Promessa quebrada, flashbacks e Elizabeth como centro da história.
The Americans apresentou novamente, nesta semana, um episódio bem equilibrado e calcado tanto na interpretação de seus protagonistas quanto em seu ótimo roteiro.
Uma grata surpresa foi o retorno da personagem Leanne Connors, a agente morta no quarto de hotel com sua família, ainda que em flashbacks. Aliás, o flashback, técnica utilizada em larga escala nos seriados televisivos, aqui serve para basear e corroborar atitudes de Elizabeth no presente. Esse recurso, por mais clichê e usual que possa parecer, ainda continua eficiente, servindo ao seu propósito.
Neste episódio tive a certeza da sensação de que Elizabeth tem sido o centro dos roteiros, pelo menos desses três primeiros capítulos. A personagem e seus conflitos tem sido o foco principal dos roteiristas, que continuam desenvolvendo-a de forma espetacular. Ela ainda lida com o choque de realidade após a chacina no hotel e seu crescente medo por seus filhos.
Que ótima cena foi aquela com o funcionário do armazém, onde Keri Russell conseguia exprimir as emoções de sua personagem através do olhar e de micro expressões faciais, mesmo com as lentes de contato que o disfarce pedia. Também acredito que Philip seja um grande personagem e que terá tempo de sobra de ser desenvolvido e trabalhado nesta segunda temporada.
Paige segue em frente com sua investigação sobre a vida secreta dos pais. Houve aqui a introdução de uma personagem interessante (a menina do ônibus), que pode trazer futuramente conflitos para a trama, fazendo Paige se tornar uma “aborrecente” para os pais e para os telespectadores. Já quanto à tia, fiquei na dúvida se ela fingiu ter Alzheimer para Paige (já que a mesma ligou depois para Philip avisando-o), se ela é de fato parente de Elizabeth ou se é mais uma agente infiltrada na América. Gostaria que isso fosse esclarecido futuramente.
Outra sequência muito bem executada foi onde o agente Stan coleta informações e surpreende o walk in do título no telhado prestes a cometer um atentado. Acredito que tenha sido muito bem contextualizada, ao mencionar a insatisfação do ex-veterano de guerra com a administração política do governo Reagan, algo comum na época. Foi uma boa cena de ação para a série.
Enquanto isso na embaixada russa, Nina segue com seu jogo de sedução e de agente dupla. Stan confessou que a ama. Resta saber se ela continua firme e objetiva em seu propósito de espionar a favor da Mãe Rússia ou se a declaração a balançou de alguma forma, como demonstrou naquele pequeno sorriso enquanto redigia mais um relatório para o chefe.
Ainda na embaixada, aquele agente novo ainda não mostrou a que veio. Por enquanto só demonstrou ser um chato, mala e impertinente funcionário no ambiente de trabalho. Mas ainda espero que o personagem tenha alguma relevância e real função na trama dessa temporada. Tudo o que podemos fazer é aguardar.
The Walk In foi mais um excelente episódio de The Americans. A série, definitivamente, não é conhecida por ter muitos momentos catárticos (essa sendo uma necessidade pessoal do reviewer que vos escreve) e/ou climáticos. Ainda assim, a cada episódio, a série continua mostrando ser muito bem escrita e seus personagens maravilhosamente desenvolvidos.
A série foge do óbvio, com suas tramas nunca muito bem delineadas e explícitas para o telespectador. A pressa não é prioridade aqui. E ao final de cada capítulo, o saldo da jornada continua sendo positivo. E não é exatamente isso que esperamos de qualquer produto cultural que consumimos?!
















