R.I.P. peruca.

Foi um retorno intenso, com participações mais que especiais, um caso da semana curiosíssimo (adorei a dissociação de personalidades de Jane #sdsBreakingBad) e muita MacGyverisse por parte de Red, que foi “sequestrado” duas vezes no mesmo episódio, fez chover fogo e escapou de uma revoada de balas melhor do que Neo em Matrix.

A cena que abre o episódio nos relembra o quão frio Reddington pode ser em sua missão. Um exército que ainda cheira a leite não o fez esboçar qualquer reação e é daí que vem o perigo, você nunca sabe o que esperar de quem aparenta ser indiferente a tudo. Sim, aparenta, pois quem chegou até aqui sabe que essa mania de Red fazer a egípcia é fachada.

Mesmo tendo colocado uma cara em Berlin, seguimos com o padrão vilão-da-semana. Por mais que eu tenha admirado o absurdo, a criatividade e o casting dessa semana, me pergunto se esse formato procedural ainda é o melhor, agora que temos um vilão-mor e queremos o embate entre os dois grandes peões desse tabuleiro. É de esperar que eles passem alguns bons episódios brincando de gato e rato, mas essa temporada poderia ser a oportunidade de inovar no formato e partir para algo mais libertador e construtivo para a história. Como C.S?I. fez na temporada do Assassino de Miniaturas. Talvez seja pura ansiedade minha e ainda seja muito cedo para renovar o formato, mas coisas engessadas tendem a me incomodar mesmo e uma nova temporada sempre me soa como uma nova oportunidade. Nessa Season Premiere, o caso da semana casou perfeitamente com a situação presente de Berlin e Red, em vez de fazer referência a algo que ainda descobriremos no futuro, como acontecia muitas vezes na temporada passada. Mais simples e direto, mas igualmente importante para construir o cenário que vamos habitar a partir de agora. Acredito que os próximos casos da semana servirão para aproximar Red de sua caça e caçador.

Fico aliviada que todos já aceitaram que Red só fala com Liz, até o novo Cooper e a própria Liz. Sem lenga-lenga, sem jurar que nunca mais fala com ele pra se desmentir no mesmo episódio. Espero que esse seja um marco de um novo comportamento por parte da agente e que ela abrace de vez essa parceria. Por mais amoral que possa ser, todos acabam ganhando alguma coisa ao trabalhar com o Concierge do Crime, nem que seja uma verdade inconveniente.

Sinto que a série cresceu como um todo, pois me fez me importar com um elenco que outrora só me provocava bocejos. Por exemplo, esse plot da terapia forçada de Ressler me incomodou, uma vez que no fim da última temporada Diego mostrou seu valor e fez bonito ao lado de Spader, até com Megan Boone ele provou ter química e esse mérito é TODO dele. Sorri ao rever Aram, comemorei o retorno de Cooper (sabe deus até quando, já que a doença do moço ainda é um mistério). Kudos para James Spader que com seus plots paralelos com cada um deles, tornou os personagens mais cativantes. A matemática é simples: quanto mais envolvidos com Red, mais interessantes eles se tornam.

Esse convívio com Red tem um preço, nenhum deles chegou ileso até aqui. Malik e Luli que o digam. Ressler tomou tiro, perdeu a amada e tá tomando bolinha, Cooper quase morreu, Lizzie descobriu que seu marido era um espião, o vê “morrer” e ainda descobre que Red matou seu pai – por compaixão. A lista de desgraças não é pequena nem termina aqui. Todos chegaram a essa temporada com mais bagagem para carregar e lidar. Ou não, né Ressler?

Como boa fã de Mary Louise Parker, espero que seu arco dure muitos episódios e revele alguns dos mistérios do passado de Reddington, a filha deles seria um ótimo começo, mas acho que é pedir demais. Já fiquei feliz com a revelação de sua participação durante a Comic Con e mais feliz ainda agora que sei que ela é a ex de Red, ora, quem melhor para trazer seus podres a tona do sua ex?

As adições de Louise Parker e Stormare aumentaram minhas expectativas a níveis periclitantes. Mal posso esperar para ver todas as possíveis combinações desses três contracenando juntos. Quero ver o exército que Red irá levantar para recuperar sua ex-mulher o mais inteira possível. Achei maravilhoso o requinte de crueldade de Berlin, de enviar o mesmo relógio que recebeu na prisão com a foto de sua filha, agora com a foto de Mrs. Reddington, na mesma pose de sua finada infante. Só não entendi porque mandar Red ir atrás do relógio em um apartamento sujo e mandar o dedo para o hotel. A coisa dos steps cria tensão, eu gosto, mas a ida àquele apartamento foi gratuita. The Blacklist já faz uso de muita licença poética, como Red saber tudo e seu timing impecavelmente conveniente, entre outros, então podemos passar sem essas gratuidades, já temos tensão, conteúdo e acontecimentos suficientes por episódio. Esses recursos se tornam desnecessários e acabam chamando mais atenção para o que devemos relevar para curtir a série.

Em tempo de considerações finais, estranhei de início Lizzie se dar ao trabalho de anular o casamento mas manter o sobrenome do farsante. Talvez ela não queira usar seu nome de solteira pois remete a outro homem que ela não sabe quem é, o seu pai.

Aposto meu mindinho (pun not intended, Mrs. Reddington) que Tom não está morto e ele é o dono dos óculos de quem observa Lizzie. Se você acha que Tom morreu sim senhora, volte duas casas e fique uma rodada sem jogar.

Raymond diz com todas as letras, mas vou retificar aqui: ainda veremos a mulher do Mossad nessa temporada, essa história não faz sentido se acabar ali.

Uma curiosidade: Lord Baltimore é o nome do personagem que rastreia Paul Newman e Robert Redford no filme Butch Cassidy and the Sundance Kid, daí a inspiração para o alias da gêmea má.

ELIZABETH KEEN CORTOU O CABELO. Não tem explosão, chuva de tiros, rastreador em gravatas, decepamento de dedos, NADAAAAAA supera esse choque, nada se compara a emoção que é se ver livre da peruca de Megan Boone. É o tipo de coisa que você torceu e esperou por tanto tempo que até perdeu as esperanças que fosse um dia acontecer. E ficou nítido, estampado na cara da atriz, a alegria e o alívio de se livrar daquilo. Descanse em paz, peruca.

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