Se o fim da primeira temporada nos deixou com um grande mistério, esse Season Premiere chegou com muitos outros pra fazer companhia.
Tem mistério de sobra pra cada núcleo e plot, e por mais que a gente saiba que a série precise disso, bom mesmo é quando elas se reúnem ao redor de uma mesa e por um momento esquecemos todos os problemas que as Beauchamps estão enfrentando. O melhor de WOEE é a união de seu elenco, é nessa hora que a série se mostra mais forte e fica ainda mais prazerosa de assistir.
Achei que começamos muito bem, voltando de onde paramos (mais precisamente uma semana após o não-casamento), sabendo misturar a apresentação do cenário atual, pós abertura do portal Argard-Terra, e os novos caminhos por onde essa temporada deve seguir. Quem passou pelo portal é apenas um dos problemas das Beauchamps e na verdade a geração mais nova parece estar mais preocupada com o paradeiro de seu ex-futuro cunhado e as crises de sonambulismo. Vale lembrar que Wendy está perambulando em pele de gato pela floresta com sua última vida, o que me faz torcer para que os roteiristas encontrem um jeito de conseguir algumas encarnações extras para minha personagem preferida, tipo os cogumelos do Mário.
Como prometido nos teasers dessa temporada, WOEE retorna mais dark, nada como American Horror Coven ou Salem, longe disso, sua proposta nunca foi essa, mas aproveita essa característica para de distanciar mais de Charmed, com quem é tão comparada. Ela está mais dark literalmente também, repararam? Haja escuridão. UAU.
Gosto que WOEE não tem absolutamente NA-DA de procedural, não temos um monstro/vilão por semana, a história se desenvolve até o fim da temporada, temos continuidade e crescimento ao longo dos episódios, sempre com espaço para novos elementos que enriquecem a trama e as histórias paralelas à principal.
O suspense de quem teria atravessado o portal não durou muito, ainda bem, já que geral desconfiava que fosse mesmo o irmão perdido. Sendo eu assumidamente TEAM WENDY, ei de concordar com ela de que Frederick não merece nossa confiança de imediato, mesmo depois de ter salvo a mãe, essa pulga ainda reside atrás da minha orelha. Quem sabe se aquele abdomen tivesse mais dois gominhos, eu seria persuadida mais facilmente.
E por falar em corpos sarados, começamos essa Season bem naugthy, com a já costumeira nudez de Wendy, Fredrick chegando pra rivalizar com os tórax dos irmãos Gardiners e logo de cara tivemos aquela cena quase sadomaso do casal de bruxos. Uma pena que Joana não teve um final feliz naquela cama, ela bem que merecia. E para encerrar o episódio mantendo o nível de safadisse, Ingrid se atraca com o moço Asgardiano dos mil rabos e pelos barulhos emitidos pela bruxinha, aquela ali se deu muito melhor que a mãe.
Mas, porque tantos esquecimentos acerca da abertura do portal, será mesmo um feitiço? Até onde o menino Beauchamp está esquecido ou mentindo? Ele não sabe mesmo o que mais atravessou com ele? Frederick nos é apresentado já de cara como um bruxo muito poderoso. Diferente de suas irmãs, ele nunca perdeu o contato com sua magia e parece estar mais no patamar de sua mãe e tia do que da sua geração Beauchampiana. Acredito que por mais que tenhamos sido apresentados a vários mistérios nesse Season Premiere, o foco dessa temporada será o que a chegada de Frederick representa para sua família e quiçá a Terra.
As irmãs Ingrid e Freya estão numa fase de redescoberta, por isso devia pegar mais leve na crítica a seguir, mas vejo claramente uma inversão de papéis que nos foram apresentados ano passado. Enquanto Ingrid tenta claramente se desvencilhar da sua fama de responsável, previsível, o dito porto seguro da família, Freya tornou-se refém de suas relações amorosas falidas numa série que gosta de retratar o empoderamento da mulher. Tá destoando, tá feio. Ela ficou sem plot digno e tudo de mais relevante que a envolve, diz respeito a Dash ou a Killian, para o bem ou para o mal. Só não é mais triste porque a moça tá longe de ser a melhor atriz ali e por isso não configura um desperdício muito grande.
E como não só de Beauchamp vive East End, vamos falar da herança deixada por Penelope, os meninos Gardiners. Os irmãos começam a descobrir seus poderes, completamente distintos entre si, como os de Freya e Ingrid, e até agora não demonstram ter nenhum controle ou até conhecimento deles. Enquanto Dash derruba, quebra e incendia coisas em seus pitis de raiva, Killian pode ler a mente alheia e está ganhando uns trocados com isso. Na minha opinião, as alucinações de Dash são fruto de culpa, não de seus recém-adquiridos poderes. Confesso que tenho um pouco de dó do médico que perdeu todos que o cercavam e não tem pra quem correr nesse momento em que ele beira a loucura. Se Dash vai fazer jus as cartas de tarot e ser o destruidor da vida de Freya, ainda é cedo pra afirmar, mas ele já começou pelo bar.
Enquanto isso, Killian, o náufrago, vive a máxima de que ignorância é uma bênção e está feliz da vida com suas fichas de cassino e namoradinha tatuada, achando que não tem nada pra ele em East End. De volta às cartas, se Freya se sente tão atraída e tem premonições acerca do moço e o tal também tem poderes psíquicos, talvez Killian se revele o salvador de sua alma gêmea uma vez o que o irmão a colocar em perigo. Da mesma forma que Freya o sente, acredito que com a evolução de seus poderes, Killian também a ouvirá chamar.
Se de boas intenções o inferno tá cheio, aposto que a coruja que o salvou vem de lá. A tatuagem da moça faz uma óbvia referência a leitura de cartas de Wendy e se pudesse, apostaria todas as fichas de Killian na 2a leitura da tia, em que o predador está protegendo-o para em seguida destruí-lo. Afinal, que plot sem graça esse seria se a aparente boa moça fosse apenas isso? E ALOW, a moça em questão é Bianca Lawson, conhecida de qualquer Série Maníaco que se preze.
Tenho mais algumas observações que merecem mais a alcunha de WTF do que OBS:
WTF 1: O asiático da mensagem apocalíptica. Ele diz que aquilo é uma mensagem para todos, que uma sombra o perseguiu até a floresta e que ele estava marcado com o antigo símbolo do rei. Símbolo esse que a gente vê cortado na pele do asiático e queimado na pele de Frederick. Antes de ter uma parada cardíaca, ele parece encarnar outra pessoa e sua mensagem final é: “Muitos outros irão morrer até que a pessoa certa seja encontrada. Isso é um aviso para todos nós.” E diz que Dash é um “deles”. Deles quem? Volta aqui, homem! Morre agora não!
WTF 2: O moço de mil rabos. É seguro afirmar que ele veio pelo portal de Argard, mas o que ele quer, como ele hipnotiza Ingrid, porque ela e o mais importante: como exatamente ele se alimenta da garota, aquele tentáculo entra AONDE, pelo amor de São Crispinho? E finalmente, o que ele quer na Terra? Seria ele lacaio do Beauchamp Senior que ficou do lado de lá?
WTF 3: COMÁSSIM Ingrid e Dash tem a mesma formação craniana, anormal e exclusiva de ambos? Eu não consigo nem imaginar a possível explicação para isso, nem o que representaria uma conexão entre os dois.
WTF 4: Quem se inspirou em “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado” e está chantageando Dash? Vem personagem novo por aí? Isso é trabalho de bruxo ou humano? O que a pessoa quer em troca?
WTF 5: Podemos considerar uma verdade absoluta de que em East End, ninguém é o que parece ser e isso obviamente inclui o paramédico imune ao flerte de Wendy. Só isso já deveria ser suficiente para comprovar sua sobrenaturalidade, não é mesmo? Aquele livro tinha mesmo uma segunda cópia ou o moço também faz magia? Revi a cena várias vezes mas não dá pra ver se o livro já estava ali antes ou se foi truque do paramédico. Ainda veremos mais do moço, isso é certo. Se ele não passa de um interesse romântico de Wendy ou tem caroço nesse angu, isso ficou pros próximos capítulos.
Witches of East End retorna e se mantém como uma série boa, que não vai mudar sua vida, mas que cumpre muito bem seu papel de entretenimento. Não é pra levar a sério, é só pra curtir. E eu curto muito.

















