Em tempos de aquecimento para a grande final de hoje, uma constatação: este Aprendiz está todo errado.

Já discutimos em várias oportunidades o fato de que, neste Aprendiz Celebridades, está claro que não dá pra torcer pra que mais acertou. Mas os dois últimos episódios que precederam a grande final de hoje levaram esse conceito a níveis completamente inimagináveis!

Tudo começa com a prova da administração da pizzaria, uma tarefa clássica do Aprendiz, que, sugestivamente, remete ao fato de que esse programa vai acabar em pizza. Foi difícil ver crescimento, foi difícil ver mudanças de comportamento, é difícil enxergar uma trajetória interessante e escolher alguém para a final. E é uma tarefa árdua tentar prever os critérios de Justus para definir um vencedor de uma temporada tão “em branco” e tão diferente de tudo com que estávamos acostumados. Alguém vai sair com R$ 1 milhão, é verdade. Mas ninguém vai deixar um legado de verdade como outros vencedores (e até não vencedores) fizeram.

Vamos, então, analisar o desempenho individual das nossas celebridades na semifinal da pizzaria, lembrando que essa prova automaticamente demitiria o pior e classificaria o melhor para a final.

Amon Lima

Com um orçamento 50% mais baixo do que o dos três concorrentes da Next e um histórico cheio de momentos difíceis e escapadas por pouco de uma demissão, Amon sabia que precisava ralar se quisesse estar presente na grande final. E ralou. E fez das tripas coração para aumentar o faturamento de sua pizzaria. O cara criou uma receita de pizza para a casa (“Pizza Família Lima”, claro!), passou a noite do primeiro dia indo de porta em porta para distribuir panfletos sobre a promoção, passou o segundo dia inteiro percorrendo o comércio da região e chamando a atenção das pessoas para o evento, incorporou suas habilidades às atrações da casa fazendo serenatas individuais personalizadas para cada mesa e, de quebra, fez questão de dispensar a ajuda da Família Lima quando o irmão Moisés a ofereceu. Amon foi elogiadíssimo pelo gerente da pizzaria. Pudera. O cara fez uma tarefa excepcional, para anônimo nenhum botar defeito.

A única possível reclamação de quem não gostou de ver Amon se dando bem foi o famigerado uso do violino. Circulou pela internet a ideia de que ele teria infringido as regras, porque Justus proibiu o violino na apresentação da tarefa. Ora, que bobagem. Justus apenas estava explicando uma das regras do dossiê: proibido contatos e repetição de fornecedores. Na hora de citar exemplos do que era proibido, ele olhou para a cara do Amon e tascou um “violino” no meio, mas é óbvio que isso não era uma quebra de regras. Justus foi infeliz no exemplo, mas o fato é que a referida repetição referia-se a pessoas, não a instrumentos musicais, e tenho certeza absoluta de que não estava escrito “não pode violino” no dossiê.

Até porque seria muita burrice não usar o violino em uma tarefa como essa. Como deixou bem claro Christiano Cochrane ao tentar jogar Amon para debaixo do ônibus quando achou que o músico não havia usado o seu talento na tarefa, “O violino nessa tarefa seria bom!”. E, para usar um exemplo melhor do que o que Amon usou no programa: obrigar um tímido músico não usar o seu violino seria o equivalente a obrigar um extrovertido apresentador/comunicador como Christiano a não usar sua voz durante a tarefa. Simplesmente não faz sentido.

Aumento do faturamento da pizzaria: 128%.

Ana Moser

Ana Moser foi a grande decepção da prova da pizzaria. Quando ela começou a dizer que queria aproveitar o gancho do jogo “EUA x Portugal”, pensei “ok, ela vai fazer uma promoção ligada à pizza portuguesa e à pizza, sei lá, americana! Que ótima ideia!”. Então, imaginem a minha decepção ao vê-la pegando um filé ao molho madeira com salada de manga e usando-o como a principal atração da noite numa pizzaria. Antes mesmo de saber a óbvia informação que Renato Santos colocou na sala de reunião (de que apenas 20% dos frequentadores da pizzaria comiam pratos em vez de pizza), estava bastante clara a bobagem que Ana Moser estava fazendo.

Para completar a cagada, o grande beneficio do consumo do prato mais importante da noite de Ana Moser era… 20% de desconto na sobremesa. Fico imaginando meus amigos me ligando em polvorosa “Meu, nós temos que ir na pizzaria tal hoje! Quem consumir um filé ao molho madeira vai pagar R$ 4 a menos no petit gateau!!! Imperdível!!!”

Nem preciso dizer que Ana Moser flopou bonito, né?

Aumento do faturamento da pizzaria: 3%.

Beth Szafir

Bethinha começou bem no primeiro dia. Ligou para uma confeitaria, encomendou uns cartazes sobre o evento do Aprendiz, gravou videozinho para as redes sociais. Tudo ia correndo tranquilamente. Até que, no início do segundo dia, ela deu uma lidinha no dossiê e pensou “Não pode contato… hm, mas decoradora é decoradora, uai, não é contato!”. E assim, cometeu sua primeira infração. Daí, veio a cantora. Daí, o Fábio Arruda. Daí, o sócio do filho dela. E, quando menos percebemos, a pizzaria de Beth estava lotada… de amigos de Beth! Foi um sucesso, claro, e a equipe da pizzaria deve ter amado. Afinal, como não amar uma mulher que traz gente disposta a pagar R$ 1.800 numa pizza?

Aumento do faturamento da pizzaria: 140%.

Christiano Cochrane

O desempenho de Christiano foi fifty-fifty. O cara fez uma divulgação razoável e conseguiu movimentar a casa, além de ter usado o orçamento de R$ 3 mil para comprar um tablet e organizar um concurso cultural para presentear um dos clientes com ele. Achei uma ideia bacana e uma excelente maneira de aproveitar o dinheiro disponibilizado pela Record.

Porém, tivemos um problema grave: a ideia de jerico de sacrificar os vinhos da casa em uma promoção “compre a pizza e a sobremesa e ganhe um vinho”. Em primeiro lugar, não precisava desse sacrifício todo para convencer as pessoas a comprar a pizza e a sobremesa. Em segundo, pensei imediatamente na mesma coisa que Justus disse posteriormente na sala de reunião: se era para fazer uma promoção, por que não usar o orçamento da Record para comprar o brinde em vez de sacrificar os ativos da própria pizzaria? Ele mesmo disse que o vinho impulsionou mais vendas do que o tablet, então ele mesmo sabia onde era mais importante investir. Onde já se viu uma promoção que tira dinheiro do lugar? Tá achando que vinho nasce em árvore? Ao falar sobre a promoção, Christiano disse que ele havia “pensado como o cliente”, já que ele gostaria de ganhar um vinho se fosse à pizzaria. O problema é justamente o mesmo que Renato Santos enxergou na execução de Ana Moser: não adianta pensar SÓ como cliente, é preciso pensar como o administrador do lugar também. E, se o erro de Ana Moser custou a ela no aspecto de atrair clientes, o erro de Christiano custou a ele na hora de converter o número de clientes em resultado.

Desempenho: Quarto lugar (aumento de faturamento não revelado).

Priscila Machado

Priscila foi quem mais me surpreendeu ao longo da tarefa. Ela foi pintada pela edição, e até por si mesma, como a pior performance do episódio. Não teve nenhuma grande ideia, nenhuma promoção, nada que realmente atraísse mais clientes. Ainda assim, acabou rendendo mais em termos de faturamento do que os dois concorrentes da Next, e isso me faz compreender perfeitamente a análise de Renato Santos: se ela tivesse confiado mais em si e tivesse pensado em uma ideia para captação de clientes, poderia ter ido muito melhor na tarefa.

A única ideia de Priscila foi alugar uma cama elástica / pula-pula para as crianças da pizzaria, algo extremamente criticado por Justus. Eu vou ser ousado aqui e dizer que discordo totalmente da crítica do apresentador e dos conselheiros, porque eles decidiram bater na tecla de que as crianças iriam “vomitar”. Em primeiro lugar, QUASE TODAS as pizzarias da minha cidade têm um playground para crianças. É verdade que nem todo playground tem cama elástica, embora eu já a tenha visto entre os brinquedos. Mas o fato é que fazer exercício depois de comer faz mal independentemente de pular em cama elástica ou não, e ainda assim, os playgrounds estão lá. E estão lá por um motivo muito simples: criança tem dificuldade de esperar. E, ENQUANTO A PIZZA NÃO CHEGA, nada melhor do que despachar a molecada para um espacinho onde eles possam se distrair um pouco. Resumindo: pizzaria nenhuma coloca um playground pensando numa correria pós-pizza, e sim no período de espera. Você pede a pizza e bota a criança no lugar. Na hora de comer, chama o pestinha, ele come, você paga e todos vão embora. Olha que raciocínio simples!

Se Justus e os conselheiros tivessem enfatizado na critica o fato de que a cama elástica tem ZERO força para atrair clientes para a pizzaria, eu entenderia. Mas falar sobre criança passando mal é uma grande bobagem. Por outro lado, não sei porque estou gastando tanto tempo defendendo a ideia de Priscila se nem ela mesma teve confiança e energia para bancar a própria escolha quando criticada.

Desempenho: terceira colocada (aumento de faturamento não revelado).

Na sala de reunião, os resultados naturais diante dos aumentos de faturamento atingidos seriam Beth finalista e Ana Moser demitida. Mas, quem diria, o espírito do “foda-se, o importante é me divertir” de Beth Szafir foi justamente o que salvou a ex-jogadora de vôlei de ser sumariamente eliminada do Aprendiz Celebridades. Ana passou raspando, mas, diante da desclassificação da socialite em razão de ter usado todos os contatos, Bethinha foi demitida. E o timing da demissão foi perfeito, vale dizer. Nós sempre soubemos que ela não tinha cacife para uma final, mas a verdade é que a atual temporada precisava de Bethinha em absolutamente todos os episódios, e o momento escolhido para a demissão proporcionou exatamente isso, uma conciliação desses dois aspectos. Gostei bastante!

A segunda demissão não foi nem um pouco difícil. Com Amon campeão da tarefa individual e Ana Moser e Christiano tão empenhados e cheios de vontade de conquistar a última vaga, sobrou para a apática e insegura Priscila Machado. No fim das contas, temos Amon, Ana Moser e Christiano na final. Mais justo do que isso, impossível!

10×21: Jogo dos 7 Erros

Inacreditável! É a única palavra que consigo usar para definir o penútimo episódio da temporada. Deveria ter rolado um anúncio antes da exibição: “ATENÇÃO: se seu apego a algum participante conseguiu resistir até agora, é a hora de jogá-lo fora!”. Foi desleixo, falta de comprometimento e falta de noção para tudo quanto foi lado, e absolutamente nenhuma equipe se salvou.

Antes de comentar sobre isso, vale uma breve análise das escolhas de time de cada finalista. Particularmente, achei Christiano o mais inteligente nesse aspecto. Priscila e Andréa foram as que trabalharam melhor com ele, Michele foi um dos maiores destaques da temporada, e até mesmo na hora de escolher Kid Vinil, que abriu a ele portas para o mundo musical, Chris acertou em cheio! Perfeito! A estratégia de Amon foi escolher um time mais coeso, mais unido e com quem ele tinha as melhores relações. Acabou dando certo, já que o Team Amon foi o único que não deu dor de cabeça para o líder (só mesmo o próprio Amon que sabotou a si mesmo, mas falemos sobre isso daqui a pouco). Já Ana foi fazendo o que podia, e a única estratégia clara foi escolher Beth pensando nos contatos que ganharia.

Já a partir daí, começa a sucessão de erros que deram o título que escolhi para o episódio. Apertem os cintos, e vamos lá!

Erro #1: Bethinha, a mercenária

Depois de tanto divar ao longo do programa e criar o lema “Foda-se, eu me diverti!”, Bethinha fez um baita de um papelão nessa final. “Cobrar” pra ajudar Ana Moser foi uma das atitudes mais mesquinhas que já vi, principalmente para alguém que a gente sabe que já tem grana como ela. Quando Ana Moser topou dar R$ 30 mil para as instituições, Beth perdeu uma ótima oportunidade de sair bem na fita. Mas a verdade é que ela não está nem aí pra estar bem na fita. Ela só quer sair por cima da situação. E acabou decepcionando muita gente que gostava dela.

Erro #2: Mônica, Alexia e Maria Cândida, as comparsas

E, se sobram críticas a Beth nas redes sociais, faltaram críticas às suas cúmplices. Ninguém ali abriu a boca pra falar “Pô, o que é isso, Beth, que inadequado!” ou “Ah, para a minha instituição eu já aceito!”. E ri alto do momento “vou dar uma de intérprete” de Mônica Carvalho quando Ana Moser propôs dar dinheiro às instituições. “Não, Ana, a Beth tá querendo dizer, assim, dinheiro pra gente, sabe?” Aham. A Beth. Sei.

Erro #3: Alexia Dechamps, a “eliminada” – DE NOVO!

Para quem achou que a dor de cabeça de Ana Moser pararia em Beth, ledo engano. Impossível culpar uma pessoa por um golpe do destino desses, que é ter um pai em coma, mas o fato é que foi bem #fail para o Aprendiz já começar com um desfalque desses. Não culpo e nem julgo ninguém, mas é chato, né?

Erro #4: Amon Lima, o fã desistente

Haja amor de tio para pensar em desistir do programa EM PLENA FINAL depois de saber que o filho da Sandy nasceu, hein? Estou fazendo o máximo esforço para não julgar as dores, as incertezas e as motivações de Amon. Mas é impossível não se decepcionar com alguém que eu tinha em tão alta conta (especialmente depois de vencer sozinho e com louvores a tarefa da pizzaria). Alguém que se dizia superfã do programa, e que, depois de chegar a uma final, quer abandonar. Poxa vida! Eu vou dar a Amon o benefício do resultado final do seu dilema (no fim das contas, ele não desistiu, e sim persistiu!), mas tenho certeza de que Roberto Justus, depois de tanto reclamar da hesitação do participante, não dará. Ao meu ver, as consideráveis chances de Amon caíram para quase zero depois desse episódio.

Erro #5: Marília Gabriela, a organizadora de eventos

Christiano Cochrane fez questão de colocar Marília Gabriela no topo do convite para o seu evento. E, vou dizer, se a mãe de Chris realmente for uma espécie de hostess, atender aos convidados, apresentar o leilão, aí até vou achar ok. Mas, pelo andar da carruagem, não é isso que vai acontecer, e o nome dela ali é quase ilustrativo (no máximo, ela será uma convidada). Ao meu ver, não importa se Gabi autorizou ou não que Christiano usasse seu nome. O fato é que, se ela não estará lá pronta para receber cada um dos “seus” convidados e nem fez parte da organização do evento, o que Christiano fez é uma baita de uma propaganda enganosa. Muito feio!

Erro #6: Ana Moser, a líder que deixa os liderados fazerem o que bem querem

Quando a história de Marília Gabriela convidando as pessoas veio à tona nas outras equipes, as meninas de Ana Moser se revoltaram. E reclamaram. E xingaram. E ficaram fuçando todo o material de Christiano em vez de trabalhar. E Ana Moser, em vez de ter um mínimo de postura de líder nessa hora e fazer exatamente o que Amon Lima fez (“Galeres, vamo parar a palhaçada e trabalhar no nosso!”), simplesmente deixou todas aquelas que a haviam extorquido à vontade para gastar o máximo de energia reclamando da concorrência. Em outros tempos, um líder assim teria sido demitido por Justus antes da metade do programa.

Erro #7: Michele, a contrabandista

Ah, Michele… eu só tinha coisas boas para falar da trajetória da minha “ídola” no Aprendiz Celebridades. Aí ela decide contrabandear um celular para dentro do quarto do hotel em um momento em que o confinamento é bem mais breve do que o seu tempo de participação no programa. Tão desnecessário! Por outro lado, há de se desconfiar de uma produção que, ou é incompetente suficiente para deixar um celular passar na primeira revista (e um celular DEFINITIVAMENTE não deveria ser algo fácil de passar!), ou teve má fé e deixou o celular subir de propósito para criar um plot twist no meio do episódio. De qualquer forma, é uma falha gigantesca do programa. Mas, ao menos, gerou um momento especial para a nossa review:

Momento Michele (porque “Momento Bethinha” é coisa do passado):

“Celular? Eeeeeuuuu??? Não sei nem o que é isso!”

Como não amar a cara de pau de Michele negando o celular até a morte? E como não amar o fato de que, em plena final, o cliffhanger deixado pelo episódio foi totalmente centrado na modelo? O que será que acontecerá em seguida? Será que Michele Birkheuer será expulsa do programa? Será que o Team Christiano superará essa adversidade? Não sei. O que sei é que, seja pelos motivos certos ou errados, o fato é que Michele nasceu para brilhar, mesmo! Hahah.

Sobre a minha torcida, tive que decidir entre o finalista com os erros que achei mais fáceis de perdoar. E, mesmo sabendo que torcerei em vão, estou com Amon Lima nessa final por um motivo muito simples: o cara é o melhor gestor de pessoas dessa temporada. A diplomacia do violinista faz com que ele consiga conquistar o respeito dos colegas. Todos ouvem Amon, todos confiam nele e acreditam no que ele tem a dizer. Quando ele, líder, interfere na briga de Mônica e Michele, elas voltam a se preocupar com o que interessa e a Fênix ganha a tarefa.  Quando ele diz para Beth não falsificar o álbum de selfies, ela não falsifica. E, quando ele manda a galera parar de reclamar e focar o evento da própria equipe, as pessoas obedecem. Acho essa habilidade espetacular! Mas também gosto de Ana Moser e a respeito, então, muito antes de ser Team Amon, sou anti-Christiano Cochrane nessa final! Porque, se é para dar o prêmio para ele, que esse milhão seja entregue diretamente a Marília Gabriela, a responsável por boa parte do bom desempenho do filho ao longo da temporada.

E vocês, para quem estão torcendo? Mandem ver nos coments, e até a final, pessoal!

P.S. – Este ano, novamente conseguirei cobrir a final in loco pra vocês! Aguardem a próxima segunda-feira, quando publicarei a review com todos os babados dos bastidores da finalíssima que eu conseguir coletar! Até lá!

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.