The Flash, a nova queridinha da CW.

Não foi surpresa nenhuma testemunhar a gigantesca audiência de Flash no seu episódio de estreia. Mesmo sofrendo um “vazamento” do piloto alguns meses atrás, nada disso comprometeu o recorde batido pela série, a maior em cinco anos desde The Vampire Diaries. Mas não apenas isso, The Flash começou bem, de forma sólida e bem mais definida que muitas outras séries do gênero. Se Arrow amargou uma primeira temporada um pouco distorcida da visão do herói, Flash será a verdadeira bandeira dela.

A começar por Barry Allen, uma das encarnações do corredor escarlate, não a mais popular, como Wally West (dos desenhos animados da Liga da Justiça), mas o carro chefe da DC e seus novos 52 nos quadrinhos. Sou parte daquela parcela de pessoas que reclamou um pouco quando a escalação do ator saiu, lá nos meados da segunda temporada do Arqueiro Verde, mas depois de ter sido surpreendido DUAS vezes por Grant Gustin, no preliminar do spin-off e nesse piloto, eu só tenho a agradecer as mentes por trás da CW e dessa escalação.

Verdade seja dita, o que mais existiu nesse episódio e existirá na série é a pavimentação de um futuro para o herói. Tudo é meio pré-definido e ao mesmo tempo nos encontramos em um rol de situações imprevisíveis. Até os aliados carregam estigmas e expectativas grandiosas para si. No próximo parágrafo pretendo discorrer sobre os personagens e soltar alguns possíveis spoilers, se você não quiser saber o futuro de algum deles, passe para o seguinte.

Caitlin Snow nos quadrinhos é a Killer Frost, uma vilã que manipula o frio, seu noivo (aparentemente morto), é Firestorm, que na série foi escalado e será interpretado pelo primo do ator que vive o Arqueiro Verde, Robbie Amell. Já Cisco Ramon poderá se tornar o Vibro. E o mesmo vale para o policial bonitão, Edward Thawne, que muito se assemelha ao nome Eobard Thawne, o Flash Reverso, apesar de sua origem ser mais parecida com a do terceiro Flash Reverso, Hunter Zolomon. Hunter nas HQs trabalha como policial na cidade de Keystone City, a mesma que Edward veio transferido, mas ele é inimigo do Wally West e não do Barry. Imagino que para alguns de vocês esse trecho ficou confuso, mas a família Flash é assim, lidam com viagens no tempo, paradoxos e outras coisas menos fáceis de compreender, e é exatamente esse o perigo para a série, conseguir dosar tudo sem confundir todo mundo, como eu posso ter feito nesse parágrafo.

Tudo em Flash é possível, dos personagens acima citados realmente se tornarem quem eles são nos quadrinhos, ou tudo não passar de uma forma de nos despistar, o maior mérito da série deverá ser o de conseguir nos manipular. Mas, sempre é arriscado brincar com essas expectativas, ou nós como fãs, poderemos acabar não desejando certos desfechos para algum deles.

O grande plot da temporada irá girar ao redor do assassinato da mãe do Barry, livrar o pai e provar o verdadeiro culpado deverá se tornar o alvo principal do Flash. E para isso ele terá a ajuda do seu mural do esquisito, uma doce lembrança da era de ouro de Smallville na TV. E como não comparar um pouco essas duas? Flash difere de Smallville pelo peso em cima do personagem, que não é um Superman, mas também se separa por ser bem mais madura e crescida, a começar por não estarmos no ensino médio. Nesse lado, ponto vai para o Flash.

Existem muitas figuras paternas na vida de Barry e é algo que ele precisará aprender a lidar. A longo prazo, ter um pai na cadeia o aconselhando, um tutor e chefe, mais um professor responsáveis pela criação de Barry Allen e do Flash, levantará sim várias indagações e muitos conflitos, e nem falei nada sobre o Arqueiro Verde, Oliver é também um tipo de mentor. Isso deve nos distanciar um pouco do clima de amor não correspondido e nos aprofundar mais na construção desse herói que já nasceu praticamente pronto.

Sim, Flash difere de outras séries porque faz exatamente o que mais pedimos quando algum estúdio decide dar reboot em alguma franquia conhecida, ela não reconta a origem como se estivéssemos vendo pela primeira vez aquele personagem. Muito se dá pelo fato de já conhecermos Barry de Arrow, mas também pela inteligência de Geoff Johns, que além de ser atualmente o Manda-Chuva da DC na TV, já foi responsável pelas histórias do corredor escarlate nos quadrinhos, entre outros.

Por falar no Johns, vocês viram que dentro do episódio existiu uma menção a Ferris Air? Essa empresa é onde trabalhou Hal Jordan, o Lanterna Verde. Outro herói que Geoff já escreveu para. Se a Marvel atualmente tem Joss Whedon, a DC tem o Johns. Ele também entende de dinâmica de grupos e como Flash foi um dos membros fundadores da Sociedade da Justiça, imaginem o que poderemos esperar dessa série daqui algumas temporadas? É a nossa chance de ter finalmente a junção de heróis que possuem séries próprias e não apenas aparecem eventualmente para salvar o dia e depois caem no esquecimento.

Não existem segredos. Flash teve sua história de origem nesse piloto, o que vier além é o desenvolvimento do personagem, introdução de vilões e da ameaça da temporada. Logo de cara Barry já conquistou seus poderes, aprendeu a utiliza-los e teve seu segredo revelado a seu pai/chefe. Não se enganem, apesar de manter um ar mais leve, The Flash já veio carregada de maturidade, em um texto que preza pela nossa diversão sem ferir o andamento do episódio.

É verdade que toda série da CW, por mais diferente que seja sempre estará carregada de elementos mais “novelísticos”. O drama do coma em que o mocinho acorda e então encontra sua amada nos braços de outro é bem novelão mesmo, assim como o triângulo amoroso. Mas reclamar desses elementos não irá fazer com que eles sumam, afinal, o mercado a qual se direciona é esse, e o público que consome o quer assim. Se Arrow que adotou para si um ar mais sombrio tem em seu texto esses mesmos pontos, não é de se estranhar que Flash também os possua.

Essa é uma série que carrega grandes promessas. Não apenas de ser uma expansão de Arrow, ou apenas um spin-off, mas de representar o futuro da DC na televisão como um todo. Gotham ainda não é uma série boa, sua identidade flutua muito entre o divertido e o sombrio. Constantine ainda é um mistério e já começa com baixa no elenco, ainda tenho muitas ressalvas a respeito dela. Já Flash não, a própria campanha de marketing da CW em cima da série e seu esquema agressivo de exibição dos primeiros episódios, reexibindo os após Arrow mostra que ninguém está de brincadeira.

Além do mais, por já existir um Flash dos anos 90, essa é a segunda chance do herói. Claro, lá nos anos 90 o espaço para esse mercado era bem menor na televisão, quase inexistente, aqui tudo mudou. Estamos no momento sofrendo uma explosão de adaptações dos quadrinhos para a TV, são sim os novos vampiros. Mas sabe o que os difere? Vampiros acompanham uma regra básica, se alimentar de sangue, não sair na luz do dia (com ressalvas), não envelhecer e ter séculos de histórias para contar, os heróis e personagens da DC e Marvel não, são no fundo, humanos. E as possibilidades são imensas, cada um em seu nicho especifico, mais leve, mais sombrio, sobrenatural, policial. Nós só temos a ganhar com essa diversidade. E não posso esquecer, esse renascimento do herói não é apenas para a TV, nos quadrinhos Geoff trouxe Barry dos mortos, literalmente. Existe uma pressão grande ao redor da série e do personagem, também.

O piloto de Flash é redondinho. Não é um monstro de qualidade, mas é extremamente fácil de assistir e divertido de acompanhar. Introduzir o Mago do Tempo como vilão do episódio foi bom, coloca peso no inimigo e mostra um modelo arrumadinho nos efeitos especiais, nada muito gritante. O trabalho da equipe por trás das duas séries, Arrow e Flash é de assustar e eu só imagino saltos gigantescos de qualidade até o mid-season finale, que é possivelmente o momento em que o vilão será revelado, ao seguir a receita de Arrow com Slade Wilson na temporada passada do arqueiro.

Easter Eggs

– Durante o assassinato da mãe de Barry é possível ver os raios amarelos do Flash Reverso, o principal inimigo do Flash.

– Em uma das celas do laboratório S.T.A.R. é possível ver uma jaula quebrada com o nome Grodd. Nos quadrinhos Grodd é um gorila super inteligente e vilanesco.

– Ferris Air, como já mencionado na review é a empresa que Hal Jordan (Lanterna Verde) e Carol Ferris trabalham.

– Jornal do futuro. Nas manchetes podemos ler alusões a “Crises nas Infinitas Terras”, um grande evento da DC em que realidades paralelas são colocadas em xeque. Nesse arco o Flash acaba morrendo e o “Red Skies Vanish” é um sinal característico dessa crise.

– Também podemos ver no jornal um novo tipo de uniforme para o velocista escarlate, dessa vez mais próximo das HQs com o símbolo branco e amarelo no peito.

– Wayne Tech e Queen Inc Merger – Batman e Arqueiro Verde se juntando (ou só juntando as empresas).

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