Rachel Wells que me desculpe, mas Omega Hour é o melhor episódio da série.

Fazer uma afirmação dessas pode até soar precipitado, mas isso não pode ser considerado um exagero após o décimo primeiro episódio dessa segunda temporada. Simplesmente Omega Hour foi mais empolgante que qualquer outro plot da história da série, incluindo o pano de fundo da detetive para entrar na polícia de Manhattan: o assassinato de sua irmã. Como todos os episódios restantes já foram disponibilizados, fazer uma review dupla ou tripla após esse episódio seria de uma enorme injustiça, motivo pelo qual optei por dedicar uma exclusiva a Omega Hour. A diferença de qualidade entre as duas temporadas é certamente algo impressionante, visto que, enquanto na Delegacia do Queens, muito dificilmente Al Burns e Carrie Wells teriam a oportunidade de passar por uma situação dessas, na Divisão de Crimes Hediondos de Manhattan há a possibilidade de explorar os horizontes mais variados.

Tudo funcionou de uma maneira admirável neste episódio, começando pelo caso da semana. Colocar Elliot, o patrocinador e o prefeito num mesmo elevador e prendê-los em meio a ameaças de matá-los foi bastante inteligente, visto que trouxe um fluxo à investigação totalmente diferenciado. Não foi somente isso que agradou em Omega Hour: os sequestradores mantiveram reféns num dos prédios mais sofisticados e seguros de Manhattan, fato este que dificultou o trabalho dos detetives. Entretanto, o melhor ainda estava por vir: dividir a equipe em dois times – Joanne e Carrie nos corredores do edifício, enquanto Al, Jay e Cherrie no escritório – foi fundamental para mostrar ambos os lados, muitas vezes exacerbados por sentimentos de receio e ousadia. O confronto entre essas duas palavras também permitiu inferências, que serão comentadas posteriormente.

Há quem diga que a melhor dupla – e talvez única – de Unforgettable seja Al e Carrie, mas, depois de Omega Hour, é praticamente impossível não discordar desta informação. Joanne Webster já havia tido seus momentos mais cômicos durante a série e até mesmo provou sua importância num cenário que, comumente, sua personagem passaria sem relevância paras as tramas da semana. O fato de ela ter suas tiradas sarcásticas sempre bem colocadas já contribui decisivamente para a construção de sua personalidade única, mas o visto neste último episódio retomou tudo isso e enfatizou que ela não é apenas a legista da equipe, podendo ser muito útil em diversas situações. Quanto a Carrie Wells, não há muito o que se falar. Ela já é a protagonista de Unforgettable e se destaca devido ao seu dom da incrível memória, o grande diferencial da série no que se refere a um procedural criminal. A determinação do seu caráter, obviamente motivada pelo assassinato nas florestas de Syracuse, acabou por transformá-la, como Alpha Omega mesmo disse, em uma das melhores de Nova Iorque.

Inseridas no evento do milionário, a parceria entre Carrie e Jo, aparentemente oportunista, tornou-se fantástica. Enquanto a primeira usou tudo o que já era conhecido na sua personalidade, como a necessidade de, como uma boa policial, fazer o máximo possível para salvar os reféns mesmo que isso a colocasse em certos perigos, a médica soube muito bem utilizar seu modo descontraído de ser, embora a preocupação com aquilo tudo fosse clara e decisiva, para iludir os sequestradores e levar as vítimas para fora do prédio. A interação entre as duas, antes já presente de uma forma bem menos significativa, foi vital para orquestrar os planos, como a necessidade de um dos sequestradores para estancar o sangramento. Estratégicas ao máximo, as alternativas encontradas por elas para despistar os bandidos e salvar vidas foram muitíssimo bem pensadas, fato este que trouxe uma abordagem mais engenhosa.

A velocidade do roteiro e a exaltação dessas características nos quarenta minutos foram, sem qualquer dúvida, impressionantes. Os dois lados da investigação se mostraram extremamente aflitos com o que poderia ser desencadeado, seja a morte de Carrie ou a perda de algum dos reféns daquela sala. O fato é que não houve, em nenhum momento a partir da provável queda do elevador, instantes de sossego que fizessem o telespectador tirar os olhos da tela. Isso foi tão marcante que o artifício marcante para impedir a queda de Carrie – uma garrafa deixada em meio a plantas num evento erudito – pôde ser perdoado devido ao fluxo dos acontecimentos. Apesar de soar inverossímil, é notório que as séries devem usar a criatividade para reforçar as aptidões das suas personagens como, nesse caso, a memória da detetive.

Alpha Omega foi mais um que se sobressaiu no episódio, ganhando destaque por elaborar um projeto fabuloso para derrubar toda a rede de bancos de Manhattan após o apagão provocado pela polícia. Seus diálogos, enfatizando seu caráter ambicioso e agressivo, foram capazes de transmitir uma ótima sensação, principalmente os protagonizados ao lado de Carrie Wells. Pena que a sua participação foi bastante curta – apenas um episódio – visto que ele, assim como Jackie do começo desta mesma temporada, poderia render mais grandes momentos, como Omega Hour.

Foi interessante ver que, enquanto Carrie tentava ser a heroína, Al fazia de tudo para que ela não se ferisse, afinal ele precisava que ela saísse daquela situação. O uso deste verbo – ainda lembrando o enorme medo de perdê-la naquele confronto entre receio e ousadia – indica que os eventos de Till Death muito provavelmente não foram apenas ofícios do trabalho, mas um simples indício da existência dos sentimentos. Precisar não é querer, subtendendo que aquele abraço apertado quando Carrie deixou o prédio não foi uma mera manifestação de alívio. Talvez isso não seja tão recíproco, visto que, todas as vezes que Al falava com ela pelo telefone, notava-se uma preocupação bem maior dele, até porque os olhos dela não enxergavam a gravidade com os mesmos que ele.

Outro ponto a ser elogiado foi o desfecho que, numa simplicidade de atirar o computador com o download dos arquivos dos bancos, sintetizou o fim da ganância com uma ótima alternativa. Não somente o final do caso da semana, mas o agradecimento do prefeito e as celebrações ao final serviram apenas para corar um grande episódio, em que todos os membros do elenco foram importantes num nítido filme de ação.

Com um grande episódio – indiscutivelmente o melhor da série – Unforgettable mostrou uma qualidade que somente confirma a superioridade da segunda temporada e questiona o porquê de a CBS simplesmente ter tratado a série com tanto desprezo, queimando os episódios restantes nas noites de sexta-feira a partir do dia 4 de abril. As próximas reviews também serão feitas, em breve aqui no Série Maníacos, separadamente com o intuito de analisar os propósitos específicos de Flesh and Blood e Reunion. Esperemos que o final de temporada seja tão bom quanto o apresentado até aqui!

Não se pode esquecer… 

– Felizmente, Carrie tirou os sapatos para correr. Essa foi uma únicas coisas que fiquei indignado com a Alexis no evento duplo da quinta temporada de Castle, quando ela tentava fugir com sapato alto. Pelo menos a nossa detetive de Manhattan não cometeu o mesmo equívoco.

– Adorei todas as cenas de Jo no episódio. Desde suas brigas usais com Elliot até intimidar o sequestrador com a arma, sempre irreverente.

– Falando na Jo mais uma vez, a decisão dela de ajudar os reféns por se considerar inútil com a Carrie foi bastante humana e, antes de tudo, brilhante. A partir disso, elas conseguiram elaborar o plano perfeito.

– E o Skinner? Tentou de tudo com a Carrie e não conseguiu nada…

– Engraçado foi o ciúme que o Al sentiu em várias cenas, principalmente quando viu os sapatos no quarto.

– Tivemos uma participação especial lá da primeira temporada: Tanya! Acredito que não foi somente eu quem notou um clima entre ela e o Jay…

– Afinal, o que foi melhor? A inauguração ou o casamento?

– Caros leitores, fiz a minha conta no twitter: @gabriellanzaro. Espero todos os fãs de Unforgettable por lá!

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