Archer quebrando as barreiras entre os gêneros televisivos.

Ao longo dos anos, nós vimos séries animadas que conseguiram se desvencilhar do estigma do público infantil, ao trazer um humor sínico, negro e que não seria sequer adequado para crianças. Antigamente, o ápice do confrontamento à lógica infantil era South Park, que com seus milhões de palavrões e piadas sexuais, estabeleceu-se como um clássico jovem e adulto, representando uma animação que era o terror dos pais (meus pais estão nesse grupo). Archer, desde seu lançamento, foi um material voltado pesadamente para o público adulto, com seu humor elegantemente sexual e cínico, trazendo bastante violência para a TV paga. Mas essa quinta temporada, pra mim, é o momento mais ambicioso da série: depois de tornar todos seus personagens criminosos com a criação do cartel de drogas, a série trouxe o country para seu universo.

E, se, no início, isso parecia um mero trampolim para o humor da série, agora o negócio ficou sério. Cherlene representa a série fazendo um crossover entre gêneros televisivos, alcançando um resultado surpreendentemente louvável e ainda transbordando a televisão e entrando na indústria da música, com a venda das músicas originais criadas para o alter ego de Cheryl/Carol. Não é de se espantar que a série tenha sido renovada por mais dois anos, afinal, por buscar desafiar todas as suas bases narrativas, ela tem sido abraçada intensamente pela crítica nessa quinta temporada e, mais, o público também está respondendo muito bem, uma vez que, se segurar os números que está marcando, Archer Vice será a temporada mais assistida da série até o momento (o que é algo muito raro em um projeto veterano). Então, vamos lá, ouçam Danger Zone para embalar a leitura desta review.

Depois de impulsionar o desenvolvimento de duas personagens importantes para seu universo no último episódio, Archer, em Baby Shower, deixa a trama geral de lado e entrega um capítulo centrado no humor e na música. O chá de bebê de Lana foi somente uma desculpa para colocar a dupla dinâmica Sterling e Pam (cada vez amo mais esses dois juntos) em suas missões sem noção, nesse caso a busca pelo cantor (que realmente existe) Kenny Loggins, e, consequentemente, conseguir um parceiro musical para Cherlene. No plot Sterling/Pam, eu tenho que destacar o amor pela própria vaidade que o ex-agente transpira, afinal, ele podia ser grande fã de Loggins, no entanto autografar seu terno é um ultraje fulminante. E também não tem como se deliciar com a força das personagens femininas de Archer: Pam foi para missão para cuidar do próprio umbigo e quebrou os dentes, ficou com olho roxo, mas enfrentou sozinha o guarda-costas do cantor, sem precisar ser socorrida pelo parceiro, e ainda fez ele entregar um presente para o bebê de Lana.

Não ficamos restritos somente ao chá de bebê e Cherlene e tivemos Krieger iludindo Mallory com uma fictícia venda de cocaína pela internet. Eu não sei vocês, mas eu tenho uma fascinação louca pela namorada hentai virtual dele e ela sozinha já pagou o plot em questão. Mas, como sou fã de Archer há anos, eu sei do que a série é capaz e eu gostaria de ver mais Lana, Cyril e Krieger nas tramas principais. Eu entendo que atravessamos um período de preparação do terreno para Cherlene, o universo das drogas e a dinâmica entre Pam e Sterling, então eu espero que o resto do elenco seja mais utilizado daqui para frente, uma vez que o resto já está bem consolidado. E que continuem trazendo mais participações especiais: a canastrice feat canalhice de Kenny Loggins em Baby Shower engrandeceu o episódio (e, claro, o talento musical foi muito bem-vindo ao final também).

E Archer continua fazendo o impossível: não deixar o excelente nível dessa quinta temporada cair e, claro, nós fãs agradecemos.

P.S.: Para quem se interessar, as músicas de Cherlene estão à venda no iTunes aqui .

P.S.: CADÊ BABOU????!!!!

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