Team Blake, a ameaça velada da sexta temporada.

Duvido que alguém que tenha experiência com o The Voice – mais especificamente, experiência anterior à quinta temporada do reality – tenha tido sequer um vislumbre de novidade ou surpresa ao ler minha afirmação acima. Especialmente pelos acontecimentos da chocantíssima segunda temporada e do entediante quarto ciclo do nosso show, estamos vacinados com o Team Blake, e sabemos o tamanho do erro que é subestimá-lo. Muitas vezes, um artista pelo qual não daríamos nada se estivesse em outro time é visto como uma ameaça aqui diante do espetacular histórico do coach country.

O episódio da última terça, que inaugurou os Playoffs mais chatos e entediantes do universo e girou inteiro em torno do Team Blake, nos passou exatamente essa sensação de que, por mais que não pudéssemos botar a mão no fogo por nenhum dos artistas ali presentes, o simples fato de eles terem escolhido o coach que têm potencializam ao máximo a maneira como seus talentos serão vistos pelo público americano. E, se anteriormente eu afirmaria que escolher o Team Blake só é de fato uma boa ideia para menininhas adolescentes chatinhas e para cantores country, a temporada passada nos mostrou que tias divas não podem ser subestimadas, o que definitivamente coloca Sisaundra Lewis no topo ou bem próxima do topo do ranking de apostas deste ano.

Mas, afinal, chegaram os Playoffs e o começo da contagem regressiva para que os participantes entreguem performances realmente dignas e capazes de nos arrebatar. No caso específico do Team Blake, ainda estou esperando para ver alguém assim, mas ao menos uma apresentação desta semana foi extremamente respeitável. Segue o ranking:

5. Madilyn Paige – Clarity (Zedd)

https://www.youtube.com/watch?v=z0YWGBewzwY

Ok, eu venho sido um grande apoiador de Madilyn Paige desde a sua espetacular batalha (no Round 1, porque, como se não bastasse o tédio que foram as infindáveis batalhas, agora são duas por temporada e eu ainda tenho que ficar especificando de qual etapa estou falando!). Mas sua performance de “Clarity” me lembrou muito a fraca “Titanium” de sua blind audition, com uma dificuldade imensa com a afinação e o mais puro terror estampado na expressão facial da cantora. Não há para onde correr aqui, não houve um bom trabalho em nenhum aspecto, e infelizmente, eu, que tinha altíssimas esperanças para Madilyn, sabia que o jogo tinha terminado para ela assim que essa performance acabou. Honestamente, não sei por que participantes de realities musicais ainda escolhem essa música, nunca dá certo. E, se Madilyn tivesse estudado a temporada passada saberia que, quando nem Jacquie Lee consegue fazer uma canção ficar minimamente decente, é quase obrigatório que todos evitem cantá-la.

4. Ryan White Maloney – Second Chance (Shinedown)

https://www.youtube.com/watch?v=7besdh-R1Zk

Não vou mentir e dizer que Ryan White Maloney não fez um trabalho vocal respeitável em sua apresentação. Na verdade, não vou nem dizer que a próxima pessoa desta lista cantou melhor do que ele, porque seria uma mentira cabeludíssima. Mas, afinal, por que Ryan não está entre no meu Top 3 da noite? Simples: o cantor sacrificou toda e qualquer nuance emocional da canção e simplesmente foi incapaz de parecer mais do que um cara comum cantando no karaokê. Meus cumprimentos pela escolha musical ousada, meus cumprimentos pelos vocais bastante satisfatórios, Ryan, mas infelizmente não deu.

3. Jake Worthington – Anywhere With You (Jake Owen)

https://www.youtube.com/watch?v=jZvmtUw8z_E

“Eita preguicinha boa… hein? Mas hein? O que aconteceu com o episódio? Parou? Mas o Jake não estava começando a cantar?” Sim, pela primeira vez na história do The Voice dormi no sofá, de calça jeans e tudo, enquanto assistia ao programa. Como cantor, Jake é entediante assim, mas, diante de uma temporada que está beirando o insuportável, quem pode culpá-lo? Ainda assim, sua interpretação passa muita verdade, emoção e conexão legítimas com a música. O problema é que a escolha musical foi tão cômoda que não deveria ter tido sequer uma mínima semitonada, o que passou longe de ser o caso. Mesmo não sendo grande coisa, Jake já foi bem melhor do que isso em fases anteriores, mas quem estou querendo enganar? Mesmo com tudo isso, eu teria passado o menino para o Top 12, o que diz muito sobre sua personalidade e sobre como ela pode ameaçar todo e qualquer competidor desta temporada. Observação: NADA – nem Holly Tucker! – é mais irritante em um reality musical do que uma jurada que quer se fazer de boazinha e diz “Não posso te dar feedback técnico porque te adoro”. MULHER, VOCÊ ESTÁ RECEBENDO MILHÕES!!! TOME VERGONHA E TRABALHE!!!!

2. Audra McLaughlin – A Broken Wing (Martina McBride)

https://www.youtube.com/watch?v=BEmi2cF5me4

Audra perdeu sérios pontos pela escolha mais óbvia, segura e previsível possível, que passou, mais uma vez, a imagem de uma cantora genérica. Mas, desta vez, é absolutamente impossível questionar seus poderosíssimos vocais e sua conexão legítima com a música – o que transbordava em todos os aspectos, como a dinâmica vocal da performance, as inflexões, as expressões faciais e o bom uso do palco. Audra ainda tem muito a provar se não quiser ser vista como uma Holly Tucker 2.0, como bem comparou a leitora Ana na última review. Mas ao menos tivemos uma performance digna de representar o Team Blake no Top 12, sem sombra de dúvida.

1. Sisaundra Lewis – New York State of Mind (Billy Joel)

https://www.youtube.com/watch?v=zG54shuWIZk

Eu SEMPRE escuto o nome dessa música e penso na canção de Alicia Keys, e fiquei empolgadíssimo com a possibilidade de ver Sisaundra cantando o hit da diva do R&B (cujo título, na verdade, é “Empire State of Mind”, mas vai convencer minha mente disso no calor do momento). Depois de alguns segundos, percebi que se tratava de uma música muito mais antiquada, e fiquei um pouco desanimado, porque é uma escolha muito óbvia para Sisaundra e da qual ela precisa muito fugir se realmente estiver de olho no prêmio. Mal sabia eu que Sisaundra, a senhora é uma destruidora, mesmo, hein? Absolutamente nada pode soar problemático ou desanimador se for cantado na voz dela. O início foi realmente lindo, e me mostrou que Sisaundra é plenamente capaz de entregar uma performance mais contida  menos escandalosa, coisa que ela nunca havia feito até então. O final, a partir do primeiro “I’m in a New York state of mind”, foi simplesmente arrebatador e arrepiou até o meu último fio metafórico de cabelo. Entre esses dois trechos, ainda tivemos alguns problemas que Sisaundra precisa corrigir, em especial o excesso de teatralidade e artificialidade da performance em alguns momentos, já que é possível passar dor ou melancolia sem de fato fazer caras e bocas de alguém que está sofrendo as mais duras torturas físicas, mas eu diria que uma performance do nível de “New York State of Mind” já dá méritos no mínimo para um Top 6 para Sisaundra.

Sisaundra, aliás, foi a primeira cantora escolhida por Blake, o que fez todo o sentido. Mas, apesar de Audra realmente ter entregado a segunda melhor performance da noite, o ideal seria que Blake (no caso, a produção do programa) escolhesse Jake antes para aumentar o suspense. Da forma como a ordem foi anunciada, não houve um pingo de surpresa quando Jake foi o último escolhido, e eu só queria que o episódio acabasse logo para poder ir dormir direito. Com exceção desse detalhe, até agora não vejo um grande problema com a mudança no formato dos Playoffs, visto que a chance de o público escolher justamente Sisaundra e Jake seria de 99,99999%, e Blake, então, salvaria Audra McLaughlin de qualquer forma. Vamos ver se essa sensação permanece nos demais times.

Ainda que a noite tenha feito jus a toda a temporada e sido extremamente morna e entediante, não podemos, nem de longe, descartar Blake como um provável vencedor da temporada, especialmente pela presença da ameaçadora Sisaundra e do não muito bom, mas extremamente amável Jake, concordam?

Nesta semana, teremos os Playoffs do Team Adam, do Team Usher e, claro, as mundialmente temidas decisões do Team Shakira. Expectativas? O Team Adam agora me importa muito pouco, e Usher dificilmente tomará decisões erradas, mas estou em pânico absoluto com nossa colombiana e preciso de uma terapia coletiva nos comentários para me acalmar. Ajudem-me, e até lá!

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.