Admirável mundo novo.

A premiere de Rectify mostra a série por outra perspectiva. Quase questionando como seria seu universo sem a presença viva e material de Daniel, e como sua família lidaria com essa perda. Ao trazer esperança para todos de que agora o protagonista viveria plenamente ao sair do corredor da morte, acaba danificando-os mais ainda ao retira-lo mais uma vez dos braços da mãe, irmã e familiares em geral. Rectify é cruel ao mostrar como a sociedade lida com um homem que talvez seja culpado de um crime horroroso. Ainda mostra como pessoas de cidade pequena tendem a lidar com esses problemas de seu próprio jeito, que geralmente escapam das questões éticas e morais da vida em sociedade. Se a justiça livrou Daniel do corredor da morte, nada mais justo que os que se opõe ao veredito também livrem o protagonista de um destino tão cruel quanto a morte. Em apenas uma semana de liberdade, o personagem já se encontra num coma, decorrente do espancamento que encerra a primeira temporada. A série consegue tratar de temas tão polêmicos com naturalidade, deixando para o espectador resolver qual lado tomar.

Rectify ainda traz seu discurso sobre deus e fé, colocando os personagens de joelhos buscando por explicações que justifiquem as atitudes dos homens que espancaram Daniel, ou em buscas de forças para aguentar a possível perda de um ente querido. Se Tawney trata a vida com otimismo, nesse momento não tem dúvidas de que seu deus ajudará Daniel a se recuperar, e a admiração mutua dos dois será retomada, gerando os melhores momentos da série. Por outro lado, o ceticismo de Amantha sempre a coloca em um lugar cheio de dúvidas e questionamentos, além de sua dificuldade de confiar nas pessoas. O amor que sente pelo irmão é abissal, por isso se sente tão impotente quando vê Daniel em situações como essa, pois o instinto básico é lhe proteger. É horrível saber que não se pode cuidar de quem se gosta o tempo todo.

Running with the Bull ainda retoma antigos conflitos e mostra um Ted Jr humilhado pelos acontecimentos da temporada anterior. Ao ter em mãos o presente de Daniel para Amantha, parece ter passado pela cabeça do personagem uma vontade animalesca de matar o meio irmão. Daniel é uma fera ferida, que ataca de volta quando encurralado. Num momento de vulnerabilidade, Ted se vê quase na obrigação de tirar do seu caminho um problema que só tende a se intensificar com o passar do tempo.

No mundo imaginário que se passa nos sonhos do coma de Daniel, diálogos com o melhor amigo Kerwin são retomados. E o amigo projetado por Daniel sente-se feliz por ver o protagonista livre. Essa dinâmica talvez dê forças para que ele saia do coma e volte ao mundo real, onde as pessoas não tem a calma e o pacifismo dos sonhos. Na vida real Daniel precisa se preocupar com sua própria cabeça, que é representada pela estátua decapitada.

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