Talvez ainda haja esperança em Girls.
Desde Incidentals, tudo que vinha à minha mente era: “Eu realmente perdi esperanças em Girls”. Eu estava me cansando das inconstâncias, da preguiça e das negligências do roteiro da série. Apesar de possuir um elenco afiado (sim, gosto demais do elenco de Girls como um todo), eu não conseguia mais ficar com aquela vontade de ver o próximo episódio e percebia minha ligação com os personagens se esvaindo. Eis que surge Flo com todo um mundo de coração e eu me senti parcialmente acalentado por todos os erros cometidos até aqui. Mesmo que tenha falhado em atingir o humor, o episódio conseguiu suavizar a imagem de Hannah (que vinha se desgastando pelo roteiro nessa temporada), ao trazer personagens desconhecidas de sua família e, com elas, questionamentos que poderão perpassar pela cabeça da protagonista nessa reta final do terceiro ano.
Primeiramente, eu tenho que destacar a participação deliciosa de June Squibb (Getting On), que, através da mistura de carinho, honestidade áspera e doçura, conseguiu criar uma personagem, que, de fato, nos fez acreditar que ela era capaz de ter sido a mãe-que-não-era-tão-boa-em-ser-mãe daquelas três mulheres divergentes e da avó amável de Hannah. Prova disso é o fato de ouvirmos coisas negativas sobre a vovó ao longo de Flo e, apesar disso, o que fica registrado para nós é o “People aren’t always right” cheio de carinho falado para a neta, depois de uma noite complicada emocionalmente e fisicamente que esta tivera. Aplausos também devem ser dados para Becky Ann Baker, Deirdre Lovejoy e Amy Morton, que estabeleceram rapidamente as personalidades conflitantes das três irmãs, conseguindo evitar que elas se tornassem meros estereótipos.
E, se comecei o texto falando da família materna de Hannah, é pelo fato de ela ter sido o foco de Flo. O terceiro episódio de Girls, nessa terceira temporada, que lidou com a morte e, de longe, o melhor. Ao contrário da morte de David, após a qual Hannah permanecia a mesma figura, a jornada até a morte da avó trouxe questionamentos para a cabeça da garota. Mesmo acreditando cegamente na amabilidade pura de sua avó, Hannah descobre que, por suas costas, ela a chamava de relaxada; sua mãe, por outro lado, jogou um balde de água fria sobre ela ao expor sua descrença no futuro da relação dela com Adam e, mais, sua opinião de que ele não era o homem ideal para ela. Dessa forma, a sequência iniciada com a música que declamava “Não diga, não diga, não diga, não diga que isso te machucou / Não diga, não diga, não diga, não diga que não daria certo” e encerrada com o “As pessoas nem sempre estão certas” foi o auge do episódio, ao trazer a mágoa de ouvir as palavras de desaprovação da mãe e o acalento na voz da avó.
Flo não ficou restrito somente a isso, trazendo também uma possibilidade de conflito, ou não, para os próximos episódios no descompasso entre as expectativas em relação ao futuro juntos de Hannah e Adam. Apesar de algo clichê, o diálogo foi bem inserido na trama e representa, no fim das contas, um questionamento que qualquer um de nós, indivíduos do mundo, pode ter em algum momento. Você e seu parceiro/sua parceira podem renegar a ideia do casamento juntos, no entanto, se, lá no fundo, algum de vocês desejar algo desse tipo, esse será um tema que poderá trazer mágoas ou soluções mais a frente, então o que aconteceu com Hannah/Adam foi simples, direto, objetivo e real. Algo que pode vir a explodir no futuro do casal ou não, afinal a dianteira do rapaz em contar para a avó que ele e a amada iriam se casar pode ter mostrado para a garota que ele está realmente comprometido com a relação dos dois.
E agora posso dizer que esse episódio me deu um pouco mais de esperança em relação ao futuro de Girls.
P.S.: tenho que deixar claro que teve uma piada que funcionou – as irmãs dividindo as drogas da mãe <3















