Não basta ser cretina, tem que ser inteligente também.
Existe uma sensação maravilhosa na vida de um reviewer: a de cobrar certos acertos de uma série e ver isso sendo colocado em prática. E, se semana passada eu cobrei uma maior participação de Lana, Cyril e Krieger na trama principal, Smugglers’ Blues cuidou de reverter essa situação. O que vimos nesse sétimo episódio foi uma estacionada no desenvolvimento de Cherlene e Pam (que tinham roubado os holofotes até então) e o investimento nas outras peças de seu elenco principal: Cyril e Gillette, que formaram um trio ternura hilário com Sterling nas terras colombianas.
Mas antes de chegar na Colômbia, eu tenho que destacar a cold open fenomenal, que reuniu todas as divas da série em um só local para discutir a gravidez de Lana, o vício de Pam, a carreira de Cherlene e Sterling. Foram dois minutos de pura histeria feminina, com Pam fazendo cosplay de bebê implorando por sua cocaína; Cherlene sendo escrota e perguntando se já era tarde demais pra Lana se livrar da gravidez; e, claro, Malory expondo suas frustrações em relação a seu filho. E eu não sei vocês, mas Mama Archer falou algo que, para mim, representou um gigantesco mal agouro sobre o futuro da carreira de nossa cantora country, ao dizer que seu filho não seria capaz de estragar isso. E aqui vai um aviso pra Malory: mulher, melhore, e não fique brincando de duvidar de Sterling com o universo não, porque ele já provou de todas as formas que é um verdadeiro agente do caos.
Na América do Sul, Sterling estava esbanjando toda sua infantilidade preferindo derrubar o avião (e correr o risco de morrer) a deixar Gillette fazer piadas sobre sua relação com Malory. Mas o destaque desse plot não fica com as piadas nem com o trio ternura, mas com o roteiro afiado e inteligente que conseguiu montar plot twists convincentes e trazer a própria política internacional de forma crítica, mas orgânica à atmosfera cômica de Archer. Eu levei um susto dos grandes quando Archer começou a afirmar que o crime de vender cocaína não se compararia ao que os Estados Unidos cometeram ao derrubar governos democraticamente eleitos da Guatemala, Chile, Nicarágua e Irã. Sendo uma comédia estadunidense no auge de sua popularidade perante o público e a crítica, foi de uma ousadia louvável e interessante trazer esse tipo de reflexão para a série. Além disso, o plot twist que lançou o gancho para a trama do próximo episódio também foi muito bem orquestrado: nem por um segundo, eu pensei que La Madrina era uma policial disfarçada. E agora resta saber se Lana vai ou não resgatar o trio ternura na Colômbia.
Smugglers’ Blues colocou os holofotes sobre os personagens que até então estavam em uma posição menor na trama da temporada sem sacrificar o humor nem a qualidade do 5º ano. E agora fica a expectativa de ver Lana, grávida, indo resgatar Sterling, Cyril e Gillette antes que eles acabem mortos na prisão ou antes mesmo de chegar lá.
P.S.: Espera um pouco universo: Woodhouse arrecadando dois mil dólares por mês fazendo showzinho na GILFCAM #OhMyEyes















