Quando a família faz falta.
Começamos o episódio da semana justamente no ponto que eu havia colocado em foco na semana passada. “O mistério do vidro verde”. E não é que tal objeto não passa de um caco de uma garrafa de bebida que havia sido levada por um cara que decidiu tomar uma no terraço do prédio. Aqui sou obrigado a perguntar: Qual a necessidade dos roteiristas em dar ênfase a uma passagem totalmente desnecessária para o enredo? Talvez apenas mostrar que o assassino de Sara não deixou nenhuma pista. Mostrar o esforço do time na investigação. Ou apenas envergonhar reviewers pelo mundo, por postar teorias vazias. Não sei. Só digo que achei totalmente desnecessário e o único produto disso foi a contribuição cômica dada pela interação de Oliver e Felicity no QG. Sim estou bravo porque minha teoria estava errada.
Vamos ao que interessa. Corto Maltese foi um episódio interessante e nos mostrou um pouco do que Thea passou nesses meses de treinamento com o pai biológico. Achei legal a substituição dos flashbacks de Oliver pelos de Thea e estou apostando muitas fichas na mudança dessa personagem. Além de aprender esgrima, o treinamento lhe proporcionou um crescimento emocional e essa mudança de postura da personagem só deve agregar ao show. Oliver pensa que trouxe de volta a Starling City sua irmã caçula, e nem imagina que Speedy se tornou uma guerreira.
A motivação usada pelo Arqueiro nesse episódio foi mais tocante que a despedida de Sara no episódio passado. Talvez a famosa frase que diz, que só damos valor as pessoas depois de a perdemos, se aplique aqui. Junto com o choque de pensar que não queria morrer como Sara, Oliver também viu que não gostaria de perder Thea, o único familiar vivo que tem ciência. O sacrifício do pai na primeira temporada e depois o da mãe na segunda foi muito bem utilizado no discurso que convenceu a irmã a voltar com ele. Deixar a Speedy para trás, seria como abandonar totalmente os elementos de ligação com “Oliver Queen” e ser somente o Arqueiro. A caçula ainda funciona como âncora na personalidade do personagem.
Não sei o que esperar de Thea em Starling City. Não a vejo vestir um uniforme e se tornar mais uma combatente do crime ou integrante do Team Arrow. O que a levou a treinar foi a necessidade de se fortalecer, foi um impulso egoísta partido da vontade de não sentir mais dor. Diferente de Oliver que desenvolveu suas habilidades para sobreviver. Agora o que ela fará com o que aprendeu, ainda não se sabe. Talvez ao descobrir que o irmão é o Arqueiro ela se revolte com ele, afirmando que é dono da culpa pela morte de Moira e por ter atraído todo esse desastre para a cidade. Aí restaria a ela se aliar de vez com o Arqueiro Negro, para então assumir um codinome, um uniforme e tocar horror por aí. Pelo menos acho que faz sentido e essa relação de irmãos que lutam em lados opostos pode até ser clichê, mas funciona muito bem na minha opinião.
A introdução de Ted Grant, o WildCat dos quadrinhos, em Arrow foi bem curta, mas apresentou um pouco do que esperar do personagem. A forma com que ele lidou com Laurel foi bem peculiar e acredito que podemos esperar uma boa interação entre os dois. Falando em Laurel, a moça incorporou a justiceira e partiu para a ação. E sem medo de rimar, quanta decepção. Não queria criticar muito, mas a cena dela apanhando para o namorado bêbado da colega de AA é um erro de continuidade bem grave na série. Lá na primeira temporada nós presenciamos a Senhorita Lance bater em dois seguranças de um clube para proteger Oliver e Tommy. Depois, Laurel reagiu aos justiceiros que assassinaram o prefeito de Starling City no início da segunda temporada. Agora me respondam por favor. Como que essa moça, versada em defesa pessoal, apanha de um bêbado de forma tão idiota? Ela ainda tinha um taco de beisebol. Eu sei que os roteiristas quiseram dar uma valorizada na necessidade da personagem passar por um treinamento específico, mas simplesmente apagar o que ela já sabia foi um erro crítico. Eu pratico artes marciais há 24 anos e sei o suficiente para afirmar que é como andar de bicicleta. O corpo pode ficar enferrujado com a falta de prática, mas não se esquece aquilo que se aprendeu
Felicity Smoak e Ray Palmer continuam a nos dar um belo show. A moça, que tem até um assistente agora, ganhou um mega escritório e entra com moral na empresa. Ainda acho que a esmola desse cara é demais e não ficou claro todo esse interesse e valorização por Felicity. Quando o vemos acessando os dados do disco rígido que a Senhorita Smoak consertou, podemos até interpretar que o interesse do cara nas indústrias Queen vai além de reconstruir a cidade. Esse clima de mistério que envolve o personagem está agradável por enquanto , veremos até onde isso vai nos levar.
A chegada de Nyssa na cidade apimenta bastante as coisas. A herdeira da Liga dos Assassinos pode esclarecer alguns detalhes em relação a Sara e, ao mesmo tempo, criar tensão entre o personagens. Parece que as coisas irão acelerar no quarto episódio e saberemos um pouco mais sobre as últimas ações da Canário em sua última estadia em Nanda Parbat.
Poderia falar das referências sobre os personagens no mundo dos quadrinhos durante as argumentações sobre o episódio, mas essa semana tivemos tantos Easter Eggs e citações que deixei um espaço apenas para isso. Vamos a elas:
– Corto Maltese, a ilha que dá nome ao episódio, é fictícia e aparece no universo DC a primeira vez em The Dark Knight Returns de Frank Miller. O local foi utilizado como o centro de um incidente internacional envolvendo Superman e os russos. O interessante é que algumas pessoas relacionam a esse evento com o KGBeast que é Anatoli Knyazev, o russo gente boa que esteve conosco durante a segunda temporada. O local ainda foi citado na primeira temporada de Arrow, em referencia a uma das ações do Pistoleiro.
– Mark Shaw, o agente da ARGUS e amigo de Lyla, é mais conhecido como a versão 1980 do Manhunter. Shaw era um defensor público, que foi recrutado para uma sociedade antiga chamados os Manhunters depois de demonstrar insatisfação com a facilidade com que os criminosos são capazes de escapar da justiça. A ligação com Amanda Waller nos quadrinhos se dá quando é recrutado para o Esquadrão Suicida. Nos Novos 52, Shaw foi reintroduzido como um marechal dos Estados Unidos.
– Quando Laurel chega pela primeira vez no ginásio do Ted Grant ela o questiona sobre Tom Bronson, um dos alunos do Ginásio Wildcat. Nos quadrinhos, Bronson é filho de Ted, e possui poderes homem-gato. Bronson torna-se membro da Sociedade da Justiça da América, juntamente com vários outros heróis antigos.
– Um dos cartazes que estão na parede da academia de boxe, anuncia um confronto entre Collin Mullin e Sean Elliot. Collin Mullin é um cameraman em Arrow. Sean Elliot foi um dos cinegrafista de Smallville.
– O jardineiro da casa de Malcolm chama Thea de Mia. Esta é uma referência a Mia Dearden, que se torna ajudante do Arqueiro Verde nos quadrinhos após Roy Harper se tornar o Arsenal. Nome do meio de Thea, Dearden, já fazia referência a essa personagem.
– Gerry Conway, o assistente de Felicity, é o nome de um criador de quadrinhos que escreveu, tanto para Marvel como para a DC. Conway foi o criador da personagem Felicity Smoak.
– O comprador de Marc Shaw era Milo Armitage. Armitage apareceu pela primeira vez na segunda temporada no episódio “Tremors”.
– Os nomes da base de dados da ARGUS, que aparecem no monitor que Mark Shaw tenta vender, estão relacionados a equipe técnica do show. Alguns dos nomes podem ser vistos na lista dos créditos finais.
– Um dos esquemas de armas que Ray Palmer olha durante o final do episódio é chamado de OMAC. Nos quadrinhos, OMAC (One Man Army Corps) é um cyborg avançado. O conceito OMAC original foi criado por Jack Kirby, e foi reconstruído várias vezes pela DC.
ps1: Felicity é multitarefa. Vai acabar se complicando com o novo chefe desse jeito.
ps2: Por quanto tempo sera que Laurel vai conseguir esconder a morte de Sara para o pai?
ps3: Quero o tutorial para fazer Arcos com materiais encontrados em quartos de hotel. O mais legal é que eles ficam com a potência de Arcos profissionais.
ps4: É possível ver vários tipos de espadas na casa de Malcolm. A espada que é usada por Thea na luta entre eles é uma espada de Tai Chi de origem chinesa. A técnica para a utilização desse tipo de espada é diferente da usada para a espada japonesa a Katana. A técnica japonesa foi demonstrada na prática de Kendo ou kenjutsu tendo Thea contra dois adversários. Mesmo Malcolm sendo um usuário do Arco e Flecha ele insistiu em treinar Thea em vários estilos de luta com espadas. Será que isso pode significar para a série que teremos um confronto futuro entre Thea e Katana?














![Arrow 8×10: Fadeout [Series Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2020/02/Arrow-8x10-218x150.jpg)
