Com um livro intitulado Change, que tipo de mudanças devemos esperar para esta temporada?

The Legend of Korra teve um início empolgante, com um primeiro livro consistente, que conseguia trazer o melhor da série antiga ao mesmo tempo em que nos entregava uma identidade própria, principalmente no quesito da ambientação, mas também na construção de seus personagens. Amon era um ótimo vilão, e todo o seu desenvolvimento foi muito bem construído até o seu fatal desfecho.

Sem levarmos em conta os problemas com os estúdios de animação, o segundo livro apresentou problemas muito além dos estéticos. Embora a conclusão de Spirits abrisse novos precedentes para a série, o desenvolvimento da trama foi bem capenga, principalmente por nos trazer a sensação de que já tínhamos visto aquilo antes. O vilão, Unalaq, foi muito inferior ao anterior, e com ele tudo soava repetitivo: O discurso de liberdade disfarçando uma manipulação de massas, a rivalidade com o irmão, análoga ao caso de Noatak/Tarllok, e por aí vai. Por isso, este terceiro livro vem com dois propósitos: O primeiro de dar um reboot não apenas na série, como em toda sua mitologia, o que é comprovado com o aparecimento dos novos dobradores de ar e a inserção dos novos personagens. O segundo propósito é o de retomar a qualidade atingida pela primeira série e o primeiro livro desta, e posso dizer que até aqui, o esforço deu resultado.

O terceiro livro, que começa de cara com três episódios, nos traz uma nova trama que promete ser bem interessante, além de nos trazer ambientações a que já estamos acostumados. O que me preocupa um pouco é que parece haver excesso de tramas neste início, mesmo sabendo que em algum momento todas elas devem convergir para o mesmo ponto. Um dos pontos mais positivos deste livro foi a série nos trazer ambientações já conhecidas pelos fãs da série antiga, além de nos trazer velhos personagens conhecidos, como o Zuko. Sim, eles trouxeram de volta o Zuko!! Uhull! Tomara que o personagem esteja tão bom quanto era quando jovem. Sempre achei o Príncipe da Nação do Fogo o personagem mais bem construído da série anterior, pois era o que tinha mais camadas, o mais complexo. Se os saudosistas têm motivos para comemorarem, os fãs novos ou que não ligam tanto para The Last Airbender também têm razão para darem seus pulinhos, pois os personagens novos (em especial os vilões) se mostram muito interessantes, mantendo a tradição das duas séries de nos trazerem ótimos antagonistas (com exceção do livro anterior).

A Breath of Fresh Air/Rebirth nos traz um teaser interessante, principalmente ao nos mostrar primeiramente o Bumi, entre tantos, com as novas capacidades de dobra de ar. A série traz ótimos personagens secundários, e Bumi é um dos melhores. Desde Sokka os personagens não-dobradores apresentam uma personalidade forte e irreverente para se destacarem em meio às ótimas cenas de luta, com elementos voando para tudo quanto é lado. Não sei até que ponto será permanente as habilidades destes novos dobradores, mas eu gostava tanto de Bumi sem poderes que não sei se gostei ou não de ele ter ganho esta habilidade. A divisão parecia quase matemática em se tratando dos três filhos de Aang: um dobrador de Ar, uma Dobradora de Água e um não-dobrador, que se torna uma característica tão importante quanto à dos outros dois, pois ela é quem determinou sua personalidade e bravura em campo. O que me preocupa com esse plot é que ele terá que ser muito bem explicado, senão a sensação que vai ficar é que Tim Hendrick e Joshua Hamilton apenas escolheram a saída mais fácil para resolver a problemática da extinção dos Nômades do Ar.

Outra tomada acertada de decisão é a série nos trazer de que forma vem sendo utilizado os serviços da Ordem da Lótus Branca, com as prisões especiais para criminosos super habilidosos. Desta vez, trata-se de um grupo de criminosos, muito poderosos. Não é surpresa vermos que o líder, Zaheer, apresentado neste episódio, não possuía dobra alguma antes da convergência harmônica, pois Amon e seu grupo de chi-blockers já haviam demonstrado que é possível ter uma luta igual entre as duas partes. Mestre em artes marciais, é possível que Zaheer já tenha tido alguma dobra, e esta ter sido retirada (como em Yakonne), apesar de a própria Asami ser prova de que ser expert em combate corporal não significa já ter sido um dobrador. Ainda assim não me fecharei para esta possibilidade. O outro dobrador, Ghazan, também se mostra um vilão interessante. Embora não apresente, até aqui, o mesmo intelecto do líder, sua habilidade de dobrar rochas magmáticas é intrigante, pois pode abrir uma brecha para dobra de fogo. A outra integrante, Ming-Hua (que é dublada por Grey DeLisle-Griffin, que dublava ninguém menos que Azula!!!), também é muito poderosa, principalmente porque ela usa a dobra d’água como prótese dos braços! Gente, como assim? Será que ela dobra o elemento apenas com a mente? Espero que seja explicado como ela faz. O mais interessante deste grupo é que eles abrem novas possibilidades de dobras que até então não haviam sido exploradas. Isso que ainda falta a última integrante, P’Li, que pode causar combustão com o poder da mente. Estou louco para ver como será o uso deste poder dentro da estética de Korra, sim, porque não se enganem, Zaheer e sua gangue vão conseguir libertá-la, mesmo com o próprio Zuko (além de Eska e Desna), protegendo o forte.

Outro acerto do episódio foi mostrar que a missão de trazer os novos dobradores de ar para o Templo do Ar do Norte não é uma missão muito fácil, e o Team Avatar foi, no mínimo inocente, ao pensar que seria. Muitos que ganharam seus poderes já têm suas vidas formadas, famílias, empregos… Obviamente eles não vão desistir de tudo para se transformarem em monges, vegetarianos, carecas, tatuados. Por um lado, Korra trouxe a dobra de ar novamente para o mundo, por outro, isso não significa um resgate da antiga cultura dos nômades. Bom, o nome do livro é “Mudanças”, até mesmo os protagonistas vão ter que se acostumar a elas.

Já em The Earth Queen, é resgatado o viés político que a série sempre teve, mesmo em sua antecessora, ao nos mostrar os dois lados da grande metrópole que é Ba Sing Se: A cidade baixa, destinada aos pobres, e a cidade alta, onde vive a elite e os monarcas. Onde há péssima distribuição de renda, há também descontentamento e protestos, e isso se manifesta nos “bárbaros” que roubam os impostos que são destinados à Rainha. Claro que não deverá demorar muito para a Avatar ter de interferir na situação da cidade.

A ambientação se mantém fiel à de The Last Airbender, com direito à vista espetacular do muro que cerca a cidade (e a isola do resto do mundo, de certa forma), muro este que foi a entrada de Azula ao Reino da Terra, e que a conquistou se passando pelas Guerreiras Kyoshi. Outro ponto que se mantém fiel é o clima de insegurança da população. Na série anterior, Katara e companhia não demoraram muito para descobrir porque Ba Sing Se era uma “cidade de muros e segredos”, e ao que parece, esta alcunha se manterá, com o sequestro dos dobradores de ar.

Uma trama, bem menos interessante, é a da parentada de Mako e Bolin. Embora seja dispensável, pois não vejo uma utilidade a médio ou longo prazo para ela, pelo menos conseguiu inserir os irmãos em algum plot, pois no livro passado eles ficaram um tanto deslocados. Embora Mako ainda esteja totalmente perdido, principalmente depois de seu término com Korra. Esse chove e não molha entre eles, aliado ao triângulo amoroso entre ele, a Avatar e Asami, torna o personagem apenas chato, o que é reforçado ao tentar nos mostrar, nestes três episódios, uma situação awkward entre eles. Surpreendentemente, parece que essa situação reforçou a amizade entre as amigas, que poderia ser abalada pelo triângulo.

A série começou bem seu terceiro livro, com três episódios que ainda podem melhorar, mas já se mostram superiores ao início do livro anterior. Agora que venham mais dominadores de ar, vilões e dobras incríveis.

Em tempo 1: As dobras e coreografias de luta já se mostram nesses três episódios bem melhores que boa parte de Spirits.

Em tempo 2: Sei que é difícil, mas queria muito que Varrick voltasse. Foi o melhor personagem do livro anterior. Lembrando que ele escapou da prisão graças às plantas gigantes que estão dominando Republic City.

Em tempo 3: Mako sem cachecol: Nããããoooo! Inconcebível.

Em tempo 4: As Indústrias Futuro devem estar indo muito bem. Até Zepelin para o Time Avatar Asami está construindo.

Em tempo 5: Bolin continua sendo uma ótima escapada cômica: A imitação de vovó e a apresentação das maravilhas de ser um mestre do ar foram hilárias, principalmente com aquele bigode.

Em tempo 6: Zuko voa em um dragão. Repito: ZUKO VOA EM UM DRAGÃO!!

Em tempo 7: Os Dai Li já eram sinistros antes e continuam sinistros agora. Adorei.

Em tempo 8: Uma das melhores cenas desses três episódios foi a do elevador, com Zuko, Eska e Desna confessando que já tentaram matar o Avatar para Tonraq.

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