Quem precisa de férias? Raylan está de volta ao jogo.

Desde “Kill The Messenger” venho comentando a decadência de Raylan, assim como a desconstrução de seu personagem quando o colocaram em situações de impotência e falso moralismo. Ainda acho que essa temporada é de outro protagonista – Boyd, é claro – mas neste episódio, os roteiristas souberam aproveitar muito bem as férias de Raylan e as baixas ocorridas no México para colocar todas peças do tabuleiro frente a frente.

Uma peça importante ainda está a caminho. Dewey está chegando a Harlan e com motivação de sobra pra se impor perante os Crowes. A expressão e o grito ao final do episódio foram contagiantes. O sentimento de raiva contra Danny está sendo nutrido aos poucos, em breve teremos um final digno ao membro mais repugnante da família Crowe (que seja pelas mãos do primo fedido). Agradeço aos produtores por trazerem o velho e ignorante Dewey de volta, um personagem como ele não podia passar metade da temporada tão apagado. Resta saber agora onde o rapaz estará posicionado em meio ao conflito entre Darryl e Boyd.

O constante clima tenso entre Boyd e Crowe Jr. já incomoda um pouco, mas agora sabemos das intenções de Darryl. Suas exigências ao grupo de Duffy foram exageradas e criou atrito suficiente para ter a recusa sobre a sua entrada na sociedade. Assim que os Crowes se reunirem, começarão a articular seu plano a fim de obter controle sobre os negócios no condado. Essa sociedade do anel às avessas terá sua estrutura abalada e caberá a Boyd não deixá-la desmoronar. O anel já está a caminho nas mãos de Dewye Baggins.

Dentro do clã dos Crowes, Wendy e Kendal não veem a hora de fugir. Duvido que Darryl permita a separação familiar, por isso creio que a verdade sobre o desaparecimento do haitiano venha à tona, afinal Kendal já guardou esse segredo por tempo demais. Mesmo que a ruiva e o garoto não convençam como mãe e filho, gostaria que o roteiro os mantivesse na trama por mais tempo.

O tempo está passando para Ava conseguir o fornecimento de heroína dentro da prisão. A sra. Crowder continua a se afastar de Boyd, mas ainda assim, sabe que o amado fará tudo o que ela pedir (menos sair de trás das grades). Nem a doce e falsa voz de Boyd parece convencer a loira, que agora tem a difícil missão de matar a mulher que lhe dá proteção. Com toda experiência e sangue frio de um Crowder, Ava deve conseguir algum jeito de causar um acidente fatal à velha missionária.

Raylan, ainda confuso com o término do relacionamento, dispensa a acompanhante morena e resolve viajar para Memphis. Os corpos dos capangas de Hot Rod encontrados no México o levam ao agente de Narcóticos, Alex Miller. A ótima participação de Eric Roberts (irmão de Julia) poderia ter ocorrido antes, para quebrar a sequência irregular de episódios no meio da temporada, mas mesmo assim é válida por trazer Raylan de volta à sua posição no tabuleiro. Espero que Miller apareça mais na última temporada.

A dupla demonstrou uma química excelente na perseguição a Fat Rod em Tennessee e aos irmãos Wayans em Kentucky. Apesar da solução conveniente para o fim de Hot Rod (ninguém duvidava do que ele faria com aquele lápis), o movimento das peças junto à insensata comparação com Rei Lear, de Shakespeare, coloca um ponto final aos peões. Daqui pra frente, peças mais importantes estão ameaçadas, e isso é exatamente o que gostaríamos de ver em Justified. Tomara que roteiro surpreenda nos 4 episódios que restam desta temporada, pois “Wrong Roads” me trouxe nova esperança nesse ciclo. E que a loucura do Rei não recaia sobre nós.

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