#BensonBaby
Com o caso de Wilkes e a prisão de Amaro no final de Tought Criminal, não esperava muita coisa do último episódio desta temporada. Nick não possui carisma o suficiente para carregar sozinho um season finale, principalmente de uma temporada como esta, que nos mostrou episódios consistentes, casos interessantes, e sobreviveu a grandes mudanças. Como substituto direto de Stabler e como parceiro de Olivia, SVU buscou caminhos de aproximar Nick de Elliot diversas vezes, e Tought Criminal trouxe a mais recente delas.
O detetive Stabler, desde a primeira temporada de Law and Order SVU, era, dentre outras características, o reflexo da brutalidade da NYPD. Porém, o carisma do personagem e sua incrível química com Benson permitiam que o espectador torcesse por ele, entendesse seus atos brutais e acreditasse que o personagem agia desta forma em nome da justiça, mesmo que sua visão sobre esse conceito fosse deturpada e em determinados momentos passasse por cima do sistema judicial. Muitas vezes vimos Stabler passar dos limites com os criminosos, principalmente aqueles acusados de pedofilia. Era possível ver ódio, desgosto e repulsa em seus olhos, sentimentos compreensíveis para o espectador em função do tipo de criminosos que ele estava lidando.
E esta é a principal diferença entre Elliot e Nick. O detetive Amaro nunca conquistou essa posição no seriado, seu personagem é tão chato e mal construído que fica impossível compreendê-lo e torcer por ele. Em momento nenhum consegui me preocupar com a situação em que ele se meteu: se estava preso, se conseguiria pagar sua fiança ou se ele sairia impune desta confusão. A única coisa que passou pela minha cabeça foi que seria ótimo se ele realmente fosse obrigado a sair da SVU e o seriado encontrasse outro parceiro para Benson.
Acredito que SVU não esteja seguindo por esse caminho e que ainda veremos muito de Nick Amaro nas próximas temporadas. Mas espero que mudanças significativas sejam feitas com o seu personagem. Um erro do roteiro foi ter colocado Rollins como um personagem ativo na trama de Nick. Mesmo gostando da personagem, Amanda não tem carisma o suficiente para ajudar na situação de Amaro sem perder credibilidade. E foi exatamente isso que aconteceu na cena ridícula em que ela chantageia a mulher de Wilkes para que ele mude seu depoimento.
E, aqui, me encontro em um dilema: gostaria que este caso terminasse logo para que Nick não fosse o centro das atenções por mais tempo, mas, se esta realmente for a sua finalização, não vejo motivos para o caso ter existido em primeiro lugar. O único momento realmente interessante desta parte do episódio foi o diálogo Munch com Nick. John só falou coisas pertinentes e cumpriu muito bem sua “função paternal” (nas palavras não ditas de Benson) com Amaro.
Justamente por esses motivos, que no final do episódio anterior, quando o roteiro implica que seu season finale seria basicamente focado no caso Wilkes X Nick, fiquei completamente desanimada para assisti-lo. No entanto, para minha surpresa e felicidade, o roteiro nos mostra muito mais do que apenas o caso de Nick. Mesmo sabendo que o caso de Baby Doe seria abordado, imaginei que seria em um plano secundário em relação ao caso de Wilkes, mas o roteiro, em uma jogada muito inteligente, faz exatamente o contrário, colocando Olivia e Baby Doe no centro da trama e deixando Amaro como a história paralela.
A vida de Benson veio, mais uma vez, para salvar SVU. O trabalho de Mariska continua incrível e concordo com todos que comentam que a atriz merece ser vencedora do Emmy. Com Olivia, Murphy e Finn trabalhando no caso paralelo ao de Nick, foi muito simples focar nos pontos positivos e interessantes da trama, deixando de lado seus pontos fracos.
Logo em seus primeiros momentos, Spring Awakening faz questão de nos mostrar que mesmo com o espancamento de Wilkes e a consequente prisão de Nick, os detetives ainda tinham trabalho a fazer. Imaginei que o caso do roubo dos turistas por uma prostituta e seu cafetão fosse apenas uma pequena distração, mas o roteiro me surpreendeu mais uma vez quando esclareceu de uma vez por todas o foco principal do episódio: Baby Doe.
Desde que Olivia encontrou Baby Doe, SVU fez questão de nos mostrar a ligação que a personagem tinha com o bebê, deixando bem claro que sua adoção seria um futuro bem possível para Benson. Portanto, mesmo com um final previsível, gostei muito que o roteiro colocou essa questão no centro do episódio, através da prisão de Ellie, mãe do Baby Doe.
Mais uma vez vemos Murphy no papel em que se sente mais confortável: policial infiltrado. O detetive fingindo ser um turista foi realmente muito bom, e, após esse episódio, entendo melhor porque o roteiro vinha dando tanta atenção a esse lado do personagem. Não acreditei quando Murphy saiu correndo de sua sala dizendo para Benson que havia conseguido outro trabalho infiltrado e deveria deixar a SVU por enquanto. A expressão de incredulidade no rosto de Olivia foi a mesma que estava estampada no meu. Mesmo sabendo que o personagem estava confirmado apenas até este episódio, estava contando com a sua presença na próxima temporada. Nas palavras da própria Olivia: “Agora que estamos nos acostumando com você, você vai embora?”.
Porém, não é apenas uma questão de costume, o personagem foi uma ótima adição à SVU e gostaria que ele continuasse na décima sexta temporada. Infelizmente, assisti o episódio torcendo pela saída de um personagem e acabei sendo surpreendida pela despedida de outro.
Apesar de ter achado ótimo que a trama principal de Spring Awaneking foi a de Baby Doe, preciso confessar que a história acabou se tornando um pouco confusa e corrida a partir do momento que Ellie foge da casa em que estava segura para conseguir drogas. Seu corpo queimado e o surgimento de outro personagem acima de Little Tino que deu a ordem para o ataque foram tratados com extrema rapidez, o que me deixou um pouco confusa. Assim como aconteceu com a aparente finalização do caso de Wilkes.
No entanto, assim que vi a emoção de Olivia ao ouvir as frases da juíza e, principalmente, ao segurar Baby Doe no colo, foi impossível pensar em outra coisa. Uma sequência linda e emocionante de cenas fechou esta ótima temporada. Porém, o roteiro precisa arrumar um jeito de amarrar as pontas que deixou solta neste episódio.
Season finales têm por objetivo nos deixar com vontade de assistir à próxima temporada do seriado e é exatamente por isso que esses episódios sempre terminam em cliffhangers. Mas, este foi um cliffhanger diferente porque ao ver Olivia abraçada com Baby Doe (ou Noah, se ela decidir deixa-lo com este nome) o sentimento foi de completude.
PS: Sobre a decisão da juíza de entregar o bebê para Olivia – mesmo arriscando que a personagem tenha um bebê nas circunstâncias caóticas em que se encontram a SVU, ainda mais agora com a saída de Murphy, o seriado deixou claro que existe uma saída, já que o bebê não foi formalmente adotado. Espero que a personagem finalmente consiga ter o filho tão esperado, só resta saber se essa dinâmica vai funcionar.
PS II: Senti falta de Barba neste episódio, gostaria que ele tivesse participado mais ativamente do season finale.
















