E quando a fila nunca anda?

Dizem que o melhor da festa é esperar por ela, mas no caso de uma festa que decide os rumos da sua vida, a espera pode ser excruciante. Os preparativos para o grande momento da própria existência não soam como a melhor das expectativas conquistadas… Quem tem fome de importância quer correr contra o tempo e não há nada pior do que saber o que vem depois e não ter certeza de quando esse depois vai chegar. A vontade é sair gritando com o mundo ou tomar uma pílula do sono e só acordar quando for possível viver o tão esperado momento.

Esse é basicamente o lugar onde está Selina Meyer quando essa terceira temporada começa, depois de dois anos buscando um lugar relevante ao sol e tendo a chance de ocupar a cadeira mais importante de toda a nação. Selina quer ser presidente, mas o cargo de vice se agarrou nas canelas dela como um cachorro tarado e por mais que ela se sacuda inteira, todo seu legado de inutilidade vive ameaçando-a como um fantasma.

O primeiro episódio dessa temporada começou com aquele momento necessário para fazer a protagonista merecer ao menos um pouco de sua derrota: Selina é um poço de pretensão e mandar um funcionário escrever um livro por ela é bem de seu feitio. Um livro que não diz nada, intitulado com coisa nenhuma. O ápice do que é essa mulher, enfim. Sempre assessorada por gente tão estranha quanto ela, vale dizer.

Com o casamento de Mike acontecendo durante a turnê do livro, foi necessário contratar um puxa-saco diferente, com o qual, é claro Selina não sabe lidar. É só uma questão de tempo, não se enganem. O novo funcionário é tão idiota quanto os antigos, só não aprendeu a fazer o trabalho ainda. E o trabalho é aquele de sempre: mentir por ela, dar declarações estúpidas por ela e garantir que nenhum evento pelo qual ela passa, termine sem uma boa dose de vergonha alheia para engordar o currículo.

Selina está cada dia mais surtada… E o surto aparece de modos cada vez mais físicos, ou seja, pra ela começar a bater a cabeça na parede, não custa. E sejamos bonzinhos com ela… Dá até pra entender. A oportunidade de ser candidata a presidência está ali na próxima esquina e ao invés de POTUS acabar logo com essa agonia, fica enrolando tanto quanto enrolava para fazer ao menos um telefonema para o escritório dela. Dá pra culpá-la por bater em móveis ou fazer discursos absurdos em velórios alheios? Não, não dá. 

POTUS, aliás, não só não dá a bendita notícia de uma vez, como também está confundindo a campanha da Vice mesmo antes dela começar. O homem que foi Pró-Aborto a vida toda, resolve ser Pró-Vida de uma hora pra outra. Aí pronto… A cabecinha de Selina se confunde toda, porque uma declaração precisa ser feita e para fazê-la, ela precisa se posicionar a respeito. E é aquilo… Peçam pra Selina plantar uma bananeira, mas não peçam pra ela se comprometer com alguma coisa. Ela fica apática e seus funcionários, histéricos. 

Dan esteve especialmente estranho… O segundo episódio da temporada correu num ritmo menos humorado, talvez afetado indiretamente pela ebulição de nervosismo que permeou as cenas entre os personagens. Eu ri pouco, mesmo reconhecendo que o roteiro continua afiado e até disposto a fazer algumas mudanças importantes na dinâmica das coisas. 

É o caso de Jonah, por exemplo. Demitido da Casa Branca na premiere, o pernóstico rapaz apareceu na segunda semana como uma espécie de mecanismo midiático para exploração dos bastidores da mesma. Até duvidei um pouco da demissão dele por motivos óbvios. O que seria de Jonah sem essa tão importante posição? Mas ele realmente saiu e agora virou uma pedra no sapato do escritório da Vice, já que por antagonismo à Dan, ele pode acabar sendo prejudicial à reputação da nova candidata. Jonah nunca foi um dos meus personagens favoritos, mas acho bom que os roteiristas estejam dispostos a tirar alguns dos núcleos da zona de conforto. 

Essa review acabou atrasando mais do que o esperado, mas isso não teve a ver com a minha reação aos episódios. Veep começou num ritmo acelerado no que diz respeito aos novos acontecimentos, mas em minha opinião, um pouco menos focada no humor referencial e físico pelo qual ficou conhecida. Ainda há muito o que ver, então, não sejamos precipitados. Selina Meyer vai precisar piorar muito pra nos fazer mudar de canal. 

The Shit Wing: Como Selina pode dispensar Project Runway? Como??

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