Errar é humano, permanecer no erro causa rejeição

A simplicidade pode ser vista com bons olhos quando transmite a direção de uma jornada. O erro acontece quando ficamos no escuro, enxergando apenas tentativas falhas de surpresas, muitas vezes em reviravoltas que não mudam em nada a nossa vontade de seguir em frente.

Justified pouco se esforça em demonstrar a maturidade nessa fase da temporada. Basta rever onde se encontravam os ótimos conflitos de temporadas anteriores. Na segunda temporada, a política de Mags contra Boyd e a mineradora levaria a uma disputa pelo controle dos negócios em Harlan. Já na quarta temporada, o caminho parecia confuso mas a cada episódio o roteiro se mostrava mais interessante. Nessa altura, tínhamos o mistério envolvendo Drew, o assassinato de Arlo e a sempre tênue união de interesses entre Duffy e Boyd. A reflexão é sobre em que momento – da atual temporada – as peças farão movimentos arriscados neste jogo.

Ava continua sendo carta fora do baralho, a personagem necessita de estar próxima de Boyd para mostrar todo o seu poder de manipulação e influência, mas não está decepcionando em Prison Break. Dentro da prisão ela se movimenta mostrando que tem influência externa. A loira começa a ganhar espaço para atuar como líder e ocupar o lugar da Madre Tereza do 71 no controle do tráfico dentro das grades. Que os roteiristas não cometam o erro de manter Ava presa até o fim da temporada.

Não foi dessa vez que Raylan viajou para a Florida com a namorada a fim de rever a filha. O rapaz mudou de ideia com a proposta de Wendy caso ele a ajudasse a resgatar seu filho. Me surpreende saber que Wendy e Jack – o canastrão – são os pais de Kendal. Considerando a obsessão de Raylan pelos Crowes, Kendal estaria a salvo e até teria uma grana na poupança. Apesar do êxito obtido, a ingenuidade de Raylan ao confiar na lábia da ruiva soa como um erro medonho. O resultado é a rejeição de Alisson e de uma parcela dos telespectadores. Ele é outro personagem que pede urgentemente uma interação com o seu rival.

Um personagem tão complexo como Raylan Givens acaba perdendo espaço para o verdadeiro protagonista da temporada, Sr. Boyd Crowder. A fuga do México foi bem sucedida, mesmo com a intervenção da corrupta polícia local. A cada momento, a luta contra Darryl Jr. se evidencia mais. O líder do clã Crowe tem contatos, mas se as suas exigências serão atendidas, aí é outra história – ou melhor, outro episódio.

Boyd controla o que há de melhor no ritmo de Justified. Por mais que a temporada erre, o seu personagem carrega (quase) sozinho o peso de manter o interesse do público. A essa altura isso é louvável, ainda mais quando vemos que a temporada tinha a seu dispor outros personagens carismáticos (sim, me refiro a Dewey e até a Loretta).

“Whistle Past the Graveyard” coloca a temporada de volta nos trilhos, mas ainda falta acertar o posicionamento dos vagões. Que os produtores corrijam nos 5 episódios restantes os desvios realizados por alguns personagens e voltem a apresentar o que pode vir a ser o melhor drama de faroeste da televisão. A sexta e última temporada agradece.

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