Bassam, também conhecido como Olivia Pope do Oriente Médio.

It’s handled! Com seus personagens já razoavelmente estabelecidos, Tyrant decide dar uma pausa no desenvolvimento apressado dos episódios passados, e foca em mais uma situação delicada que coloca Bassam em conflito. Essa situação serve para mostrar a Bassam que Jamal é muito pior que ele imagina. Se até agora o irmão tinha um pé atrás com o novo ditador, agora já se vê um pouco mais perplexo com tudo que Jamal é capaz de fazer. Em uma atitude extremamente altruísta, Bassam decidiu permanecer em Abbudin, mas agora, já parece tratar sua estadia como uma questão moral, pois é o único homem capaz de controlar o praticamente incontrolável Jamal. Tyrant não se mostra grandiosa ou ousada em seu terceiro episódio, mas soa pretenciosa ao tentar ser mais do que é. Seu discurso social não funciona tão bem quanto deveria, e mostra um crime tão horroroso como inúmeros estupros muito pelo lado do criminoso e pouco pelo lado da família da vítima.

Apesar de agora Bassam possuir essa vontade de ajudar “o seu povo”, ele fugiu muito cedo desse mundo, e passou vinte anos longe dele. O que acaba tornando meio estranho suas habilidades com estratégias e manipulações. Talvez seja algo empírico, mas para um simples pediatra que vivia uma vida pacata nos Estados Unidos, Bassam tem se virado muito melhor do que se imaginava. Não fosse sua grande insegurança emocional, o protagonista teria o que é necessário para ser um grande tirano. Mas essa insegurança leva à pior decisão que a série tomou em sua pequena jornada: a estadia da família de Bassam em Abbudin.

Se logo no início do episódio Molly conversa com o marido sobre voltar para os Estados Unidos, foi apenas para dar falsas esperanças ao pobre espectador, que já deveria estar com uma pulga atrás da orelha nesse momento. Porque obviamente Molly, Emma e Sammy jamais iriam embora. É mais fácil para a série mantê-los por perto porque eles ocupam tempo de tela com tramas (praticamente) insignificantes, e assim, não é necessário pensar um pouquinho mais no que realmente importa. É estranho que Bassam, um homem que se mostra tão racional e calculista em alguns momentos, toma a decisão de manter sua família em um país hostil, privando-os de suas vidas regulares nos Estados Unidos.

O plot terrorista acabou sendo um pouco anticlímax nesse episódio, mas também não se podia esperar grandes acontecimentos tão cedo. Tyrant se apoia demais em seu protagonista, e isso é problemático porque Bassam não é tão bom personagem quanto deveria para levar uma série inteira nas costas. Jamal acaba sendo tão imprevisível que protagoniza os momentos mais interessantes do episódio, ainda que esses sejam sempre exemplos de como Bassam deverá lidar com sua personalidade difícil no futuro. É complicado prever para onde Tyrant caminhará. Será que a série se prenderá a resolver casos que envolvam problemas entre o governo de Abbudin e sua população? Uma espécie de Scandal do Oriente Médio.

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