E a lista de inimigos só aumenta.
Algo mudou. Algo fundamental. E não me refiro a como você e seus amigos agem. Acho que você sabe o que está havendo. E eu acho que você me deve a verdade”
– Elias
Não há vida fácil para os mocinhos de Person of Interest. Não bastasse terem que lidar com a ameaça do Samaritan, viverem escondidos e ainda precisarem trabalhar com recursos financeiros e tecnológicos muito mais limitados, eis que o Team Machine agora possui um novo e destemido inimigo que certamente deverá causar muita confusão e aumentará ainda mais os trabalhos de proteção aos irrelevants.
Comandada por um líder evasivo, esperto e inconsequente, a Brotherhood é a mais nova pedra no sapato de John, Finch, Shaw e Fusco. Ao contrário da maioria das gangues de traficantes, a organização de Dominic não opera por meio de territórios, difundindo-se desta forma por uma região extensa e não se importando de bater de frente com os “donos do pedaço” locais. Além disso, ao mesmo tempo em que atua diretamente no pelotão de frente, Dominic consegue manter sua identidade oculta da maioria de seus subordinados, tornando praticamente impossível que alguém consiga identificá-lo e, consequentemente, localizá-lo. Nem mesmo Elias.
Ah, Elias! Como é bom ter o vilão mais querido e carismático da série voltando a participar com mais frequência! O diálogo dele com Finch foi provavelmente o melhor ponto do episódio, porém desta vez não apenas pela canastrice do mafioso mas também por evidenciar que ele está bastante ligado no que ocorre em sua volta. Além de acrescentar mais um ponto de interesse e atenção na temporada, o fato demonstra mais uma vez o cuidado que POI tem com seus personagens, visto que seria bastante inverossímil se Elias, dada sua perspicácia, demorasse a perceber que algo “fundamental” mudou a sua volta. Agora, o que será que ele irá fazer com o que foi dito a ele por Finch? É claro que ele não vai ficar quietinho só porque Harold lhe disse que a informação poderia colocar sua vida em risco, porém será que ele ainda agirá com cautela e ficará observando o que está acontecendo (tornando-se invisível, conforme sugeriu Finch) ou o veremos em breve tentando juntar mais alguns pontos e cobrando de Harold mais informações?
Ainda que Brotherhood tenha sido relativamente simples, o reaparecimento da gangue (já citada anteriormente em Panopticon) certamente confere ao episódio um status superior ao de um caso da semana comum. Com Dominic e Link soltos por aí o Team Machine provavelmente será obrigado a enfrentá-los outras vezes na temporada, fazendo com que em um primeiro momento a série divida as atenções dos fãs entre a Brotherhood e o Samaritan. Mas será mesmo que a gangue não possui ligação alguma com a “máquina do mal”?
Pode ser apenas que meu desconfiômetro tenha apitado fora de hora, porém uma frase de Brotherhood me chamou a atenção e fez com que eu começasse a tentar enxergar se não existe algo a mais além do que a série está nos mostrando. No final do episódio, Link diz que teria enviado alguém para buscar Dominic, mas não o fez porque estava seguindo ordens. Creio que o primeiro entendimento da maioria dos fãs (inclusive eu) foi de que tais ordens seriam do próprio Dominic, mas… e se não tiverem sido? E se Greer (ou mesmo o Samaritan) estiver por trás das ações da gangue? Ora, sabendo do potencial do Samaritan, já estaria mais do que na hora de Greer perceber que o Team Machine conseguiu de alguma forma impedir a identificação de seus membros pela criação de Claypool, de forma que a realização de alguns crimes aparentemente irrelevantes seria uma maneira bastante eficiente de fazer com que John, Finch e cia. aparecessem. E se Greer já usou de estratégia parecida na temporada passada com a Vigilância, por que não repetir a estratégia agora?
Brotherhood foi um bom episódio, porém é necessário ressaltar que ele teve alguns defeitos raramente vistos na série, especialmente quanto a alguns clichês utilizados, tal como o abuso de salvamentos de última hora e, principalmente, de personagens mostrando não serem quem aparentavam. O caso de Dominic foi mais difícil de perceber e pode até ser relevado (ainda que a situação tenha lembrado a revelação da identidade de Elias no ep. 1×07 – Witness), porém já o da agente Lennox foi bastante óbvio, com o truque manjado e preferido de autores como Dan Brown e Sidney Sheldon do personagem que parece bonzinho e que no final revela ser o vilão (desculpe se você nunca leu as obras de algum dos dois, mas eu acabei de contar praticamente o final de todos os livros! :-P). No entanto, tais obviedades não vieram a estragar o episódio e, ainda que Brotherhood talvez tenha sido o mais fraco da temporada até o momento, ele certamente teve muito mais pontos positivos do que negativos.
Observações
– Shaw estava ligada no modo total bad ass, do jeito que ela mais gosta (e nós também). A cena da ré no carro dos bandidos foi demais!
– E o Bear comendo os trabalhos dos alunos de Finch, ou melhor, do professor Whistle? Assim com o John eu queria ver ele explicar pros alunos que o seu cachorro destruiu o trabalho deles!
– Também foi bastante interessante ver Elias mostrar uma certa insatisfação com Harold e lembrá-lo de que os favores pedidos por John e ele exigem uma certa retribuição, afinal, Elias já andou quebrando o galho da dupla de graça um pouco além da conta, não? Não dá pra esperar tanta bondade assim de um mafioso sem que não haja uma contrapartida.
– E os grampos da Shaw em todos os membros do Team Machine continuam funcionando. Ê garota abusada!
Frases
– “Olá, Harold. Confesso que senti falta das nossas partidas de xadrez. Onde você andou se escondendo?” (Elias para Finch)
– “Você pegou um homicídio sétuplo? Sétuplo, tipo sete?” (Lionel para John)
– “Acho que você aguenta bem a dor. Pode ser até que goste. Assim como eu.” (Shaw para Mini/Dominic)
– “Todos nós morremos no final.” (Mini/Dominic para Shaw)
–“Se quiser ser o cara, você tem que ter um plano” (Malcolm para John)
– “Você tem razão. A culpa é sua. Não significa que você não possa consertar.” (John para Malcolm)
– “Já conheceu o meu parceiro?” (John para capangas da Brotherhood)
– “Não pode fazer a coisa certa fazendo algo errado.” (John para Malcolm)
– “Solte o Detetive Riley e esqueça as crianças Booker. Ou eu vou soprar, vou bufar e vou queimar sua casa até o fim.” (Shaw para Link)
– “Não sabia que você se importava, Harold.” (Elias para Harold)
– “Eu só posso dizer que você tem razão. O mundo mudou. Acredito que não tenha volta.” (Harold para Elias)
Diálogo 1 (Lionel e John)
L: “Você pode me agradecer com uma costela, talvez com algumas batatas assadas…”
J: “Está pedindo o jantar, ou existe outra razão para ter ligado?”
Diálogo 2 (Finch e Shaw)
F: “Eu me referia a como conseguiu pôr um dispositivo de rastreamento sem o nosso amigo notar.”
S: “Eu plantei um em você, no Fusco… Até no John. Não foram descobertos ainda.”
F: “Lembre-me de parar de perguntar sobre a sua forma de agir.”
Diálogo 3 (Elias e Finch)
E: “É um negócio traiçoeiro. Jogar um jogo sem saber quais são as peças.”
F: “E nesse jogo, temo que perder não é uma opção.”















