Um você pega e no outro você atira!

Hannibal continua nos deliciando com a sua incrível saga de manipulação de mentes e busca pela verdade. O episódio dessa semana representou um importante passo na evolução da história e, principalmente, na evolução dos personagens. Podemos inclusive dizer, com segurança, que esse foi um dos melhores episódios da série. Olha que, pelo que essa segunda temporada vem apresentando essa afirmação se torna bem difícil de fazer. Afinal, não é a toa o que cada episódio consegue fazer com a mente de quem assiste a série, e verdade seja dita, essa série é incrível como um todo, todos os episódios, desde a primeira temporada. Hannibal tem uma consistência televisiva fora do normal, se compararmos com algumas (muitas/maioria) séries hoje em dia.

Takiawase foi um exemplo real do quão importante e devidamente planejada é essa segunda temporada de Hannibal. Basta pararmos e analisarmos o que já vimos em apenas quatro episódios e entendemos que a primeira temporada realmente foi, somente, um aperitivo, e agora vemos como é grande o leque de possibilidades da série. Mais que tudo, somos testemunhas constantes que o preparo e planejamento de Bryan Fuller é um de seus maiores trunfos. Bryan realmente não tem medo de mostrar onde quer que a série chegue, e o mais impressionante é que ele vem traçando esse caminho de maneira fantástica, com um roteiro impressionante, capaz de prender até os mais fervorosos haters (afinal, hater gonna hate). A série ainda consegue nos mostrar um show visual digno de expansivas produções cinematográficas. Inclusive, esses efeitos visuais se tornam um dos mais importantes elementos, senão um personagem, da série. Hannibal é sim uma obra de arte televisiva (deixo bem claro que não estou desmerecendo nenhuma outra série).

É seguro dizer que se Hannibal tivesse sido cancelada, na primeira temporada, estaríamos satisfeitos? Podemos dizer que sim, até entendermos que as pontas soltas, que agora vemos que foram muitas, foram deliberadamente deixadas lá para termos as explicações (e a explosão de nossas mentes) aqui nessa temporada. Com base nisso, digo que estou um pouco apreensiva quanto ao que virá na série, afinal chegamos em um momento muito decisivo, detalhe é que estamos somente no quarto episódio. Não digo que esse momento tem relação ao uso da cronologia dos livros, até porque não me importo muito com isso já que adaptações vêm com a necessidade de mudanças e Bryan Fuller tem total controle do que está fazendo e, até agora, não nos decepcionou. Digo isso, porque não há mais lugar para erros e o Dr. Lecter deve metodicamente se precaver, afinal a casa está prestes a cair, ou não?

Will já tem total lucidez sobre a realidade dos fatos. Já sabe quem fez e até mesmo como foi feito. Cada vez fica mais interessante a abordagem das semelhanças e diferenças entre Will e Lecter. Também fica cada vez mais inteligente, eficiente e decisiva a forma com que os roteiristas exploram a inversão de papéis entre todos os personagens e não, mais, somente entre Hannibal e Will. É intrigante entender que a única pessoa que tem total consciência é justamente aquela que está de mãos atadas e, no momento, pouco pode fazer. Mais intrigante ainda, é como é, relativamente, fácil  para o Dr. Lecter manipular todos ao seu redor. Charme, educação, elegância e inteligência é tudo na vida de um homem, é uma arma de valor irrefutável!

Quanto mais livremente, para cometer seus crimes, Dr. Lecter pensa estar, mais evidente começa a ficar para aqueles que realmente prestam atenção. Por isso fico apreensiva, afinal até quando Dr. Lecter terá a dianteira do jogo? Pessoas como o Dr. Chilton começam a entender a real natureza do que estão lidando, do que está em jogo. O mais interessante em Hannibal é que, realmente, ninguém está seguro. Sejam aqueles que começam a entender, como Chilton, Beverly e Bedelia, seja aqueles que entendem completamente, como Will ou seja aqueles mais desavisados, como Crawford e Alana Bloom. Fato é que, gradativamente o Dr. Lecter começa a “quebrar” seus inimigos e nós começamos a entender que a ajuda virá daqueles de quem, antes, nem desconfiávamos, independente se por motivos morais, egocentrismo, curiosidade científica ou até mesmo, simplesmente uma maneira de se aproveitar de situações.

Admito que estou um pouco confusa quanto as ações de Lecter em relação a Sra. Crawford. Será a manipulação de Bella, parte de um elaborado plano para dominação total de Jack Crawford? Aqui digo o quão impressionada fiquei com Gina Torres e sua interpretação delicada, e como resultado fico também ainda mais impressionada ao perceber o quão fortes e importantes são as personagens femininas de Hannibal, exceto claro, a Dra. Alana Bloom.

Eu disse que a hora de Beverly brilhar estava chegando, e de fato chegou. Pena que já tínhamos, também, total consciência do que aconteceria assim que Bervely experimentasse uma parcela da lucidez de Will. Posso achar que Beverly ainda está viva? Realmente acredito que antes de morrer ela sofrerá abusivamente nas mãos do Dr. Lecter, até mesmo porque, alguma estratégia ele terá que criar. Então, é aqui que eu me pergunto, e agora? Beverly sumirá e o FBI não terá outra opção a não ser procurar por ela, certo? Acredito que, pelo menos, Jack Crawford vai fazer disso uma espécie de missão pessoal, e o resultado será aquele que vimos nos minutos iniciais de Kaiseki. Pensaram que, antes de Jack entender quem Hannibal de fato é, há a grande possibilidade de ele comer muitos membros de sua equipe? Sério, isso faz doer o meu coração, portanto podemos imaginar o que isso fará com as mentes dos envolvidos!

Quero aproveitar e viajar um pouco sobre o  inconsciente de Will, já que é dali que sai as grandes respostas para as suas próprias e para as nossas perguntas. Ali nada mais vemos que Will em seu “lugar feliz”, seu lugar de paz e tranquilidade. Ao mesmo tempo entendemos que, até mesmo o seu subconsciente sabe o que deverá ser feito. A isca realmente é Abigail Hobbs, afinal foi ali que tudo começou. Basta entendermos que, o que os dois tentam pescar é na realidade o Dr. Lecter. Gente, posso falar, de novo, sobre como essa série é simbólica de uma maneira tão singela e muito inteligente? Mas isso é, e na realidade sempre foi, Hannibal: o desenrolar, a fragilidade, a análise e o descontrole da mente humana e as linhas ilusórias que dividem o bem e o mal.

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