A Batalha que vai partir o coração de qualquer fã dos dois melhores dramas sci-fi de todos os tempos.

Antes de começarmos, tenho que fazer as típicas ressaltas desse tipo de situação. Amo cada uma das séries igualmente, aproveitei e me emocionei com cada momento delas, e julgá-las é bastante difícil, principalmente pois nesse processo é preciso notar falhas que muitas vezes não atrapalham a história e passam despercebidas, mas que quando comparadas as de outra série igualmente brilhante, se tornam pequenos pontos essenciais que acabam decidindo quem é a vencedora. Também quero deixar claro que isso não é uma briga entre fãs. Portanto, sejam legais nos comentários. Não briguem, conversem. Não xinguem, argumentem. Vamos nos divertir comparando e dissecando partes importantes de duas das maiores e melhores obras televisivas da história, ok?

Spoilers específicos de ambas as séries em branco. Selecione para ler.

Ok! Então vamos começar. Dessa vez, a batalha terá cinco rodadas que resultarão em um veredito, dado pela contagem – ou não – de quem venceu mais. Os quesitos serão: personagens, mitologia, desenvolvimentos, produção e elencos. As categorias foram escolhidas de modo a considerar aspectos diversos de cada show, desde a escrita até as interpretações profundas sobre os temas abordados nelas.

Personagens

Essa é uma das mais importantes pois Lost e Battlestar Galactica conseguiram algo que outras séries como Heroes e Flashforward falharam miseravelmente: criar um mundo complexo, com várias conexões, grandes e reais. Fomos no decorrer das temporadas crescendo junto com essas pessoas e aprendendo os erros e lidando com suas conseqüenciais, algo que tanto Darlton como RDM conseguiram executar com perfeição absurda.

Cada conjunto e indivíduos neles têm as suas particularidades, mas o que acaba sendo o fator decisivo é o tamanho dos eventos iniciais que afetaram suas vidas e nisso, é vitória para Battlestar Galactica. O Impacto de ver TODOS que você ama morrendo e você não poder fazer nada é uma marca gigantesca que ficou com eles até os minutos finais do series finale e a maneira como eles lidaram, como tentaram superar isso é levemente mais interessante e superior do que certas histórias de redenção em Lost, que em certos casos acabaram num desastre (Paulo e Nikki estão como prova principal até hoje) e não se relacionaram de maneira boa a trama. Em BSG, todos tiveram a chance de brilhar, enquanto em Lost, por motivos do mundo real e abertura que o mundo fictício ganhou no decorrer dos anos, alguns saíram e deixaram um gosto amargo na boca dos telespectadores.

Mitologia

Eu não vou ser muito longo pois uma dessas duas séries foi definida quase completamente pela sua, e essa é, obviamente, a vencedora dessa rodada: Lost. Adão e Eva, a escotilha, Os Outros, a estátua, o Black Rock, as misteriosas regras… Tudo isso ocorreu – e ainda está ocorrendo – de maneira chocante, enquanto Battlestar Galactica decidiu criar uma ainda mais complexa, que saiu fora do controle dos roteiristas durante o final e deslizou em algumas partes.

Lost pode acabar não respondendo todas as perguntas criadas, mas BSG fez ainda mais e não deu resposta para algumas das mais importantes. Eu não me importei muito pois achei o series finale espetacular em concluir aquela saga de forma épica, mas há uma grande (mais do que esperada até) porção de fãs que odiou exatamente por isso, pelo não encerramento próprio da enorme mitologia criada. Assim, o resultado não poderia ser outro tendo em vista que já nessa temporada final, nós recebemos ótimas respostas para grandes perguntas e pelo visto, a série continuará nesse ritmo.

Desenvolvimentos

Uma coisa interessante ao assistir e rever essas séries é perceber o quanto elas tem em comum. As situações, as reviravoltas, tudo tão criativamente diferente mas a maneira surpreendente que acabou se transpondo para a tela traz uma conexão inegável, tanto que o fator decisivo aqui, vai ser algo que ambas tem como prioridade, mesmo que de maneira discreta: risco e recompensa. E Nisso, Lost vence.

É Inacreditável o número de vezes que a série poderia ter virado algo horrível de se assistir, mas ela sempre utilizava desses movimentos arriscados para alcançar grandes e narrativamente maravilhosas recompensas, enquanto BSG demorava mais tempo para elaborar as reviravoltas e acabava colhendo os frutos cedo ou tarde demais. O Arco inicial da terceira temporada, por exemplo, foi a melhor e mais importante fase da série e só acabou trazendo conseqüências sérias lá pra metade da quarta temporada com o motim. Isso não é um defeito pois essas histórias, como já disse, são sim narrativamente boas, mas em comparação, o formato que Lost seguiu foi muito mais audacioso e assim, melhor.

Produção

Os detalhes nós não sabemos muito sobre, mas o que os olhos vêem não deixam dúvidas em relação ao esforço de ambas as equipes técnicas para tornar cada episódio mais real o possível, portanto, teríamos que declarar empate se não fosse por uma coisa: os efeitos especiais.

Gosto muito de Lost, mesmo em seus piores momentos, mas os efeitos empregados ás vezes são pura vergonha alheia. Quer dizer, o que foi aquele submarino no final da quinta temporada? Eu já vi coisas mais reais em produções da internet. E Enquanto isso, Battlestar Galactica não deixou cair a bola uma vez em relação a isso, sendo aliás, aclamada pelas premiações de importância ao apresentar um verdadeiro show para os olhos em episódios como Exodus e Daybreak. Portanto, não deu outra: vitória de BSG.

Elenco

Todos os fatores acima citados não valeriam nada sem esses dois grupos de pessoas que passaram as palavras dos roteiristas para a tela com tanta emoção e realismo. O Que dizer do Edward James Olmos interpretando o Adama em todos os estágios daquela situação aterradora ou o Terry O’Quinn, atualmente transmitindo para nós uma versatilidade absurda como o MIB? Eles e outros fizeram essas duas séries que amamos passarem de sonhos a algo possível e assim, se tornarem as duas melhores da última década.

Portanto, não vejo outra saída. Analisei os fatos, revi cenas, li sobre outros projetos dessas pessoas e o resultado desse round decisivo é… Que não temos um resultado. Sou, infelizmente, obrigado a declarar empate nesse quesito pois para cada Mary McDonnell que eu cito tem um Michael Emerson, pois pra cada Katee Sackhoff tem um Nestor Carbonell e por aí vai. Esse quesito é, sem dúvida alguma, impossível de alguém em boa consciência decidir com 100%  de certeza e como eu não consegui tomar um lado, não o farei e me sentiria extremamente mal e injusto se o fizesse.

Veredito:

No somatório, deu empate. Mas, considerando todos os fatores, a margem grande pela qual cada uma venceu ou perdeu, orgulhosamente declaro que Battlestar Galactica é a vencedora da batalha das séries. Ambas foram extremamente bem e a diferença de qualidade é mínima, porém, temos que levar em consideração algo que Lost só está começando a fazer agora: finalizar suas histórias. Isso ainda é uma incógnita e pode acabar sendo a melhor parte da série, de modo a superar a vencedora BSG, ou a pior, de modo a desqualificar até alguns dos argumentos favoráveis aqui apresentados. Tudo é uma questão de tempo e no dia 23 de Maio teremos absoluta certeza. Enquanto isso, eu vou lembrar das qualidades de ambas e do quão eu adoro cada uma delas igualmente, independente de qual acabou vencendo esse duelo.

Bem, espero que vocês tenham gostado. Foi uma alegria revisitar momentos tão especiais e até os falhos de cada uma delas. Até a próxima

Artigo anteriorThe Office – 6×20: Happy Hour
Próximo artigoAudiência USA – 28/03/2010: Domingo