Cavalentina, a homo sapiens que evoluiu errado.

No momento em que Valentina apareceu na cena de abertura, eu soube que ‘The Bad Seed’ seria um episódio difícil de gostar porque ele dedicaria bastante tempo de tela para Cavalentina. A constatação do meu desinteresse pela filha de Zoila começou ainda no S02E04, quando o romance entre Cavalentina e Ethan foi desenvolvido – ao término do episódio, reparei que fiquei tuitando e conversando no zap zap nas vezes em que ambos apareceram.

Lembro de ter nutrido uma simpatia pela personagem na primeira temporada, logo nos primeiros episódios, quando fazia diversas trapalhadas para poder chamar a atenção de Remi, o filho rico da patroa. Eu tinha esperança de que ela fosse meio Rubi e fizesse pequenas maldades para alcançar seus objetivos. O problema é que ela e Remi se amam reciprocamente. Portanto, não consigo concordar com as atitudes de alguém que é capaz de abrir mão de um cara que é rico, gostoso e te ama.

Esse arco causa ainda mais desânimo quando começo a pensar nos seus desdobramentos. É bem provável que Remi seja o primeiro a desconfiar do caráter de Ethan – que agora já podemos dizer, com certeza, integra o Movimento dos Robin Hood, grupo que ainda deve contar com outros personagens recém-chegados à trama. Cavalentina, cavala que só, deve ficar naquele lenga lenga achando que Remi está errado e apenas sente ciúme de Ethan. E aí eu percebo que o assunto já ocupou três parágrafos da review e resolvo encerrá-lo, mas não sem deixar de citar que finalmente essa cavala foi procurar sua mãe para pedir conselhos.

Seguindo a lógica dos novos personagens estarem envolvidos no arco dos Robin Hood, é possível que Tony, o segurança magia, também integre a gangue. É um erro manter os Powell na trama se sua história continuar seguindo de forma paralela. Por mais que seja divertido ver Evelyn se aproveitando de seu boneco perfeitamente inflado, volto a bater na tecla de que carisma não deve ser fator relevante para manter personagens em seriados. A tendência, quando os mesmos não são envolvidos na trama principal, é que eles se apaguem e transformem o carinho do público em puro ódio. Ainda assim, vimos que Tony quer ficar cada vez mais próximo de Evelyn e Adrian, por isso sugeriu que se mudasse para a casa principal. Entretanto, Evelyn o colocou em seu lugar e deixou claro que, apesar de querê-lo em sua cama, existe uma distância entre os dois que jamais será superada, independente de quantos orgasmos ele a proporcione em uma tarde.

Numa dessas voltas que a só a vida novelesca dá, Carmen foi trabalhar na casa de Spence, que por sua vez é tio do cabeludinho que tentou se matar ao final do S02E03. No instante em que ele apareceu, tomei um susto e pensei que estava assistindo In The Flesh (sorry, não vou usar aquela referência de zumbi da AMC). Mas salvo engano, houve uma citação rápida no S02E04 de que ele havia sobrevivido e estava no hospital. O episódio trabalhou bem a aproximação dos dois, com ambos indo dividir uma cela onde o jovem pode ver como Carmen era próxima de Alejandro. Mas não se engane, o objetivo disso é unicamente fazer com que o sobrinho de Spence fique com a consciência pesada e, algum dia, ajude a desvendar o mistério da morte do cantor. E isso tudo é uma pena. Me dói o coração ver Carmen se envolvendo em qualquer assunto que não seja sua carreira. A morte de Alejandro, que definitivamente foi um plot twist daqueles de nos fazer arrancar os cabelos da perereca que não temos (se você tem, parabéns!), acaba jogando contra a Carmen, não só por deixá-la mais longe do sucesso, mas também por envolvê-la em uma história que não consegue ser tão interessante quanto a anterior. Plot twist, yes we want! Plot shit, no thanks, Mr. Cereja!

Agora vamos falar sobre o mistério da temporada, que apesar de ter andado muito pouco, ganhou algumas novas pistas sobre a personalidade de Nicholas Deering: sabemos que ele é o primo americano perdido da Heloísa de Mulheres Apaixonadas. Ficou muito claro para Marisol que ele nutre um ciúme doentio por quem ama. E o que dizer sobre Marisol? Que ela é burra burra! Burra uma vez porque não aproveitou aquela pegada forte que recebeu depois da discussão com Nicholas (todo mundo sabe que sexo de reconciliação é tipo, o melhor sexo ever!). E burra porque está vivendo um ambiente de desconfiança e mesmo assim continua noiva de um cara que é capaz de lhe dar O Beijo do Vampiro.

Mas, porém, contudo, entretanto, todavia, apesar de estacionada, descobrir mais essa característica sobre Nicholas faz a gente brincar de Mãe Dináh, que foi descobrir se no céu tem pão. Saber que Dahlia teve um amante é mais um fator que podemos acrescentar à equação para solucionar o mistério. O Pau tem um dinheiro guardado em nome de Ethan, que é uma das testemunhas do suposto crime que ceifou a vida de Dahlia. Ainda não estou 100% certo de que Nicholas e Ethan não são, de fato, pai e filho. Pode ser que as dúvidas dos últimos episódios tenham surgido apenas para mostrar que não, a história não irá por esse caminho. E se o segredo que Nicholas esconde tem a ver com esse amante? E se ele tiver matado esse amante? É o tipo de coisa que logo saberemos porque Marisol adora brincar de CSI e, tão cedo possível ou necessário, certamente irá investigar o assunto.

Em tempo de perspectivas para Devious Maids, aqui surge outro núcleo que também está cheio delas. Neste episódio, conhecemos um pouco mais da relação de Lucinda e seu pai. Agora sabemos que ela ficou grávida aos quinze anos e, por ordem de Kennet, entregou a criança para adoção. Aqui é preciso fazer uma pausa para analisar as possibilidades. Uma delas é de que a série resolva buscar esse filho perdido. Isso me faz lembrar de pelo menos duas séries que foram atrapalhadas por plots do tipo: Revenge e Ugly Betty. E para piorar, é a cara da Rosie chegar e falar, com a voz cheia de sotaque: “Ohh, Miss Lucinda, I will help you find your son”. Ou, pode ser que essa característica tenha sido apresentada apenas para esclarecer a relação entre Lucinda e Kenneth. Torço para que Lucinda seja uma vilã. E, se isso acontecer, ela será uma vilã bem motivada – aquela do melhor tipo, mas que geralmente se redime no final.

Rosie conseguiu me deixar irritado nesse episódio ao lidar com a situação que envolve Miguel. Acredito que qualquer mãe ficaria extremamente irritada ao saber que alguém deu uma palmada em seu filho. Entretanto, vamos convir que o moleque bem precisava de umas palmadas. Ela mora na casa dos patrões e seu filho tem que aprender a não incomodá-los. E mais. Rosie também foi muito atirada ao pedir Lucinda para que vigiasse a criança. Queria ver ter moral de dizer isso para Evelyn Powell! Ia levar, no mínimo, uma cusparada na cara! Mas gosto da Rosie, sigo me divertindo com ela – como na ótima, porém repetida, piada em que ela grita com o filho em espanhol na frente da patroa, fingindo que está advertindo-o.

Por fim, Zoila teve pouco destaque. Sempre que Cavalentina aparece bastante, ela é a principal prejudicada. Cavalentina envolve a mãe em seus problemas e a puxa para baixo, sendo que Zoila consegue se destacar todas as vezes em que está envolvida em seus próprios plots. A esperança é que Genevieve cumpra a promessa feita a Remi e ajude o filho a recuperar Cavalentina. É o tipo de coisa que me segura na série, muito mais do que um cliffhanger óbvio como aquele envolvendo Ethan e o sobrinho de Spence. A segunda temporada de ‘Devious Maids’ chega a seu quinto episódio com um típico episódio de meio de temporada. Entretanto, mesmo nos momentos em que permanece estacionada, a série consegue se manter divertida graças a um bom time de atrizes, com excelente timming cômico, que fazem valer a pena cada um dos 40 minutos de cada episódio. A exceção é Cavalentina, só ela.

PLACAR:

Estamos há dois episódios sem Odessa. E contando.

*Este texto é o produto de uma conversa entre os reviewers Thiago Lourenço e Luiz Gustavo Cristino, e assim serão as reviews de Devious Maids daqui em diante. Porque a gente não é Avon, mas a gente conversa, a gente se entende. O resultado é esse aí.

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