A doce redenção de uma série!
Chega ao fim a segunda temporada de The Following e agora sim, com toda certeza, podemos dizer que essa temporada conseguiu, de forma eficiente, superar a primeira. Falo isso, não somente analisando os episódios separados e sim, analisando a temporada como um todo. Eu mencionei em reviews anteriores que a maior diferença e motivo da melhora dessa temporada, foi o fato dos roteiristas terem deixado de lado a ideia de transformar The Following em uma série complexa demais e com teor existencial. Quando os roteiristas deixaram de lado essas tentativas, eles abraçaram as imperfeições que tanto irritaram os fãs na primeira temporada e isso deixou a série mais leve, mais agradável de acompanhar e principalmente amenizou os clichês que diminuíram muito o potencial da história na primeira temporada. Não dar muito espaço para o FBI nessa temporada foi, também, uma saída inteligente.
Outro fator importante para a melhora da série, definitivamente foi a mudança em nossa mentalidade. Nós também abraçamos as imperfeições, a burrice do FBI e a síndrome de macho de Ryan Hardy e passamos a acompanhar a série com o intuito puro de nos entreter e, de fato, essa nova maneira de encarar a série deu certo. Digo com segurança que eu me diverti à beça com The Following nessa segunda temporada e estou satisfeita com os rumos tomados pela série.
Fico satisfeita, também, por não ver aqui a presença excessiva dos artifícios recheados de clichês e sem criatividade da season finale da primeira temporada. Isso significa a melhora significativa do roteiro. Dessa vez fomos poupados de um cliffhanger preguiçoso e incrivelmente previsível. O maior mérito dessa temporada foi chegar ao seu final e não nos apresentar o cansativo mistério de “será que ele está vivo?”, mesmo quando é óbvio que está. De certa maneira, o final dessa temporada fechou várias pontas soltas de forma aceitável e nos deixou mais interessados nas possibilidades que virão na terceira temporada. Diferente da primeira season finale, hoje, me vejo mais ansiosa e interessada no futuro de The Following.
Ainda mais porque esse futuro se fortalece com a sobrevivência e, consequentemente, na futura presença de um personagem em específico: Mark. Para mim, não há dúvidas que o nome dessa temporada, e também, um dos grandes motivos da melhora da mesma, foi Sam Underwood com sua competente interpretação dos gêmeos Luke e Mark. Esses personagens trouxeram uma nova e importante dinâmica para a série, e mostraram que não há necessidade alguma de colocar todo o peso em cima de Ryan Hardy e/ou Joe Carroll.
Também acredito que os dois personagens foram mais eficientes, em mostrar a medida certa de perturbação e insanidade, que Joe Carroll. Mesmo assim, digo que, para mim, o final dos personagens foi realmente agridoce. Afinal, em um mundo perfeito os dois sobreviveriam aos acontecimentos e voltariam na próxima temporada. Mas não foi isso que aconteceu. Luke, aparentemente, nos disse adeus. Digo aparentemente já que os roteiristas de The Following ainda podem cometer deslizes e achar uma maneira, louca, de trazer Luke de volta. Mesmo ficando extremamente triste com a morte de Luke, já que meu coração batia um pouco mais forte por ele, eu entendo o que ela trará para o futuro da série, já que agora Mark deverá perder qualquer vestígio de “bondade” que ainda tinha e assumir de vez a insanidade do irmão e também a sede por vingança e violência. Realmente espero que, dessa vez, os roteiristas deixem os mortos permanecerem mortos.
Antes de partir, Luke e seu irmão Mark tocaram o terror e colocaram Ryan, Joe e Claire em seus devidos lugares. Por falar em Claire, pela primeira vez achei uma utilidade para essa mulher do capeta. Ela fez o que eu queria que alguém fizesse desde o início da série: matar Emma. O embate entre as duas foi bem interessante de se ver, porque qualquer uma que morresse me faria extremamente feliz. Admito que, naquele momento, eu queria mesmo é ver Emma se ferrar e vazar (morrer) mais do que Claire. Emma entrou e saiu como a personagem mais chata e insuportável da série, na minha opinião. O que nunca permitiu a evolução de Emma foi exatamente a paixonite e a possessão imbecil que ela sentia por Joe. Entendo que essa é a temática da série, mostrar como funciona a atração que os seguidores sentem por Joe, e assim, entendo também que alguns desses seguidores estão fadados à paixonite. Uma pena que Emma faça (ou fazia) parte desses “alguns seguidores”. Tudo bem que esse sentimento foi a arma ideal utilizada, de maneira brilhante, por Joe para manipulá-la, mas para Emma, esse sentimento nada mais foi que o real empecilho para a evolução da personagem.
Mas a realidade é que eu queria mesmo ver quem se daria mal primeiro no duelo entre essas duas personagens tão chatas. Fico ainda mais feliz porque Emma morreu mesmo. Não há, pelo menos ao meu ver, margem para um retorno mirabolante. Luke bem disse: “essa caiu e não levanta mais”, para nossa, ou só minha, alegria. Aparentemente Claire também disse adeus, mesmo que viva. O importante é que ela resolveu desenconstar de Ryan e ser uma boa mãe para o pobre Joey. Ao mesmo tempo que esse ato de abdicar o amor pelo bem-estar de Ryan fez de sua presença ainda mais irrelevante, afinal, a desculpa para sua volta trouxe uma ideia que ela estava ali justamente para lutar pelo amor de Ryan e consequentemente ter um final feliz com ele. Até mesmo porque, quando ela voltou a pobre Carrie Cooke desapareceu.
Pobre foi o Richard, que nada adicionou à história. A mesma coisa pode ser dita sobre Kingston Tanner e seu filho Preston? Esperei mais desses dois personagens, e não entendi muito o motivo de transformá-los em simples vítimas de Joe e também do acaso. Essa simplicidade mostrada no destino desses personagens tirou todo o efeito e razão para o sacrifício final de Kingston para salvar o filho e, até mesmo, sua fé. Mas triste mesmo foi o fim de Lily Gray. Uma personagem que trouxe mais força e mais potencial para a história morrer daquela maneira tão simples e banal chegou a machucar, mesmo entendendo que aquela morte foi necessária para marcar o fim da metamorfose de Mike Weston, que não tem mais dúvidas sobre o que é necessário fazer e como fazer e, muito menos, sofrerá de consciência pesada/arrependimento.
Mas, não podemos negar que a série, mesmo que tenha coadjuvantes mais eficientes, sempre foi sobre o relacionamento de gato e rato, e totalmente dependente, entre Ryan Hardy e Joe Carroll. Esses dois últimos episódios mostraram ainda mais isso. Mostrou também que, o que realmente os conecta, e até mesmo o que os torna parecidos, infelizmente, é o amor pela mesma mulher. Mesmo que essa mulher seja a chata da Claire, acho válido mostrar que os dois têm um ponto em comum tão forte, capaz de uni-los no mesmo objetivo.
O mais interessante nesse final de temporada, foi ver que todas as ações de Ryan, até as mais burras, foram motivadas pela sua vontade de redenção. Quando Ryan era jovem ele embarcou em uma jornada de vingança contra quem matou seu pai, e depois de adulto ele embarcou em uma nova jornada de vingança, dessa vez contra Carroll, e ambas jornadas foram responsáveis por sua destruição. Então, percebemos que a série, principalmente essa segunda temporada, nos mostra Ryan em sua tentativa de quebrar todos seus hábitos destrutivos e principalmente atingir a redenção. Portanto o fato de Ryan nadar, nadar e morrer na praia ao escolher, no final, não matar Joe fez todo sentido, dentro do contexto da redenção, que aparentemente ele atingiu.
Pelo menos a dependência de Joe Carroll foi algo que, ao que tudo indica, ele deixou para trás. Mas, ao mesmo tempo em que ele se livrou das amarras de Joe, Ryan ganhou novas amarras, que dessa vez atendem pelo nome de Mark. Afinal, está claro que o antagonista da próxima temporada será Mark e quem quer que seja aquele que o ajudou a escapar. A identidade dessa pessoa é o cliffhanger dessa temporada. Um cliffhanger mais saudável e que abre o leque de possibilidades para os futuros acontecimentos. Será que estamos presenciando o nascimento de uma real parceria entre Joe e Ryan? Afinal, qual será a necessidade e função de Joe, agora que ele está na prisão? Isso, claro, se não inventarem outra fuga alucinante, e cansativa, para ele. Se a próxima temporada manter o ritmo dessa já me dou por satisfeita.
Mike continua como meu personagem favorito, e nessa temporada ele realmente virou homem. Mesmo que esse homem seja uma versão mais jovem de Ryan Hardy. Só me resta esperar que ele aprenda com os erros do seu mestre e se mostre mais inteligente e prudente. Mike perdeu muito nessa temporada, pelo menos ele teve um prêmio de consolação e ganhou amor. É exatamente esse o motivo para a entrada de Max Hardy na história, para demonstrar amor e fazer os personagens se sentirem amados nos momentos de maior necessidade, não somente Mike como também Ryan. E esse motivo no final justificou, razoavelmente, a presença da personagem.
A segunda temporada de The Following acabou e além de redimir a série, justificou a raiva que muitos fãs sentiram da primeira temporada, afinal, nós sentimos raiva por séries em que ainda acreditamos, caso contrário simplesmente as abandonamos. Ainda acreditávamos em The Following e essa “fé” foi um pouco recompensada. Agora, basta esperarmos pela terceira temporada e torcer para que a equipe criativa da série continue mantendo aquilo que deu certo e, principalmente, se livrem mais daquilo que deu/dá errado.
















