O início da internet tal qual a conhecemos hoje, técnicas para burlar o polígrafo e um muito bem-vindo destaque para Philip.
Nesta semana The Americans apresentou evolução e desenvolvimento em todas em suas subtramas, comprovando o alto nível de qualidade do roteiro da série.
Em ARPANET tivemos a oportunidade de novamente acompanhar Philip sob os holofotes. Os roteiristas decidiram sabiamente focar o episódio no protagonista masculino da série, equilibrando com o destaque maior já dado para Elizabeth na maioria dos capítulos anteriores dessa temporada.
Novamente aqui Phil tinha outro personagem, desconhecido para os telespectadores (como foi o caso do agente do Mossad), para interagir e mostrar novas nuances e características do personagem. Sua jornada segue evoluindo e sua persona continua demonstrando forte senso moral, de responsabilidade em suas missões, ao contrário do colaborador alcoólatra da “causa”.
Foi realmente gratificante e interessante observar Philip aborrecido com a irresponsabilidade e negligência de seu colaborador, que quase comprometeram a missão, o levando a ter que assassinar um funcionário que estava no local errado na hora errada. Philip é um personagem que facilmente provoca empatia e identificação com o telespectador, com seu intenso código moral, principalmente quando sua família é posta em risco.
Elizabeth, coadjuvando aqui, também teve seu espaço em ARPANET. Como observei na review passada, a colaboradora da causa socialista, Lucia, serve como contraponto para Liz poder observar a si própria quando jovem agente. Essa observação foi confirmada por Philip neste episódio, ao brincar com Liz, que chamou Lucia de impetuosa. Além disso Elizabeth teve uma importante cena com Andrew Larrick.
Considero promissora a grande missão que está por vir no(s) próximo(s) episódio(s), onde diversas variáveis podem complicar o sucesso da mesma. Andrew convenientemente já pulou fora, aumentando os riscos para Liz, Phil e sua família. Lucia também é um fator imprevisível nessa equação, que busca vingança pessoal contra Andrew, ao invés de priorizar o plano/”bem” maior ou, como costumeiramente chamado, big picture.
Outra personagem que teve bastante destaque em ARPANET foi Nina. A personagem conseguiu passar pelo teste de polígrafo imposto pelo agente Stan com a inacreditável e inusitada técnica de apertar (squeeze) o ânus (Oi? WTF?), ensinada por Oleg. Porém a cena final dela com Oleg na cama me pareceu um pouco repentina, inesperada e sem embasamento/desenvolvimento durante o episódio.
Como observado pelo próprio Oleg, Nina não tem medo de utilizar as “armas” que possui para poder circular ilesa pelos intrincados e perigosos meandros da dupla espionagem. Já que não possui “armadura”, ela faz uso de sua beleza e sexo para conseguir atingir seus objetivos, dentre eles, apenas sobreviver.
Por um lado, isso mostra o lado destemido e forte de sua personagem, o que é algo positivo. Por outro lado, isso também pode acabar anulando o efeito positivo anterior, estereotipando a mulher de uma maneira geral, que apenas consegue atingir seus objetivos através do sexo, indo contra os ideais de um mundo cada vez mais feminista. O desafio é conseguir manter o equilíbrio dessa balança na série.
Paige andou enchendo tanto o saco dos pais nos últimos capítulos que até me fez sentir falta de seu irmão. Eis que o moleque reapareceu aqui neste capítulo para, aparentemente, fazer o mesmo que a irmã: causar problemas para os pais. Os vizinhos que ele espiava, dos quais depois invadiu a casa são sementes plantadas pelos roteiristas de futuros conflitos que afetarão os Jennings. Só espero que não seja nada tão aleatório, que seja algo de real relevância e importância na trama da série.
ARPANET foi mais um ótimo episódio de The Americans. Com vários momentos de ação e tensão, nos brindou com sua equilibrada narrativa, sempre se desenvolvendo, jamais ficando estagnada ou regredindo. A menção à ARPANET, protótipo de rede que foi o primórdio da rede mundial de computadores tal qual a conhecemos hoje, foi válida, embora pouco didática.
Aqui faço uso de meus conhecimentos genéricos e superficiais da história da internet e dos computadores, vistos brevemente em parte de minha graduação. Ainda assim, foi uma boa sacada sua menção, a tentativa de sabotarem-na e a irônica piada onde dizem que aquilo, a ARPANET, não teria futuro. Mal sabiam aqueles personagens que aquele protótipo de troca de informações possibilitaria a plataforma na qual hoje publico esse texto, além da democratização do acesso aos mais variados conteúdos e informações. Alguém aí se imagina vivendo sem internet nos dias de hoje? Um brinde à contemporaneidade e às previsões erradas!





















