Vem cá e me conta: por que você ainda não está vendo Archer, hein? Tá perdendo a melhor comédia atualmente no ar.
Já está mais que claro que Archer Vice está sendo e, quando a série estiver finalizada, olhando em retrospecto, terá sido a temporada dos experimentos narrativos de Archer. Quer uma prova disso? Até esse nono episódio, a série transformou todos os agentes em traficantes, a agência em cartel de drogas, acrescentou o country a seu universo e colocou em ação uma trama que terá a duração de, pelo menos, quatro episódios. E isso é observando superficialmente. Em sua estética, no tratamento dos personagens e na ousadia do texto, Archer Vice se revelou uma tremenda obra-prima da televisão a cabo estadunidense, confrontando valores e expectativas do público e da crítica e recebendo mais sede e fome por invencionices por parte destes últimos. Diante disso, no terceiro capítulo da trama que envolvia a América do Sul e agora subiu para a América Central, tivemos um tapa na cara navalhante: a cocaína basicamente acabou e agora eles têm que vender armamentos militares para conseguir algum dinheiro.
Depois de dois episódios focalizados no trio ternura nas terras de Shakira e Sofia Vergara, On The Carpet equilibrou as coisas, trazendo Mallory Archer divinando sobre seus súditos com seu misto de canalhice com ódio enervante diante do desastre que foi a passagem dos rapazes pela Colômbia. Sim, desastre é a melhor palavra aquelas desventuras em série de “perde coca”, “consegue coca”, “perde coca”, “consegue coca”, mais parecendo João Grilo em O Auto da Compadecida com sua dialética de ficar rico, ficar pobre, ficar rico, ficar pobre. E, pela terceira vez consecutiva, vimos Sterling ter um lampejo de razão em sua cabeça sexual e infantilmente desvairada e alertar Cyril e Gillette de que o X no mapa na verdade era mais motivo para preocupação do que de alívio. Daí em diante, foi uma piada mais cretina que a outra, destacando minhas duas favoritas: Cyril jogando as armas fora do avião para, logo em seguida, eles precisarem delas e Sterling criando os nomes de guerra do trio ternura (Rando, Phill e Odie).
Mas isso foi somente o que ocorria nos flashbacks. O melhor do episódio, na verdade, foi guardado para a mansão de Cherlene. Incrível como todas, TODAS as piadas geradas ali me fizeram gargalhar alto. Demorei quase 32 minutos para assistir On The Carpet, porque eu simplesmente tinha que pausar o capítulo de cinco em cinco segundos em razão de alguma crise de riso *_* Comecemos por Mama Archer, que twerkou com vigor na cara da sociedade, sentada nas sombras com o ódio percorrendo suas veias enquanto retirava as informações da passagem fracassada pela América do Sul. E não só isso: Mallory reatou sua relação com Ron, em um casamento aberto (para não perder seus bens obviamente) e tivemos o direito divino de vê-la acertando (violentamente) não o conteúdo de uma taça de gin na cabeça de Cherlene, mas sim uma garrafa (claro que quando acordar do desmaio, Cheryl/Carol vai estar tendo orgasmos mútliplos).
Cherlene, aliás, foi a detentora do momento mais “MELDELS, CADÊ JEOVÁ NA SUA VIDA, MULHER?!”, com aquele ensaio fotográfico com os picolés nos mamilos, seguido da insinuação de que ela estaria colocando-os no ânus (SIM, SOCIEDADE MUNDIAL, ARCHER FEZ ESSA PIADA #OrgulhoDeUmaVidaInteira). Também vimos mais um estágio do vício de Pam: chantilly de cocaína. No entanto, o destino decidiu pregar uma peça com nossa loirinha favorita e acabou com o estoque de cocaína e foi doloroso (Pra quem eu estou mentindo né? Foi hilário, meu povo!) vê-la enfrentando os cinco estágios do luto pela sua melhor amiga. E, para terminar, Krieger teve sua chance de brilhar e brilhou muito como um diamante (sim, fiz esse trocadilho) esmurrando o chão sentindo ódio de si mesmo por ter explodido o submarino de cocaína que ele construiu em uma piscina isolada por concreto no QG.
Eu poderia passar parágrafos e mais parágrafos, páginas e mais páginas descrevendo a beleza que foi On The Carpet. Mas o importante é que agora fica a expectativa de saber o que vai acontecer com a venda das armas que deveriam ter ido para a América Central. E, por mais uma semana, Archer se consolida como a melhor comédia no ar atualmente.















