O dia em que o Mickey fez uma visita a Once Upon a Time.

Ao que tudo indica apenas Frozen não foi o suficiente e OUAT decidiu incorporar Fantasia a sua quarta temporada. Afinal, existe um limite para a própria ABC sobre o que fazer com uma animação que pode a qualquer momento receber uma sequência, já que se tornou uma queridinha e altamente rentável. E olha, o resultado está sim satisfazendo minhas expectativas.

Pela primeira vez eu consegui concordar com um episódio que tentou transformar Emma e Hook em, apenas um casal normal. Não é fácil, mas eu entendo que é preciso mesmo dar aquela escapada dos terrores habituais e trabalhar os relacionamentos entre os personagens. Fica um pouco agridoce quando o relacionamento dos dois é constantemente colocado no rol dos momentos impossíveis, porém, de forma alguma isso chegou a prejudicar o andamento do episódio.

Nos deparamos mais uma vez com o empecilho da temporada para que o namoro entre CaptainSwan não dê certo, mas respiro aliviado por não ter magia envolvida e apenas a turbulenta personalidade do Killian. Afinal, são humanos se portando como humanos saídos de contos fantásticos, de interações com Peter Pan e Branca de Neve, mas no final, de carne e osso. Dignos de sentimentos e questionamentos, com vidas e identidades próprias. Por debaixo de um romântico, existe um pirata e mais cedo, ou mais tarde, ele iria aparecer. Ou será que todos nós acreditamos no poder de Emma Swan, de domesticar completamente Capitão Hook?

Um dos aspectos da série que sempre vem sendo trabalhado, independente da temporada, ou do vilão, é esse arquétipo da dualidade do ser humano. Em alguns casos dá certo, outros, nem tanto. É só lembrar do coração da Snow, com suas manchas negras e que foi rapidamente abandonado por não terem encontrado um terreno firme para desenvolver a história. Com Hook é mais fácil, sim. Da mesma forma que também é mais simples de fazê-lo com Rumpels. Se bem que, eu gostaria de vê-los tentando algo parecido com um personagem que não possui passado vilanesco.

Logo, imaginar que a Tia Sorveteira de alguma forma converta Emma para o lado sombrio até se torna algo divertido. Se nem todas podem ser princesas, algumas precisam se tornar bruxas para dar uma sacodida na trama. Com Gold, recém-casado com a luz de seu mundo, não poderia ser diferente. Confesso, as vezes esse chavão se torna cansativo, mas Robert Carlyle é melhor no papel de crocodilo, do que no papel de marido/vovô feliz. Aceitem, dói menos.

Lidando com a trama inserida nesse episódio, digo que Fantasia é, ou melhor, se tornou a parte mais interessante da quarta temporada. Sim, esqueçam Frozê, deixem a Tia Sorveteira de lado por alguns minutos e reflitam comigo: O plot veio avançando lentamente desde o primeiro episódio, a promessa do chapéu mágico, o que ele tinha de especial para oferecer em OUAT e todas as possibilidades surgiram e tomaram espaço na série. Frozen está legal? Sim, mas sem Elsa vilã, ou qualquer outra mudança que gere algum tipo de impacto na vida dos personagens, Frozen se torna apenas mais um conto dentro de tantos outros. Ele acaba se tornando sim aquilo que todos nós já sabíamos lá no season finale da terceira temporada, apenas uma maneira de trazer mais fãs para a série e manter uma boa audiência.

E essa nem foi a primeira vez que a Disney tentou trazer a história de Fantasia para o live action. Alguém se lembra do filme com o Nicolas Cage? Pois é, a tentativa de emplacar o Mickey em carne e osso não foi experimentada só em OUAT e eu estou sim muito ansioso para saber o que teremos até lá. Quanto ao novo Mickey, não sei ainda o que dizer sobre, só sentir mesmo. Henry como Mickey é até engraçado, já que os dois dividem certa trava na língua, porém, não estou muito animado para nada que venha do garoto, mas estou disposto a dar uma chance. É gritante ver a importância que ele tem na série, ganhar uma temporada exclusiva para sua “rebeldia” com Peter Pan não foi suficiente e decidiram fazer dele o novo aprendiz, posto ocupado pela mascote e figura mais importante da Disney.

Por falar na mascote, eu esperava um pouco mais de sua aparição na série. Queria que ele se tornasse alguém realmente importante para o desenrolar da trama ao redor do escritor do livro e não só um protetor que encontrou seu fim pelas mãos de um dos tantos ‘Dark One’. Ele tinha muito a oferecer e sua saída, para mim, foi prematura ao extremo. Entretanto, divido com vocês que minha confiança está pouco a pouco se restaurando, e ainda que não totalmente satisfeito com o fim dessa personagem (passageiro, talvez), estou disposto a ver até onde esse plot caminhará, com fé. E voltar a ter fé em OUAT é tudo o que eu sempre quis, podem ter certeza.

Mas, como sempre, alguns tropeços no caminho fizeram com que ‘The Apprentice’ não atingisse nota máxima no quesito aproveitamento. A série precisa se preocupar um pouco mais em não nos dar todas as explicações possíveis dentro dos diálogos dos personagens. Os efeitos especiais da série podem ser bem lerdos, mas os telespectadores não. As cenas do Hook e do Rumpels em determinado momento se tornaram a “pausa da reflexão”, onde tudo, exatamente tudo o que motiva o Dark One foi revelado, uma extensão das cenas com a Anna na Floresta Encantada. Ou seja, assistimos a uma aula de revelação do plot (duas vezes), algo totalmente desnecessário, afinal, existem maneiras mais inteligentes de se contar o plano do vilão, sem que o clichê supremo seja utilizado. Não acham?

Pelo menos durante os flashbacks a série utilizou o bom e velho “há muito tempo atrás”, sendo essa a maneira de lidar com os erros de continuidade que tanto levantaram indagações ao perfil dos criadores da série no Twitter. Mas, tudo bem, foi até agradável descobrir o que Zoso queria e se vocês se lembram do desfecho derradeiro de um dos feiticeiros da Floresta Encantada, nós o vimos lá primeira temporada, no episódio oito, “Desperate Souls”. E se OUAT as vezes tem a linha do tempo mais destruída da televisão, em alguns momentos ela até que consegue gerar alguns agradados para quem está com a série desde o começo.

Fico um pouco constrangido ao comentar sobre Snow e Charming, porque até que eles conseguiram passar um ar menos inútil nesse quarto episódio. Pasmem, ao não realizar praticamente nada e só se comportarem como pais, os dois cooperaram muito mais para a série do que quando estavam tentando salvar a cidade (White Out), ou se tornando figura política (Rocky Road). É triste ter que dizer isso, mas o casal foi tão jogado e exaurido dentro da trama, que ter ambos apenas sentados, agindo com pais e contribuindo lentamente para que Elsa não se torne apenas uma figura de decoração do cenário, foi o suficiente para passar inclusão sem excessos, ou cenas esdruxulas como as da “reunião” na prefeitura, ou o flashback bizarro com a Bo Bepp e o David cabeludo.

Logo, Fantasia entra como um sopro de ar fresco em uma série que precisa desesperadamente emergir para tomar um ar. Não, Frozen sozinha não tem capacidade de sustentar uma temporada inteira, ou meia temporada, tanto faz. E fica bem óbvio o quão dispensável ela acabou se tornando. Elsa e Anna se tornaram coadjuvantes da própria proposta de trazer a animação para a série, ninguém realmente está se preocupando e a única motivação é reunir as duas irmãs. Por sorte ainda temos flashbacks que nos trazem a leveza da Anna e escondem a inanidade da Elsa, mas sejamos justos, Tia Sorveteira é quem entrou para fazer a diferença na série, ao lado de Rumpel e Regininha, que anda meio sumida, mas nunca esquecida.

PS. Emma apelou para um vestidinho nude, e é o máximo de NUDE que teremos em Once Upon a Time, uma série família. Contenham-se!

PS². Algo me diz que Rumple quer mais poder não só para se ver livre da adaga, mas também para (tentar) trazer Neal de volta. Olha, não. Não, não, não, não, não e não.

PS³. Tia sorveteira, eu vou virar um boneco de neve na sua cara. Ou fala logo o que quer, ou para de deixar rastro de lesma pela cidade.

PS4. Só eu achei extremamente esquisito/nojento o Rumple manter a mão do cara dentro do pote de palmito, por todos esses anos? Eu nem quero pensar o que essa mão representou nos momentos de solidão pré-Belle.

PS5. Por falar na mão, imaginem um crossover de Família Adams e Storybrooke? Mãos vingativas também podem amar.

PS6. Elsa debochada, dizendo na cara dura que o vestidinho da Emma não é apropriado para usar no Templo de Salomão. Estamos de olho, sua venenosa.

PS7. Henry dando um empurrão na Emma para ela se encontrar com Hook, jogando conselhos amorosos para a Regina e o Hood. Ou esse menino virou terapeuta, ou ele também não vê a hora de ter a casa só para ele. Sabem como é a tal da puberdade, né?

PS8. Com o PS anterior eu fecho meus comentários que envolvem mãos nesse episódio. Quem entendeu, entendeu.

PS9. Só eu percebi que o casal no restaurante estava reencenando a cena de a “Dama e o Vagabundo”? Homenagem? Ou participação canina na série? Se sim, onde estão os 101 Dálmatas? Mistérios de OUAT.

PS10. Gente, e se a Anna não chorasse? O Rumpels ia puxar as trancinhas dela e a chamar de feia? Em momentos como esse, eu giro os olhos com tanta força que tenho certeza que eles vão parar na nuca.

PS11. Passei esse episódio inteiro me lembrando do finado programa do SBT, Fantasia e cantando “Fantasia, no arrrr”. Sim, sou velho.

Artigo anteriorPerson of Interest 4×04: Brotherhood
Próximo artigoPrimeiras Impressões: Kingdom