A quinta temporada de Archer segue impecável, com ritmo frenético e piadas ultrajantes.

Poucas vezes na história, séries de TV conseguiram, em sua quinta temporada, atingir um ápice criativo. Curiosamente, 2013 veio para confrontar essa máxima e nos trouxe duas séries que abalaram suas próprias estruturas e conseguiram surpreender os fãs e a crítica: Breaking Bad e The Good Wife. E, meu povo, fico feliz em afirmar que 2014 não chegou para ficar para trás e nos trouxe Archer, que, com esse quarto episódio, entrou no nível das duas supracitadas e tem todas as cartas na mãos para entregar sua melhor temporada e uma das melhores do ano.

White Elephant conseguiu ser brilhante por resetar a série e atingiu um nível ímpar de brilhantismo. House Call conseguiu igualar esse nível sem precisar de inovações estilísticas ou narrativas. Foram 20 minutos, durante os quais os personagens não saíram, sequer por um segundo, da mansão de Cheryl/Carol/Cherlene e, mesmo assim, eu não consegui piscar o olho ou respirar direito devido ao ritmo e ao roteiro frenética e hilariamente histéricos. E a prova disso é que o agente do FBI, cuja aparição gerou o título do episódio, representou, na prática, um subterfúgio para separar o elenco em duplas.

Com essa separação, quem ganhou mais foi a dupla Sterling-Lana. A relação dos dois é uma das pedras basilares da série, desde seu início, sofrendo oscilações de aproximações e afastamentos ao longo dos anos, no entanto sempre permanecendo em uma bolha de atração. O season finale da quarta temporada trouxe um dos mais belos momentos da história dos dois personagens, quando Sterling, depois de assumir o risco de morte em prol da vida de Lana, declarou seu amor à (então) agente. House Call trouxe uma cena emblemática (e emocionante), durante a qual vimos garoto-Archer contar a realidade cruel das mães detentas, depois dizer que fugiria daquilo tudo se fosse Lana, para então dizer que enquanto ela fugia, ela deveria tirar uns minutinhos para fazer um sexo oral de adeus e obrigado nele. E, rindo, logo em seguida, vimos nossa femme fatale admitir que não conseguiria deixá-lo.

A escalada do vício de Pam galgou mais uns degraus. No entanto, o efeito notável foi seu emagrecimento e sua consequente transformação em objeto de desejo de Sterling, Cyril e Cheryl/Carol/Cherlene. Particularmente, eu delirei com a piada masoquista com o aperto de corda estratégico nos seios de Pam, que depois se tornou uma mistura de Hulk com Godzilla e King Kong, carregando sua donzela nos braços. Falando na donzela, acompanhamos a emergência de Cherlene, mais uma personalidade de Carina/Crystal/Carol/etc, que, depois de ter um chip implantado em seu cérebro, tornou-se sulista de Nashville e perdeu o medo do palco. Finalmente, poderemos vê-la cantando e tentando equilibrar a vida de estrela do country e de criminosa. E, apesar de não ganharem um plot próprio e marcante, Malory, Cyril e Dr. Krieger estavam bem afiados e entregaram ótimos momentos.

A quinta temporada de Archer segue impecável, com ritmo frenético e piadas ultrajantes, e agora a expectativa fica maior, porque as peças foram refinadas. Daqui pra frente veremos o QG partir para outros países para vender a cocaína que Pam ainda não consumiu e Charlene subir aos palcos e ser a nova Taylor Swift feat Adele feat Daft Punk feat Mumford and Sons da música.

P.S.: eu pensei em várias piadas, vários momentos para destacar aqui, mas nenhum superou Sterling choramingando de forma bem infantil com uma colher suja de Iogurte feat cocaína.

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