Muitos culpados para um único crime…
Não afirmo com essa frase de abertura que mais de uma pessoa tenha matado o Bruno… Não excluo a possibilidade de mais de uma pessoa ter matado o rapaz, e acho que seria até interessante, se bem trabalhado… Mas a questão aqui é outra.
Tenho achado incrível o trabalho que o roteiro vem fazendo com os personagens da série… Cada capítulo é uma verdadeira ode aquela pessoa que tem o destaque sobre si, por pouco mais de vinte minutos em que sua história tem todo o destaque da novela… Alguns, inclusive, têm mais destaques do que outros, como Alain e Oswaldo, que já tiveram alguns capítulos focados neles.
Mas retomando a ideia de vários culpados, o que percebo é que esse destaque nos personagens serve unicamente para nos mostrar que todos ali são culpados, alguns mais, alguns menos, mas todos têm seus níveis de culpa… Vic, por exemplo, é culpada de assumir uma personalidade de perua caricata, incapaz de aceitar a idade e o fato de ter que comprar garotões como Kiko para ser um pouco feliz… Camila é culpada de não aguentar a pressão que o problema psicológico de seu marido trouxe ao seu casamento… Oswaldo é culpado por achar que deve seguir, em tudo, os passos de seu pai… Alain é culpado pela vida que teve, e por acreditar que pequenos crimes era a única forma de sair dela…
E foi bem isso que vimos no decorrer desses últimos seis capítulos. Com a investigação estagnada a espera do testemunho dos dois principais suspeitos (Alain e Oswaldo), foi a hora de vermos como cada um dos outros personagens lidavam com a culpa que carregavam, e é óbvio que uma hora ou outra, um deles vai acabar revelando a grande culpa que Pedroso está procurando… Essas “pequenas culpas” que apontei não fazem mal a mais ninguém senão eles mesmos, o que se procura aqui é o assassino de Bruno Ferraz.
E a personagem que mais teve destaque nesses últimos capítulos foi Duda, o que a fez pular para o alto das listas de suspeitos, principalmente da minha. Voltando à questão das culpas, visualizo com clareza que Oswaldo e Alain têm sim culpa em grande parte dos atos errados que praticaram, mas mesmo conhecendo tudo o que conheço deles – ou até mesmo por isso – não consigo enxergar nenhum deles como o assassino… São culpados? Muito, e de muitas coisas, mas não de matar o Bruno, para mim… Já com Duda a história é outra…
Duda desde sua primeira cena na novela, onde cantava enquanto o corpo de Bruno boiava na piscina, já deixou claro o estado instável pelo qual passava… E essa instabilidade chegou a um patamar imenso nos últimos capítulos. Duda roubou o Dossiê, foi “visitar a tia do Bruno”, sumiu, apareceu sem rumo na casa de Kiko, fugiu do Pedroso enquanto pôde, quando se encontrou com o delegado foi agressiva, hostil. Foge, se esconde, não deixa transparecer muito suas emoções… É sem dúvidas, a personagem mais desequilibrada de O Rebu nesse momento… Mais até do que o próprio Oswaldo.
Claro que tudo pode ser facilmente explicado no final com a justificativa de que a moça estava de luto, e por ser mais jovem que Gilda, por exemplo, lidou com a morte do amado de forma mais intensa. Não será uma justificativa absurda, se caso a utilizarem no final da novela para justificar os atos de Duda… Aliás, isso que acho fantástico em O Rebu… O roteiro é tão real, mas ao mesmo tempo tão dúbio, que tudo pode ter um significado absolutamente simplório no fim da novela, afinal, quem está ávido atrás de um assassino é o telespectador, que se esquece que aquelas pessoas estão apenas tentando superar um evento traumático que, para eles, ocorreu HÁ POUCAS HORAS.
E nem há também como julgar Duda, pois o desequilíbrio é uma constante entre os personagens da série, e nesses seis capítulos vimos o desequilíbrio de Angela ao agredir uma outra mulher no clube, depois desta atacar Duda – que é o ponto mais frágil da anfitriã – vimos o desequilíbrio de Gilda, durante a festa, ao colocar Bruno contra a parede e armar um tremendo barraco com o casal na beira da piscina… O desequilíbrio de Bernardo, diante das provocações de Kiko… Vimos até mesmo o desequilíbrio do Delegado Pedroso, ao se envolver com Angela, uma das maiores suspeitas do crime, o que pode atrapalhar seu julgamento sobre ela.
Se a constante de grande parte dos personagens é o desequilíbrio, a constante de Alain é o medo… Vimos Alain fugir de medo, se esconder por medo, matar por medo e nesta semana vimos o rapaz se entregar à polícia, unicamente por medo. Não há nada de heroico no medo de Alain, ele não faz nada por heroísmo ou por qualquer questão moral… Ele age unicamente por medo. E se em qualquer outra situação esse medo de Alain pareceria a mais pura covardia, aqui, em O Rebu, ela soa absolutamente bem. Explico-me: há um quê de inocência em ver Alain agir por medo estando ao redor de pessoas tão mais cínicas e dissimuladas que estavam naquela festa…
Até por isso Alain já é provavelmente um dos meus personagens preferidos em O Rebu, porque o bandidinho, o único que tinha “ficha corrida” na polícia, o forasteiro daquela festa, no fundo, é bem melhor do que a maioria das pessoas ali presentes. E diante disso, temos que ao se entregar pra polícia, mesmo que por puro medo, Alain já é uma pessoa infinitamente melhor que o Braga, por exemplo, que está movendo montanhas – e, se duvidar, até matando – para fugir da pena dos crimes que cometeu.
Ainda tivemos, principalmente nesses dois últimos capítulos, maiores aparições de Severino, Bernardo e Gilda e, inclusive, começamos a conhecer melhor os detalhes do que causou a ruína do casamento desses últimos… Mas dado que o que vimos de Severino foram apenas flashes, e que nos capítulos mais recentes acabamos de ser apresentados aos filhos de Gilda e Bernardo, creio que essas histórias serão melhores desenvolvidas mais adiante, e como essa review já vai ficar bem grande, por abranger seis capítulos, vou preferir não falar muito deles nesse momento, pois tenho certeza que termos oportunidades em breve.
Para encerrar, existem mais dois pontos que preciso abordar: o primeiro deles sobre Angela. Antes mesmo de O Rebu começar, eu já sabia que não apostaria em Braga nem em Angela como assassinos, por não acreditar que a novela encerraria seu grande mistério em um dos dois maiores suspeitos… No entanto, a tentativa do roteiro em transformar Angela em vítima – e não em suspeita – chegou a níveis alarmantes.
Angela Mahler é fria, calculista, dissimulada e muito poderosa. Não é o tipo de pessoa que se entrega a uma paixão fulminante de uma hora para a outra. Ainda que sua paixão por Pedroso seja mesmo real, a verdadeira Angela não se entregaria, avaliaria de todas as formas possíveis como esse relacionamento poderia prejudicá-la. Foi isso que baseou, por exemplo, toda a relação Angela-Bruno-Braga.
Até por isso, não acredito na pose de vítima de Angela, e muito menos nesse amor louco pelo Delegado Pedroso que surgiu de uma hora pra outra… Se coloquem no lugar da anfitriã, você é uma das empresárias mais ricas e poderosas do Brasil, está no meio de um escândalo com seu sócio, morre um convidado da sua festa e você vai paquerar o investigador? Angela não faria isso, o que demonstra que esse relacionamento é mais um em sua vida que surgiu pelo interesse. Pedroso já está tomado, pois nem estuda a possibilidade de Angela ser uma suspeita… O problema, para a anfitriã, é Rosa, que além de aceitar essa possibilidade, a mantém na pequena lista de principais suspeitos.
E não há como não terminar esse texto sem falar sobre o grande acontecimento que encerrou esse arco de seis capítulos: a morte do Chef Pierre. Não chegou a ser uma virada brusca na trama já que já tinha ficado um pouco óbvio que o Chef estava morto/sequestrado, principalmente pelo seu sumiço. Muitas pessoas sumiram depois da festa, mas a única que havia sumido também para o público era Pierre… Não o víamos desde os primeiros capítulos, e agora reencontramos o seu corpo.
Acho uma jogada interessante ocorrer um outro crime, para tumultuar a investigação, já que é bem provável que Pedroso e Rosa já tivessem se aproximando do assassino de Bruno… Mas acho que esse tem que ser um recurso narrativo apenas. Não vale a pena jogar esse mistério também para o público, na minha visão. Ou seja, vale o mistério do “quem matou Pierre?” para confundir Pedroso e tirar a investigação do estágio avançado em que estava, mas não fará muito bem pra novela um segundo “quem matou?” antes do primeiro ter sido resolvido.
Até por isso, creio que há sim grandes chances do assassino do Pierre ter sido Severino, como o capítulo tentou transparecer… Afinal, Pierre sumiu logo depois do garçom e pode ter desconfiado dele durante a noite (já que trabalha com ex-presidiários e deve saber muito bem quem merece uma segunda chance ou não)… Se Adão conseguiu ler Severino tão bem, Pierre pode ter feito o mesmo e ter seguido o garçom após liberá-lo, o que acarretou em sua morte.
Ainda assim, se não tiver sido o Serverino o algoz de Pierre, creio que deveremos conhecê-lo já nos próximos capítulos, a não ser que o assassino de Pierre tenha sido o mesmo do Bruno, e o tenha feito apenas para despistar, o que não acredito num primeiro momento, dada a diferença na natureza dos crimes, sendo um predominantemente passional (Bruno) e um outro um simples tiro (Pierre), frio, impessoal.
Ainda assim, estou nesses devaneios apenas para demonstrar a importância que a morte de Pierre trás para O Rebu, que entra em sua reta final. Como já disse, para mim, foi realmente Severino quem matou o Chef.
P.S.: Patricia Pillar é simplesmente magnífica. A cena do clube, o seu envolvimento calculado com o Delegado Pedroso, as cenas no sótão… A forma como Angela só demonstra os sentimentos que quer demonstrar (e a evidência em suas feições quando ela está maquinando algo) faz delas uma das personagens mais profundas e perigosas de O Rebu… E grande parte disso vem de um trabalho irretocável de sua intérprete.
P.S. 2: um grande exemplo da grandiosidade de Angela Mahler é a pose que ela manteve quando Lídia a atacou após a prisão de Oswaldo.
P.S. 3: Adão vive repetindo o tratamento que se destina aos pobres e a série fez questão de exemplificar isso nesses últimos capítulos, sobretudo com as humilhações que Alain passou depois de preso. Se considerarmos que Oswaldo, que sequestrou uma pessoa foi bem melhor tratado do que Alain, que se entregou espontaneamente, fica evidente como a polícia vê favelados como o Alain.
P.S. 4: Tentei lembrar se a carteira do Bruno já havia aparecido antes ou se essa foi a primeira vez mesmo, na casa do Alain. Digo isso, pois não acho nem um pouco absurdo que o policial tenha, de fato, plantado a carteira lá.
QUOTES DOS CAPÍTULOS:
– “Angela Mahler perdeu a pose… Armou um barraco!” – REZENDE, Gilda.
– “A Angela é capaz de morrer pela filha” – REZENDE, Gilda.
– “Capaz de matar também?” – NOLASCO, Rosa.
– “Eu quero fazer um brinde ao amor e ao sexo… Sexo bem feito!” – MAHLER, Maria Eduarda.
– “Se amanhã eu aparecer morto, foi o Braga que me matou!” – FERRAZ, Bruno.
– “Sabe o que eu mais queria agora? Que o Bruno sumisse… pra sempre!” – MAHLER, Angela.
– “Alguém tem que peitar a Angela, alguém tem que peitar essa mulher… a Lidia faz isso pra mim” – VIDIGAL, Carlos Braga.
– “Imagine um lugar com muita mulher e muito dinheiro… Só pode dar merda” – ALAIN.
– “Me devolve o que você me roubou… Tô falando sério, não brinca com essa gente, você não sabe o que é isso… O Bruno morreu por causa desse dossiê” – MAHLER, Maria Eduarda.
– “O Braga é um gentleman… Um lord… Não perde a calma nunca.. Eu queria ser como ele” – REZENDE, Bernardo.
– “Calhorda… Gigolô barato… Desgraçado… Traíra… Moleque sem vergonha… Eu vou matar esse filho da mãe do Bruno” – VIDIGAL, Carlos Braga.
PALPITES DOS CAPÍTULOS: o meu primeiro palpite de hoje, na verdade, não é totalmente meu… Não creio que Alain tenha matado Bruno, mas a teoria de um amigo me pareceu tão embasada que vou utilizá-la, mesmo porque não posso excluir o penetra 100%, ainda mais depois da carteira da vítima… Logo, meu primeiro palpite é ALAIN, porque, se lembrarmos bem, já sabemos que ele não roubou o colar da Maria Angélica e não temos certeza se foi ele quem roubou as joias de Angela, então, como ele afirmou pra mãe “já ter conseguido o dinheiro” da cirurgia dela. Medo de matar o rapaz não tem… E se alguém da festa ofereceu muito dinheiro para que ele matasse Bruno? É plausível.
Para manter a média de um palpite por capítulo, diria que meus palpites sobre terça e quinta passadas, seria o mesmo: ANGELA MAHLER, contabilizando 2 votos para a nossa anfitriã no nosso ranking. E a única justificativa é a tentativa do roteiro de transformá-la em vítima e esse romance com Pedroso, que não me desce. Quem também aparece com dois votos (referentes aos palpites dos dois últimos capítulos dessa semana) é sua filha, DUDA MAHLER, que agiu em total descontrole quando começou a lidar com Pedroso e, novamente, foi incapaz de demonstrar emoções mesmo vendo o corpo de Pierre. Por fim, meu último palpite, sobre o capítulo da última sexta, é GILDA REZENDE, e me surpreende que a advogada apareça pela primeira vez na minha lista… Mas depois do desequilíbrio que ela aparentou, não teria como não aparecer.
RANKING DOS SUSPEITOS (contabiliza quantas vezes cada personagem já apareceu na minha lista de suspeitos):
ANGELA: 3 vezes.
DUDA: 3 vezes.
BRAGA: 2 vezes.
LÍDIA BRAGA: 2 vezes.
KIKO: 2 vezes.
VIC: 1 vez.
ROBERTA: 1 vez.
BERNARDO: 1 vez.
OSWALDO: 1 vez.
MIRNA: 1 vez.
GILDA: 1 vez.
ALAIN: 1 vez.













![O Rebu: Último Capítulo [Series Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2014/09/O-Rebu-capa-218x150.jpg)
