É chegada a hora de dizer adeus…

Faltando apenas um episódio para encerrar sua trajetória, True Blood abre mão de tramas mirabolantes e ganchos extraordinários para nos apresentar seus cliffhangers mais intimistas… O que faz todo sentido, dada a tônica dessa temporada final de se focar quase que exclusivamente em seus personagens.

E com esse ótimo “Love is to Die” a série deixa claro para qualquer um que ainda tivesse dúvidas de que essa temporada foi toda criada para aqueles personagens que aprendemos a amar ou odiar nos últimos sete anos. O foco, no final das contas, sempre foi Sookie, Bill, Eric, Pam, Jason, Jessica, Lafayette e todos os outros personagens que mereciam não apenas a chance de se despedir do público, mas também, e principalmente, a chance de se despedirem bem… De, literalmente, encerrarem seu ciclos.

É o caso, por exemplo, de Jessica. O ciclo da personagem iniciou-se com sua transformação, uma mera vítima dos atos impensados de Bill… A partir dali, a personagem tomou um viés de autoconhecimento enorme. Jess era apenas uma adolescente quando transformada… E além de ser obrigada a passar por essa fase que já é difícil para qualquer ser humana, teve que aprender também a ser vampira. Pegue as confusões naturais de uma adolescente que busca se conhecer e some ao carisma cativante de Deborah Ann Woll e chegamos a uma das personagens mais queridas do público.

E nesse caminho de descobertas Jess sempre esteve em busca de um amor. Vimos a moça se envolver com Jason e as faíscas que saíam daquele relacionamento, que teve a função de despertar a sexualidade da vampira virgem.. Mas nada se comparou ao amor puro que surgiu entre ela e Hoyt. O casal é lembrado carinhosamente por 9 entre 10 fãs de True Blood, e não tinha como não terminarem juntos. A reaproximação de Jessica e Hoyt é a exemplificação perfeita de um círculo que, após uma enorme volta, retorna ao mesmo ponto.

Foi de Jessica a primeira grande ação do episódio, quando ela pede a Bill que a liberte, depois que o vampiro revela que prefere morrer a tomar a cura. Enquanto Bill chocava por tomar uma decisão tão polêmica, Jessica acabou chocando por demonstrar a força que sempre soubemos que a personagem tinha. Tomou o controle de sua vida, pediu sua liberdade ao seu criador e foi atrás de Hoyt dizer que o amava.

Esse encerramento de Jessica e Hoyt, além de ser perfeito para fechar a trama de dois personagens queridíssimos pelo público, também forçou o encerramento da trajetória de Jason, que era outro personagem carismático e bem visto pelo público, em um trabalho também irrepreensível de Ryan Kwanten.

Jason não tinha ambições nem grandes tramas. Nunca teve um amor com “A” maiúsculo e a constante em sua trajetória eram suas aventuras sexuais. Achei interessante como o roteiro, há algumas temporadas, ao transformá-lo em policia, começou a trabalhar cuidadosamente o amadurecimento do personagem sem, contudo, abrir mão da sua inocência quase infantil que era sua principal característica.

No fundo, Jason já tinha evoluído bastante sem perder sua essência e, com isso, já tinha seu encerramento encaminhado há algum tempo, só precisando mesmo de um arremate final. Arremate esse que veio em forma de Brigette. Ao contrário de Jess e Hoyt, não torcíamos para que Jason terminasse com ninguém, torcíamos por Jason e ponto.

Ao ver o início de um relacionamento diferente entre ele e Brigette e o vermos revelar seu sonho de ser pai, entendemos quase de imediato que a moça já era, desde então, o melhor final que o rapaz poderia ter. Estou torcendo apenas para que a Finale tenha tempo suficiente de nos mostrar Jason pai de várias garotinhas, e bem feliz com sua vida de casado.

De certa forma, o final encaminhado de Jason, Hoyt e Jessica também já nos dá indícios de um final certo para Lafayette e James. Acho que não precisamos de muito mais do que aquela conversa entre o vampiro e Jessica, onde ele assumiu estar feliz, para entender que nosso querido Lafa também está feliz e teve tudo de melhor que a vida lhe reservava.

Um dos encerramentos mais emblemáticos, no entanto, foi o de Sam, que se despediu de Bon Temps – e creio eu, da série – sem ao menos dar a chance ao público de dizer adeus. Foi tão doído para o público vê-lo partir apenas por flashbacks quanto foi para Sookie ler aquela carta. E aliás, carta lindíssima, que numa cena bem curta resumiu muito da personalidade do nosso metamorfo, que de uma pessoa sem raízes, encontrou razões para ficar em Bon Temps e se viu obrigado a largar tudo para trás por causa da família que a vida lhe deu.

Fica a torcida para que Sam e Nicole sejam muito felizes e que possamos pelo menos ver, na Finale, o filhinho dos dois. O que fica também é aquele último “eu te amo” dito à Sookie na carta de despedida, que serve também para encerrar em definitivo esse ciclo na vida do personagem.

E assim, nesse clima de adeus, tivemos ainda aquela excelente cena no Bellefleur’s, vendo todos dançando, bebendo e comendo juntos, como se fosse uma última ceia antes do adeus. Vimos que Arlene também encontrou a felicidade, assim como Andy e Holly e seus filhos…

Vimos o Bellefleur’s – que assim como é para Hoyt, sempre será o Merlotte’s no coração do fã mais ávido – alegre, vivo, cheio de música e bons sentimentos, como se fosse um recado de que o pior já passou e que aquelas pessoas gigantescas de uma cidade pequenina encontraram paz, encontraram amor, encontraram felicidade… E que podemos, enfim, nos despedir, como quem se despede de amigos de infância, com coração apertado, olhos marejados e um carinho que mal cabe no peito.

Ainda falta um episódio para nos despedirmos de vez de Bon Temps e todos os seus moradores que aprendemos a amar nos últimos sete anos… Mas o aperto no peito e o nó na garganta já começaram essa semana…

É no momento de dar adeus a pessoas que amamos que, no final das contas, descobrimos que os piores momentos não são o que importa… São coisas pequenas perto das coisas boas que vivemos com eles… Hoje mal me lembro dos piores momentos desses personagens em True Blood… O que ficou gravado na minha memória é aquela última ceia que tivemos juntos no Bellefleur’s, regada de bebida, comida e cercados de bons amigos…

Muito obrigado Sam, Jess, Jason, Hoyt, Lafayette, Arlene, Andy, Holly e tantos outros que, por sete anos, deixaram que eu fizesse parte de suas vidas… A trajetória, até aqui, foi maravilhosa! O meu abraço final em cada um de vocês fica para o próximo domingo, em um episódio que terá o nome mais perfeito que True Blood já nos apresentou: THANK YOU.

P.S.: Ué Thiago, você esqueceu da Sookie, Bill e Eric? Não! Apenas optei por não falar sobre eles nessa review, pois como o próximo episódio deve ser todo focado no trio de protagonistas e a review vai ser dominada por eles, achei justo dedicar essa a todos os outros personagens.

P.S. 2: O mesmo vale para Pam e nossa musa de toda uma vida: Ginger.

P.S. 3: Para a Finale nos restou o encerramento da trama do trio de protagonistas, o fim da trama da Yokonama e o desfecho de Sarah. Promete ser um Series Finale emotivo e com algumas boas doses de ação. Já estou na maior expectativa.

P.S. 4: Sim, meus olhos marejaram enquanto eu escrevia essa review e passava um pequeno filme com a trajetória desses personagens na minha cabeça.

P.S. 5: True Blood tem que ser eternamente grata a esse elenco MARAVILHOSO que a série tem… Não é qualquer série que pode contar com Carrie Preston em seu elenco fixo por sete anos, por exemplo.

P.S. 6: Igualmente, merecem todos os parabéns Deborah Ann Woll, Ryan Kwanted, Rutina Wesley, Sam Trammel, Chris Bauer, KRISTIN BAUER VAN STRATEN <3, Anna Camp, Jim Parrack, TARA BUCK <3, Nelsan Ellis, e tantos outros.

P.S. 7: Não posso terminar sem dizer que PELO AMOR DE DEUS, HBO, FAÇA UM SPIN OFF PARA GINGER!!!!!!

P.S. 8: O que foi Ginger realizando o sonho de sua vida de transar com o Eric e descobrirmos que ela sofre de ejaculação precoce? Consegui ter uma síncope de rir em um episódio bem mais emotivo…. E a cara do Eric foi a melhor coisa que já vi na minha vida… Honestamente, com aquela cena Alexander Skarsgard e Tara Buck entraram para o seleto rol de MELHORES CENAS DA HISTÓRIA DA TELEVISÃO!

Artigo anteriorO Rebu 1×17-22: Capítulos 17 a 22
Próximo artigoNurse Jackie | Tony Shalhoub de Monk entra para o elenco da 7ª temporada