O começo de uma nova série.
Se eu já assisto a essas duas séries (TAAHM e TBBT), por que deveria assistir a mais uma? A minha resposta é fácil: o diferencial dessa série está principalmente em seus atores e atrizes. Anna Faris e Allison Janney são ótimas, e conseguiram ficar ainda melhores atuando lado a lado”
O parágrafo acima foi retirado da minha review sobre o piloto da série. Vinte e dois episódios depois chegamos à season finale, e a minha resposta a essa pergunta seria a mesma. O que podemos então concluir disso tudo?
“Mom” conta a história de Christy, uma mãe solteira e ex-alcoólatra e a sua luta para reconstruir sua própria vida. Essa é a premissa da série apresentada lá em 2013 quando todos nós fomos convidados a acompanhar mais uma sitcom de Chuck Lorre.
Hoje, podemos afirmar que ela não seria suficientement forte para nos segurar por vinte e dois episódios. Chegamos até à esta season finale pelos motivos contidos na resposta lá no primeiro parágrafo.
Fim de temporada é tempo de balanço, e nada melhor (e mais importante) quando se fala da primeira temporada de uma série, onde as apostas são diversas, e a gente consegue ver claramente o que deu ou não certo.
Começando pela protagonista original, Anna Faris ralou para cair nas graças do público com sua Christie, que mais parecia um peixe fora d’água nos primeiros episódios. Lembram o quanto ela era exagerada em certos momentos, e extremamente apagada em outros?
Enquanto o problema não era resolvido, Chuck Lorre apostou seguro e deu espaço para Allison Janney brilhar ainda mais. Bonnie não foi concebida para receber tantas falas, mas a série estava com sua estrela maior desfalcada, e precisava de um substituto o mais rápido possível.
O resultado, como todos nós lembramos bem, foi o melhor possível. Não só ela cresceu e protagonizou vários episódios ao longo da temporada, como também continuou no topo quando Anna voltou totalmente reformulada.
Bonnie sempre agradou aos fãs da série, e com certeza deve ser a personagem mais querida. Isso se deve em muito ao fato de Allison entregar uma fluidez absurda em cena, como se estivesse totalmente a vontade com cenário, equipe e elenco, assim como com a personagem criada para ela.
Creio que essa relação entre as duas pelo posto de protagonista será sempre um grande trunfo para série, que poderá valer-se disso sempre que um ou outra estiver com uma imagem mais desgastada. A cena final dessa season finale deixou isso bem claro.
Christie passa a segurança necessária para fechar a temporada, por isso estava em pé e comemorando mais uma marca de sua nova vida, mas com Bonnie por perto, sentadinha e pronta para pegar o seu posto sempre que houver a necessidade.
Sempre considerei Violet como a minha personagem coadjuvante favorita. Bati bastante nesta tecla nas minhas reviews iniciais, e fiquei extremamente satisfeito com o espaço dado à ela nessa reta final.
Não ter ficado com o bebê foi a melhor saída, já que marca a quebra de um ciclo pelo qual sua família vivia até o momento. Seria divertidíssimo assistirmos a três mães e um bebê, mas a personagem acabaria ficando muito limitada a esse papel, um papel tão presente já na série que até serve de nome para a mesma.
Foi inteligente por parte dos roteiristas da série em não colocar mais uma “mãe” num elenco tão enxuto. As possibilidades ficam maiores assim, já que Violet continua sendo a única “filha” da série.
Não sei o que esperar do casal que adotaram a criança, se eles vão ou não continuar na série. Não posso também falar da vida real pois não sei como as coisas realmente funcionam, se a mãe biológica acompanha de perto o crescimento do filho ou não. Pela lógica o afastamento definitivo é o caminho, e creio que a série seguirá esse rumo.
Sadie Calvano cresceu tanto na série que acabou levando na garupa Spencer Daniels e seu amalucado Luke, que passou o final de temporada numa eterna busca nos corredores do hospital pelo amor da sua vida.
Gosto muito do jeito que o personagem foi apresentado e utilizado. Aposto que teremos ainda mais desse “Teen Jesus” ao longo da nova temporada, com decisões importantes a serem tomadas, e se ele vai ou não aceitar o convite recebido e trabalhar no desenvolvimento de games.
Quanto a Roscoe e Baxter, que tiveram um momento pai e filho nesse final, digo que a série não soube muito bem encaixá-los num contexto em que tantas mudanças aconteceram. Ambos precisam aparecer mais, ou a série ficará restrita a pouca gente.
E claro que tudo isso pode acontecer principalmente porque o núcleo secundário da série simplesmente não deu certo. Vocês se recordam de como as cenas no restaurante eram frequentes no início da temporada? E como ele sumiu no final?
Rudy até despertava certa simpatia, e foi responsável por momentos engraçados no episódio em que ele se envolve com Bonnie, ou em pequenos vários momentos ao lado de Christie. Mas foram elas que tornaram essas cenas engraçadas.
Já Gabriel nunca teve uma linha muito bem clara. O que começou como um triângulo amoroso que poderia render bons momentos, simplesmente murchou. E o personagem nunca mais teve seu ego inflado.
Ou todo esse cenário é reformulado, ou é hora de limá-lo para sempre. A família de Chsritie se vira muito bem sozinha, e não faria falta alguma à série esses personagens. Não tenham medo roteiristas, arrisquem!
O último ponto que eu gostaria de salientar é que a série foi dividida entre todos esses personagens, e quando alguns deles não funcionam, as lacunas devem ser preenchidas. “Mom” abusou das participações especiais, mas o saldo final mesmo assim foi positivo.
Tanto quanto Regina como Marjorie tiveram grande importância na maioria dos episódios em que estiveram presente. Em grande parte elas funcionaram, mas um cansaço era notável. Além das duas que poderiam muito bem continuar na série, outro personagem que deveria permanecer apareceu mais para o fim da temporada.
Alvin, o pai desconhecido, veio para balancear a série que estava carente de personagens masculinos, e acabou sendo um alento criativo e tanto ao rumo da temporada. Os amassos dele com Bonnie no final não podem ser interpretados como a certeza de um casal feliz, mas sim como a possibilidade de inúmeros acertos de conta entre ambos.
“Mom” veio ao mundo como mais uma cria de Chuck Lorre e era apenas mais uma comédia da CBS. Ela precisava se destacar das demais para conquistar um pedacinho num terreno cheio de leões famintos. Começou errada, perdeu telespectadores, e viu o sinal amarelo acender.
Mas tinha o trunfo de ser filha de Lorre, e por isso teve um tempo a mais para se reorganizar. E foi o que ela fez, direcionando suas apostas para uma comédia que fala de temas reais, alternando cenas de humor escrachado com drama de encher os olhos.
É cedo para falar em maturidade para uma série que vai para o seu segundo ano ainda, mas é inegável o quanto ela cresceu ao longo desses vinte e dois episódios. Se a série continuar a crescer e a entregar episódios que nos surpreendam, com a certeza a audiência a corresponderá, colocando-a, quem sabe, lá em cima, como mais uma série de sucesso de seu criador.















