações políticas e discussões judiciais, Emerald City é reaberta, apesar dos esforços do governador em mantê-la fechada. Os erros que conduziram à rebelião precisam ser corrigidos para que não se repitam. E para isso, cada uma das 10 tribos identificadas terão apenas quatro membros na nova City. Além daqueles já conhecidos, também nos foram apresentados novos grupos, como os cristãos, motoqueiros e gays.

McManus, após se recuperar, tem em mãos uma segunda chance. Ele sabe que não pode fazer tudo funcionar sozinho, mas que independente disso, será sempre o principal responsável pelo o que vier a acontecer em Emerald City, seu projeto pessoal. Mudanças precisam ser feitas e a interação com os prisioneiros é fundamental para que tudo funcione corretamente a partir de então. Disposto a  aprender com seus erros, Tim continua mostrando grandes virtudes. Com o objetivo de que sua gestão seja transparente e democrática, ele cria um conselho para que os presos debatam assuntos que julgarem importantes. Além disso, recruta estudantes para concluírem os estudos. Seus ideais são sempre muito nobres. Mas assim como os Astecas, a “vida” continua insistindo em se intrometer em seu caminho. Suas ótimas ideias costumam esbarrar em pequenos problemas e dificilmente atingem o resultado esperado. Na primeira aula de graduação, Kenny se sente humilhado por ser analfabeto e o professor voluntário termina espancado. Ainda assim, McManus faz questão de ensiná-lo a ler numa “sessão particular”. Ainda que não leve qualquer crédito por isso, Tim volta a deixar claro que seu único objetivo de fato é a reabilitação do ser-humano para futura reintegração à sociedade.

A tribo dos Italianos está de volta, totalmente renovada. Seu novo líder: Peter Schibetta. O nome soa familiar, certo? Pois é, a família Schibetta continua viva em OZ, e a próxima geração deixa claro que seu principal objetivo é vingar a morte de Nino. O’Reily mais uma vez tenta repetir sua estratégia anterior: aproximar-se dos Italianos e incriminar os Negros, nesse caso, Adebisi. Mas Peter demonstra ser diferente de Nino. Ele é jovem, audacioso, e não parece disposto a compartilhar seu poder. Ter em mãos uma carta na manga para chantagear o diretor pode explicar seu comportamento. Ainda não sabemos do que se trata, mas Peter começa a utilizar sua vantagem exigindo o controle da cozinha.

Como não poderia ser diferente, Beecher e Schillinger protagonizaram os grandes momentos deste episódio. A guerra entre eles está mais viva do que nunca. O Alemão na realidade não mudou. Ele nunca foi aquele homem que andava assustado ultimamente. Vern apenas precisava se manter longe de problemas para conseguir sua condicional em três meses. Cuidar de seus filhos sempre foi sua prioridade, e o fato de eles estarem atualmente desaparecidos contribuiu para seu comportamento passivo. O problema para ele é que Beecher está muito disposto a acabar com sua condicional, e pagar com juros tudo o que Schillinger lhe causou. Para tirar Tobias de seu caminho, Schillinger não poderá sujar suas próprias mãos. O problema é que a fama que Beecher adquiriu recentemente dificulta achar alguém interessado na tarefa. Com as possibilidades reduzidas, quem não se divertiu com a sua tentativa com Adebisi? Sua última chance era contar com a ajuda de um guarda, e nesse caso, ninguém melhor que Diane. Além de já ter se corrompido anteriormente, Schillinger a viu atirando em Ross durante a rebelião, podendo assim chantageá-la. Mas dessa vez Diane fez a coisa certa. Ela aprendeu com seus erros e provou estar disposta a aproveitar a segunda chance que teve. A conspiração do Nazista foi revelada, o que além de impedir sua condicional, o fará ganhar mais alguns anos em OZ. Beecher está totalmente realizado. Mas será que não passou por sua cabeça que agora Schillinger não tem mais motivos para recuar? Sem perspectiva de sair, o que o impede de voltar a ser o velho Vern?

Entre todas as novas tramas, a minha preferida é a que envolve Glynn e Miguel Alvarez. O diretor descobre que sua filha foi estuprada por uma gangue de latinos. Tamanho desastre familiar é algo muito difícil de lidar. Dirigir uma prisão ao mesmo tempo parece ser impossível. Glynn resolve extravasar todo seu ódio em Miguel Alvarez, primeiro Latino que vê pela frente. Eles nos proporcionaram cenas fantásticas, onde foi possível ver em seus olhos como eles se odeiam. Esse “sangue-ruim” entre eles está apenas no começo, o que certamente resultará em grandes momentos para a temporada.

O último dos Astecas em OZ é Ryan O’Reily. Ele já demonstrou ser capaz de sobreviver ao pior cenário possível. Mas a vida… Pois é, toda sua inteligência criminal não pode o proteger de um câncer de mama. Uma “doença de mulher” que ferrou com sua cabeça.

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