Um pequeno aperitivo.
O título de How I Met Your Mother é enganador. Pelo fato de estabelecer como premissa a história de como Ted Mosby conheceu a mulher de sua vida, é natural que muitos espectadores se sintam frustrados ao saber que pouco veremos o relacionamento entre eles, uma vez que a série se encerrará com os dois literalmente se encontrando pela primeira vez (afinal, a série não se chama How Your Mother and I Got to Know Each Other). Assim, a forma como estes Rally e Vesuvius se comportam cria uma interessante visão do que o público não chegará a ver, em um par de episódios que, se não mostram uma HIMYM em plena forma, cumprem seu papel com competência.
A principal proposta desses episódios é estabelecer, com base em alguns flashforwards, o relacionamento entre Ted e a Mother, através de algumas cenas adoráveis que buscam provar para o espectador o quão perfeitos um para o outro eles são. É verdade que essas tentativas por vezes se tornam um pouco artificiais, mas a química entre Josh Radnor e Cristin Milioti consegue transformar essas cenas em algo natural. Dessa forma, se durante várias temporadas Future Ted apareceu diversas vezes para narrar suas histórias, é interessante que Carter Bays e Craig Thomas estejam aos poucos deixando essa característica de lado.
E o fazem com grande habilidade. É muito difícil introduzir o relacionamento entre dois personagens. Mais ainda é fazê-lo antes que o mesmo de fato aconteça. Utilizar flashforwards para isso estabelece uma estranha relação, já que vemos os dois já casados, mas nos permite compreender o que Future Ted disse a seus filhos por tantos anos. Em outras palavras, se não podemos conferir como os dois desenvolveram seu namoro, ou ter uma temporada inteira dedicada a seu casamento como Barney e Robin, ao menos podemos conhecer melhor a Mother, especialmente nas cenas em Vesuvius, em que os dois se mostram como o casal que Ted sempre sonhara em ser, comprovado pela forma com a qual os dois se vestem.
Por outro lado, o lado humorístico dos episódios não se mostra tão afiado. Em Rally, por exemplo, apesar de alguns momentos serem particularmente cômicos, como a cena em que Barney revela como seu elixir contra ressaca fora criado, a maior parte do episódio falha em fazer o espectador rir. As imagens que Barney tem daquelas horas, que são gradativamente reveladas, perdem o impacto logo quando ele é afogado em água gelada. Até mesmo o beijo entre Lily e Robin se torna óbvio e pouco eficaz em sua proposta.
Já Vesuvius é mais competente em fazer seu público rir. Isso se deve à maior presença de Barney, e ao fato de o episódio dividir suas tramas em duas, utilizando o noivo e Ted em uma divertida história sobre as vestimentas para o casamento, em que Barney se comporta como a noiva. Enquanto isso, Robin se comporta como um bom homem, vestida com um uniforme de hóquei e pouco se importando com o fato de ser o dia mais importante de sua vida. Esse cenário é naturalmente hilário, e típico de HIMYM, com seu humor que habitualmente busca a inversão de valores clichê da sociedade. Aliás, a briga entre Lily e Robin sobre isso, quando a segunda nem se importa de sua madrinha usar o vestido de seu próprio casamento é mais uma prova do quanto Barney e Robin são feitos um para o outro, ainda que tenham seus valores muito invertidos.
No entanto, depois da resolução de todos os conflitos importantes, HIMYM parece viver uma fase em que seus criadores buscam apenas empurrar a história de seus personagens até o series finale. O resultado disso é que personagens como Lily e Marshall acabam prejudicados. Este último, por exemplo, provoca risos apenas quando um flashback de seu casamento é utilizado. Embora Barney e Ted ainda funcionem sozinhos mesmo sem uma história mais importante, essa situação tem prejudicado esta última temporada de HIMYM. Evidentemente, se apoiar no saudosismo de seu público é uma boa saída, mas o que vemos em Vesuvius é apenas o retorno de Katie Scherbatsky, uma personagem que pouca importância teve durante todos esses anos .
E elementos de continuidade. HIMYM é uma série que adora se autorreferenciar, e é interessante que, depois de todos esses anos, as histórias de Ted já não sejam mais inéditas nem mesmo para o espectador. Assim, quando ele menciona suas piores tempestades de neve, utiliza somente histórias que já conhecemos (em especial, a de Three Days of Snow, espetacular). Isso é importante quando uma série chega ao fim, já que provoca uma sequência de flashbacks orgânicos, que não parecem ter como único propósito levar o público às lágrimas. Ou ainda a memória de The Playbook, quando a veste de scubadiving tem papel importantíssimo.
Além de criar um momento de adorabilidade ao vermos a chegada da mãe de Robin. Aliás, essa fragilidade da personagem em relação à sua família é uma das melhores características dela, o que inevitavelmente a torna uma figura tridimensional e intrigante. Além disso, introduz uma trama que certamente será explorada no próximo episódio, naturalmente criando um foco maior do que o que vemos em Vesuvius. Aliás, o surpreendente final dessa história provoca um belíssimo momento em que a Mother faz um comentário que magoa Ted e logo procura animar o marido tentando relembrar das mesmas histórias que ela já conhecia de cor.
Diante disso, é possível afirmar que a temporada final de HIMYM não mostra a série na melhor de suas formas, mas ainda consegue cumprir seu papel e preparar para um series finale que promete ser lendário.














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